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Treinador do Corinthians explica perfil 'explosivo' na beira do campo

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Por Marcelo Nascimento e Daniel Keppler

Fernando Diniz se defendeu das críticas pelas broncas públicas aos jogadores

Rodrigo Coca / Agência Corinthians

Nesta terça-feira, Fernando Diniz foi anunciado como treinador do Corinthians. Ele chega após a saída de Dorival Júnior, demitido no último domingo.

Em sua apresentação oficial, que aconteceu no CT Joaquim Grava, o novo comandante discursou sobre seu temperamento "explosivo" na beira do gramado e garantiu que isso traz mais pontos positivos do que negativos.

"Aqueles momentos que eu tenho, às vezes as pessoas que vocês não me conhecem, porque no fundo no futebol, quem está assistindo não conhece ninguém, porque a imagem que talvez você tenha de mim, é o Diniz da entrevista. E o Diniz está na beira do campo no dia do jogo. E eu garanto a você que eu sou muito mais que isso, porque eu não me resumo ao cara que está na beira do campo. Eu tenho uma relação construída com os jogadores de vínculos cada vez mais profundos. E aquele Diniz da beira do campo não é um Diniz que eu tenho alegria de ser daquele jeito, porque aquele é um deles que consegue ajudar mais os jogadores", iniciou.

"É assim que eu consegui ajudar esses que alguém citou, do (Gabriel) Sara, do Rayan, do Bruno Guimarães, recentemente do Gabriel Magalhães, que é um corinthiano fanático na Seleção. Então, obviamente, em algum momento você passa do tom, que você tem que saber se corrigir. Isso é uma coisa que eu procuro fazer. Mas aquilo tem um fundamento positivo, que é de ajudar o jogador, é de ir ao encontro do jogador para ele conseguir fazer o seu melhor. E quase sempre quando eu estou cobrando alguma coisa por falta de vontade, por ter deixado o time na mão. Então tem uma causa justa naquilo. E isso é uma coisa que tenho internamente com os jogadores, cada vez um acordo mais elaborado, com mais profundidade. Porque a minha vida é uma vida de doação para o jogador. Gosto de mudar a vida dos jogadores para o meio do futebol e que esse impacto na vida deles se transforme em um jogo cada vez mais bonito, eficiente e que tenha conexão com a torcida. Então aquilo é uma coisa que faz parte do negócio e é uma coisa que muito mais ajuda do que atrapalha", falou.

Ele reforçou que essas cobranças geram impacto positivo no desenvolvimento dos jogadores e citou o exemplo do meia Rayan, de 19 anos, que estava no Vasco da Gama e defende atualmente o Bournemouth, da Inglaterra.

"Às vezes, para quem está de fora, não entende. E eu, sinceramente, não teria o que ganhar com aquilo. Porque tenho uma grande exposição. Mas no fundo aquilo tem uma coisa que os benefícios daquilo na minha carreira inteira só mostram, que para quem quer ver, que aquilo é muito positivo. Então a pessoa acha que, de repente, ele estourou com o jogador. E aí você vai perguntar para os jogadores que eu mais estourei, porque quando eu consigo cobrar mais, geralmente são os jogadores que conseguem evoluir mais. Um dos jogadores mais cobrados no Vasco foi o Rayan. E aí, quando foram perguntar para ele: pô, mas te cobrou? Ele falou: 'não, ele é um pai para mim, pode ser um pai para mim'. Então ali tem um vínculo de doação muito grande, e aquilo é para o benefício do jogador. Então, para quem quer de fato explorar isso de uma maneira um pouco mais profundidade, com mais verdade, é só ir atrás dos jogadores, fazer uma enquete, fazer uma pesquisa, dos jogadores que trabalham comigo, o que eles acham de mim. Se eu sou um cara explosivo, que aquilo prejudica os jogadores, ou o meu jeito auxilia para que eles consigam avançar nas suas carreiras e poderem dar uma condição cada vez melhor para suas famílias e para a torcida a qual eles representam naquele momento", citou.

Diniz ainda revelou que o lado negativo existe, mas vem se policiando para não exagerar. Ele relembrou que tinha um histórico de ser expulso durante os jogos, mas melhorou nesse aspecto e se tornou um treinador mais controlado.

"Vou explicar que tem os dois aspectos, mas o aspecto positivo prevalece sobre o negativo, e o negativo eu tenho que ir me policiando e me corrigindo. Porque tem momentos em que a exposição não é boa. E eu tenho que, quando eu percebo isso, tenho que evitar. Mas eu sou um cara muito espontâneo e é uma coisa que eu acho que, para as pessoas, é difícil ter um cara que tem a espontaneidade que eu tenho no campo. Eu me permito ser aquilo que eu tenho vontade de ser na hora que eu estou no campo, para poder ajudar, sempre na intenção de ajudar. Mas, com o tempo, você vai se corrigindo e melhorando. Eu tento fazer. Por exemplo, eu era um treinador muito criticado porque eu era muito expulso. Faz dois anos praticamente que eu não sou expulso, mas isso é pouco noticiado. Porque eu sabia que as expulsões por conta desse meu jeito não são uma coisa positiva. Sair, deixar o time vulnerável e ficar sendo expulso. Quer dizer que eu nunca mais vou ser expulso? Não, mas é uma coisa que eu procurei melhorar. E nessa questão da exposição, em determinados momentos, eu também tenho que me policiar e melhorar. Porque às vezes não tem, escapa e não foi bom. E eu não tenho nenhum problema de errar, eu acho que é você ir corrigindo e melhorando. Mas, como eu te disse, isso faz parte da minha personalidade e, na maioria das vezes, ela é muito mais ajuda do que atrapalha", discursou.

Fernando Diniz foi anunciado na noite de segunda-feira e gerou muita repercussão. Como o Meu Timão mostrou, as redes sociais foram um espaço em que muitos torcedores se manifestaram negativamente. Apesar disso, o técnico afirmou que isso não o impactou.

“Não é uma questão de interferência, é uma questão de que eu me sinto muito bem acolhido. Estou extremamente motivado, feliz de estar aqui, eu vejo também muita gente empolgada, torcedor de rua. Eu moro na Zona Leste, você sabe o tanto de corinthiano que tem aqui. Então esse torcedor importa muito, o torcedor do estádio. Sinceramente, se a gente fizer uma enquete da minha personalidade, da minha história, quase todo mundo do meio do futebol achou que um dia isso ia acontecer, que eu tenho uma combinação com o Corinthians. Eu também acho, tenho uma cara que combina com isso aqui, pela minha maneira inquieta, pela inovação, pela coragem de fazer as coisas. Então a gente acha que tem tudo para dar certo e o torcedor só quer ver o time ganhar. Se você lembrar, o Tite era muito rejeitado aqui. Lembra do Tolima, como estava isso aqui? Então a torcida está na dela e a gente tem que estar na nossa. Às vezes criando polêmica, às vezes não, mas é sempre para o lado positivo, a gente leva as coisas da maneira que tem que ser levadas. Aqui é a gente trabalhar internamente, fazer o melhor e ganhar jogo o quanto antes e, se possível, o quanto antes também, voltar a levantar taça, que é o que o corinthiano quer e é o que precisa acontecer num time desse tamanho”, disse.

Por fim, ele opinou sobre a maneira que as pessoas olham para seu estilo de jogo. Fernando Diniz garantiu que a parte tática não é prioridade, mas sim motivar seus jogadores para que tenham vontade e raça de vencer todos os jogos.

“Eu que convivo comigo mesmo, para mim é uma coisa simples. Procuro fazer aquilo que eu considero melhor para os jogadores e para o torcedor. Que seja um time solidário, corajoso, que tenha sempre fome de vencer, e a parte tática vai sendo desenvolvida, não tem parada para a parte tática. A parte tática de um jogo de futebol ninguém sabe o suficiente, sempre tem coisa para a gente aprender, que eu acho que ao longo da minha carreira eu vou evoluindo sempre. Eu trabalho muito, assisto muito vídeo, trabalho muitas horas no campo, eu gosto de trabalhar os bastidores com os jogadores. E a lupa (da análise) eu não sei explicar por que acontece. Talvez pelas pessoas acharem alguma coisa diferente porque sai jogando, que aproxima muito o jogador, ou por conta do meu comportamento na beira do campo ou da minha formação. Mas não é uma coisa que me incomoda, é uma coisa que eu vou lidando cada vez melhor. O meu objetivo, essencialmente, não muda, é procurar capturar a atenção do jogador, fazer o melhor para o jogador. Vocês sabem disso, está no meu discurso a todo momento, fui um cara que jogou futebol para aprender a ser técnico. Eu tenho uma conexão facilitada com o jogador, os jogadores percebem que eu estou no futebol para ajudá-los a se desenvolver e para ter uma vida no futebol e para ter conexão com o torcedor. Então é isso, não vou saber explicar o porquê de ter tanta repercussão, e uma coisa que acontece e a gente vai lidando cada vez melhor com isso”, concluiu.

O Corinthians contará com Diniz na estreia da Libertadores, que acontece nesta quinta-feira. O Timão viaja até a Argentina para encarar o Platense, às 21h, no Estádio Ciudad de Vicente López.

Veja mais em: Fernando Diniz e CT Joaquim Grava.

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