Treinadora do Corinthians avalia goleada sobre o Bragantino e comenta erros de lateral
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Por Pedro Vilela e Marcelo Nascimento
Treinadora do Corinthians avalia goleada sobre o RB Bragantino e aponta desempenho abaixo de lateral
Rodrigo Gazzanel / Ag.Corinthians
Na última sexta-feira, o Corinthians venceu o Red Bull Bragantino por 5 a 1, em duelo válido pela sexta rodada do Brasileirão Feminino. Depois da grande vitória, a técnica Emily Lima comentou sua avaliação da partida.
Dos cinco gols marcados pelas Brabas, quatro saíram em jogadas de bola cruzada na área. Gabi Zanotti, Andressa Alves e Vic Albuquerque balançaram as redes de cabeça. O fator chamou atenção e foi um dos temas abordados por Emily na entrevista pós-jogo.
"A gente vem trabalhando muito com a bola em profundidade. Hoje, vemos muitas equipes fazendo marcação individual, e isso gera muito espaço quando a gente entende como explorar o adversário. Então, estamos buscando fixar mais a zagueira e trabalhar o desborde das meias, com esse passe em profundidade. A gente entendia que o jogo interior do Corinthians era muito forte, mas também vimos que havia muito espaço pelas beiradas, e é ali que estamos conseguindo ser eficazes, com cruzamentos e chegada na área. Isso vem dando resultado. A gente não pode ser uma equipe fácil de ler, que joga sempre por fora e depois por dentro, precisamos ser uma equipe que faça o adversário pensar o tempo todo", iniciou a treinadora.
Outro ponto que chamou atenção foram os erros individuais de Tamires. Em votação realizada pelo Meu Timão, a lateral recebeu a menor nota da equipe, com média de 3.8, destoando das companheiras. Além de ter sido a única advertida com cartão amarelo, o gol do Red Bull Bragantino saiu pelo lado esquerdo da defesa, após falha de marcação da jogadora.
"Sim, foram erros individuais, mas a gente trabalha com o conceito de situação de urgência. Quando isso acontece, a companheira mais próxima precisa tentar resolver rapidamente. Nem sempre isso ocorre, como foi o caso. Não podemos sofrer gols assim. É questão de atenção e concentração durante todo o jogo. Vamos ajustar e corrigir não só esses lances, mas outros pontos também, do primeiro e do segundo tempo. Principalmente o tempo de reação, o momento de fechar a bola, de correr para trás, de abordar a jogadora adversária. São detalhes importantes", disse Emily.
Aos 58 minutos do segundo tempo, Tamires foi substituída por Juliete. A lateral, também experiente e multicampeã pelo clube, entrou bem e corrigiu a fragilidade no setor. A atuação levantou questionamentos sobre uma possível titularidade, e Emily comentou sobre o tema.
"Sobre a Juliete, ela vem sempre buscando o melhor desempenho, assim como todo o grupo. O nível de competitividade nos treinos é muito alto. Temos feito avaliações constantes. Já houve alternância entre Juliete e Tamires, com diferentes contextos de jogo. Vamos precisar tomar decisões e definir melhor uma identidade, porque são jogadoras com características distintas. Mas o importante é que o grupo todo está buscando a melhor performance em todos os treinos", complementou a técnica.
Após conseguir neutralizar o Red Bull Bragantino, a treinadora das Brabas comentou sobre a formação tática adotada na partida, que levou o adversário a ceder mais espaços no campo, principalmente pelos lados. O tema gerou questionamentos sobre a postura da equipe ao longo do jogo.
"Hoje, estamos jogando no 4-1-3-2. O que acontece é que esse losango do meio gira bastante. É um jogo de posição, mas com muita mobilidade, tanto do losango quanto das duas atacantes. Contra marcação individual, precisamos gerar espaço e isso exige movimentação. É isso que está acontecendo. Às vezes, a dificuldade de leitura vem do próprio adversário. A gente induz o adversário a fazer o que queremos, justamente para criar esses espaços. A base é essa formação, com muita troca de posição e mobilidade, o que gera dúvidas tanto para quem vê quanto para quem enfrenta", explicou Emily.
Apesar da goleada, um dos principais problemas do Corinthians voltou a aparecer: a dificuldade no controle da posse de bola. Em alguns momentos, a equipe forçou jogadas e permitiu contra-ataques do adversário. Esse também foi um dos fatores determinantes na derrota de virada por 3 a 2 para o Palmeiras, único revés de Emily Lima no comando das Brabas.
"A gente está evoluindo, melhorando. Não é fácil manter intensidade por 90 minutos. Precisamos ter mais controle do jogo em determinados momentos, porque é impossível jogar o tempo todo no mesmo ritmo. Hoje aconteceu isso: em vez de controlar mais a posse, a gente forçava as jogadas e sofria na transição. Isso desgasta muito, porque exige correr para trás o tempo todo. Aconteceu no fim do primeiro tempo e no início do segundo. Precisamos entender por que isso vem acontecendo. Você citou o jogo contra o Palmeiras, e foi parecido. Acredito que passa mais pelo nosso controle com e sem a bola do que por ações do adversário. Estamos gerando situações para os adversários, e precisamos corrigir isso", finalizou a treinadora do Timão.
O próximo compromisso das Brabas é na quinta-feira, 9 de abril. A equipe alvinegra viaja até os Estados Unidos para encarar o Kansas City Current, pela semifinal da Teal Rising Cup. A partida será disputada no CPKC Stadium, às 22h (de Brasília).
