MP marca depoimentos de ex-presidentes e dirigentes do Corinthians em investigação de dinheiro vivo
4.4 mil visualizações 111 comentários Reportar erro
Por Bruno Pantarotto e Rodrigo Vessoni

Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves são investigados pelo Ministério Público de São Paulo
Daniel Augusto Jr. / Ag.Corinthians
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) deu sequência às apurações sobre a retirada de mais de R$ 3,4 milhões em dinheiro vivo dos cofres do Corinthians entre março de 2018 e 2023. A corrigida pela inflação chega a R$ 7,3 milhões. A informação foi publicada inicialmente pelo ge.globo e confirmada pelo Meu Timão.
Como parte do processo, a promotoria agendou para o dia 9 de abril os depoimentos dos ex-presidentes Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves, além de diretores e funcionários que atuavam no clube naquele período.
Os valores foram repassados a João Odair de Souza, conhecido como Caveira, que atuou como chefe de segurança durante as gestões de Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves. Segundo o Ministério Público, não há comprovação sobre o destino do dinheiro, o que levanta suspeitas de apropriação indébita.
De acordo com a promotoria, os repasses eram autorizados pelo ex-gerente Roberto Gavioli ou pelos ex-diretores financeiros Matías Romano Ávila e Wesley Melo, todos também convocados para depor, assim como Caveira. O ex-funcionário afirmou ainda que utilizava parte do dinheiro em espécie para cobrir pequenas despesas ou pagar gorjetas enquanto estava a serviço dos ex-presidentes.
"Aos sábados, domingos e feriados, é preciso contratar muitos seguranças freelancers para o clube. Isso também acontecia quando havia protestos no CT ou no Parque São Jorge. Antes de eu assumir (a chefia da segurança), quem fazia isso era a Atual (empresa de vigilância), que cobrava mais ou menos R$ 450, mas pagava R$ 120, R$ 150 ao segurança. Eu conversei com o Andrés sobre isso, e ele mandou eu falar com o jurídico e o Roberto Gavioli (ex-gerente financeiro)", disse Caveira ao portal ge.globo.
"Dentro do clube, tem uma série de esportes. Vai ter jogo de vôlei, basquete, futebol de salão… São oito seguranças em cada evento desse. Evento na piscina? 20 seguranças. Teve dia de protesto em que eu coloquei mais de 60 seguranças no CT. Muitos deles eram policiais em horários de folga. PM não dá nota fiscal. Eu não podia nem fazer ordem de serviço", completou.
Conforme a planilha apresentada pelo Corinthians, houve ocasiões em que ele realizou mais de um saque no mesmo dia. Alguns valores eram elevados, como em outubro de 2023, quando recebeu R$ 129,3 mil de uma única vez. Em contrapartida, também houve repasses menores, como em 29 de outubro de 2020, no valor de R$ 529. O ex-chefe de segurança já figura como investigado em um dos inquéritos conduzidos pelo MP, embora ainda não tenha sido chamado para depor.
As investigações sobre a circulação de dinheiro em espécie entre funcionários do clube começaram após o ge revelar despesas de caráter pessoal durante a gestão de Duilio. Segundo o Ministério Público, Denilson Grillo, ex-motorista do ex-presidente, recebeu mais de R$ 1,2 milhão em dinheiro vivo ao longo de três anos. Há indícios de que empresas de fachada tenham sido utilizadas para justificar esses gastos e possibilitar o desvio de recursos.
Atualmente, Andrés e Duilio respondem como réus por apropriação indébita relacionada ao uso de cartões de crédito do Corinthians.