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MP-SP entra com recurso e pede anulação de decisão que rejeitou denúncia contra Andrés Sanchez

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Por Matheus Fiuza e Daniel Keppler

Justiça de São Paulo rejeitou possibilidades de lavagem de dinheiro e crime tributário contra Andrés Sanchez, na última sexta-feira

Danilo Fernandes/ Meu Timão

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) entrou com recurso contra a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que recusou a segunda denúncia relacionada a Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians, na investigação do cartão corporativo do clube. Os pedidos de lavagem de dinheiro e crime tributário foram indeferidos pela juíza Marcia Mayumi Okoda Oshiro, na última sexta-feira.

A informação foi divulgada pelo Blog do Macedo e confirmada pelo Meu Timão. O promotor Cassio Roberto Conserino indicou não haver apenas apropriação indébita do ex-mandatário e de Roberto Gavioli, ex-gerente financeiro — única acusação mantida —, mas também os crimes citados acima. Ele criticou o entendimento de "exaurimento" da magistrada, pois, na visão do MP-SP, houve ocultação e dissimulação da origem dos valores analisados.

A promotoria usa como exemplo a emissão de nota fiscal nas lojas Openbox 2 e Fast Shop no nome de Aurea Andrade Ramacciotti, amiga de Andrés Sanchez. Outros dois gastos, em agosto de 2020, também são questionados por Cassio Conserino, que ainda vê contradições na decisão judicial, pois a lavagem pode ocorrer em gastos simples, casos de viagens, compras e alimentação. Há o entendimento de "autolavagem", em que o autor se apropria do crime antecedente.

"A partir do momento em que ANDRÉS enveredou para outro segmento fático consistente em requerer nota fiscal em seu nome próprio ou de terceiros ignorando que os valores pagos pelo produto/serviço eram pertencentes ao SCCP, estamos em face de ocultação do verdadeiro titular do produto/serviço e dissimulação da origem e propriedade dos valores empregados para a aquisição do produto/serviço, atividades tipicamente compatíveis com o crime de lavagem de capitais", encaminhou o MP-SP.

Em relação ao crime tributário, o promotor argumenta que a ausência do crédito tributário constituído pode ser relativizada, sobretudo se integrar um processo de lavagem de dinheiro. A decisão, segundo o MP-SP, não tratou o crime tributário como antecedente. Além disso, é levantada a possibilidade de falsidade ideológica por parte de Andrés Sanchez.

Diante disso, o Ministério Público solicita a nulidade da decisão judicial. De acordo com a promotoria, não houve o cumprimento do devido processo legal, pois a defesa de manifestou antes da formalização da denúncia. O órgão também afirma que ocorreu omissão nas condutas de Roberto Gavioli, caracterizando omissão de fundamentação, além de levantar suspeitas quanto à imparcialidade da juíza.

Esta foi a segunda acusação do MP-SP contra a dupla. Na primeira, Andrés e Gavioli, em outubro, foram denunciados também pelos crimes de apropriação indébita, lavagem de dinheiro e falsidade de documento tributário — o ex-gerente apenas pelos dois primeiros. A mesma magistrada rejeitou as duas últimas ocorrências, mas voltou atrás e suspendeu a decisão após pedido de suspeição por parte da promotoria, que acusava parcialidade no caso.

A investigação seguiu para a Câmara Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo, que vai decidir se a juíza é ou não suspeita — ela alegava estar apta para julgar as acusações. Entretanto, as medidas cautelares impostas a Andrés e Gavioli seguiram válidas, as quais são:

Ao todo, são mais de 200 gastos em 31 faturas entre agosto de 2018 e fevereiro de 2021, cujo pedido de ressarcimento é de R$ 480 mil aos cofres do Corinthians, a título de danos materiais, e 75% desse valor por danos morais, chegando a R$ 1,1 milhão.

Veja o posicionamento da defesa de Andrés Sanchez

O escritório Fernando José da Costa - Advogados, que representa Andrés Sanchez, informa que os procedimentos são sigilosos, mas que a defesa apresentará contrarrazões ao recurso do Ministério Público tão logo seja intimada. Além disso, a alegação de suspeição igualmente se refere a procedimento sob sigilo.

De todo modo, respeitando o sigilo judicial, os fundamentos da decisão são os mesmos da decisão que também rejeitou a primeira denúncia por lavagem de dinheiro e crime tributário. Ou seja, o Ministério Público seleciona outras despesas, que nem o próprio Corinthians requisitou a devolução até o momento, e apresenta uma segunda denúncia, imputando lavagem de dinheiro e crime contra a ordem tributária. Assim, a rejeição dessa segunda denúncia é coerente com o entendimento do juízo quanto à não configuração dos crimes de lavagem de dinheiro e contra a ordem tributária.

Relembre o caso

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu, em agosto de 2025, uma investigação sobre os gastos de Andrés Sanchez (2018 a 2020) e Duilio Monteiro Alves (2021 a 2023) em seus respectivos mandatos como presidentes do Corinthians. O caso se iniciou após denúncias do uso do cartão corporativo por parte de Andrés, que admitiu as despesas pessoais, e vir a público uma planilha de R$ 80 mil em 40 dias durante a gestão de Duilio. Pouco depois, Augusto Melo também entrou na mira do MP-SP.

Assim, o Ministério Público, que obteve quebra de sigilo, segue investigando o caso e até já ouviu os principais nomes ligados ao Corinthians. Osmar Stabile e Romeu Tuma Júnior, respectivamente presidente do clube e do Conselho Deliberativo, já participaram das oitivas (ambos na condição de testemunha), assim como o ex-gerente financeiro Roberto Gavioli e o próprio Andrés Sanchez, além de Duilio. O MP também solicitou uma série de documentos ao clube e aos Conselhos Deliberativo (CD) e de Orientação (Cori).

O MP-SP solicitou o afastamento temporário dos três últimos presidentes de todos os colegiados do clube até o fim da investigação. Augusto Melo, vale lembrar, não tem mais poderes políticos devido ao impeachment, enquanto os outros dois nomes integram o Conselho de Orientação do Corinthians.

A 2ª Vara de Crime Organizado, Lavagem de Dinheiro e Crime Tributário é a responsável por analisar a denúncia de Andrés e Gavioli, além de novos denunciados. Roberto, inclusive, foi afastado do cargo financeiro do Corinthians.

Posteriormente, Andrés foi denunciado pelo Ministério Público e informado de que não deveria entrar em contato com membros da atual diretoria. Entretanto, segundo depoimentos, o ex-presidente se encontrou com o atual secretário-geral do clube. Além disso, outras denúncias aconteceram, o que fez Andrés ter que ressarcir o Timão.

Dias depois, o MP-SP apontou o descumprimento de medida cautelar pelo ex-presidente. A manifestação, assinada pelo promotor Cássio Roberto Conserino, solicitou o endurecimento imediato das restrições impostas a Andrés Sanchez, incluindo monitoramento eletrônico por meio de tornozeleira e a entrega do passaporte espanhol.

Já em meados de fevereiro, a investigação apontou que Denilson Grillo, ex-motorista de Duilio, recebeu mais de R$ 1,2 milhão em espécie ao longo de três anos. Há suspeita do MP-SP de que empresas de fachada foram utilizadas para justificar os gastos e, assim, desviar o dinheiro do clube.

No início de março, a investigação ganhou um novo capítulo. O Ministério Público de São Paulo iniciou a apuração de uma movimentação suspeita de mais de R$ 3,4 milhões em dinheiro vivo nas contas do Corinthians durante as gestões dos ex-presidentes Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves. Os valores teriam sido entregues a um ex-funcionário do clube. A informação foi divulgada pelo ge.globo.

Segundo a reportagem, o ex-chefe de segurança do Corinthians, João Odair de Souza, conhecido como Caveira, recebeu mais de R$ 3,4 milhões em espécie entre março de 2018 e dezembro de 2023, sem a emissão de notas fiscais.

Paralelamente, Andrés, Duilio e Augusto são alvos de investigações internas do clube, que podem acarretar punições severas como suspensão e até a expulsão do Corinthians.

Veja mais em: Andrés Sanchez, Presidentes do Corinthians e Processos do Corinthians.

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