Auxiliar do Corinthians reconhece atuação abaixo e lamenta derrota para o Coritiba
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Por Victor Bhering, Beatriz Maineti e Rafael Jacobucci
Lucas Silvestre analisa fatores que influenciaram no resultado negativo em Itaquera
Jhony Inácio / Meu Timão
O Corinthians foi derrotado pelo Coritiba por 2 a 0 na noite desta quarta-feira, na Neo Química Arena, em confronto válido pela quinta rodada do Campeonato Brasileiro. Após a partida, o auxiliar técnico Lucas Silvestre, que comandou a equipe à beira do gramado enquanto Dorival Júnior cumpria suspensão, analisou os fatores que influenciaram no resultado negativo.
"Começamos bem e, nos primeiros dez a 15 minutos, conseguimos criar boas jogadas, mas faltou eficiência na conclusão. A bola circulava na entrada da área adversária, porém faltou contundência — um cruzamento, uma inversão ou um chute a gol. A partir desse momento, perdemos o controle do jogo", iniciou em entrevista coletiva.
Na sequência da análise, Silvestre apontou que o gol sofrido aos 37 minutos da primeira etapa, marcado por Jacy em jogada de escanteio, dificultou a reação corinthiana e destacou que a equipe não conseguiu aplicar em campo os fundamentos trabalhados durante a preparação para a partida.
"Sofremos um gol de bola parada, o que dificultou muito a nossa recuperação. A equipe não acelerou a circulação da bola como deveria, nem realizou os movimentos de infiltração necessários. Vocês acompanharam os treinamentos da semana e viram que trabalhamos justamente esses fundamentos: a aceleração do jogo, a movimentação constante e a infiltração", complementou.
O auxiliar também ressaltou que a falta de movimentação ofensiva facilitou a organização defensiva do adversário, que atuou de forma compacta durante boa parte do confronto. Segundo ele, as mudanças no segundo tempo buscaram justamente abrir mais o campo e gerar espaços.
"A falta de movimentação permite que o adversário, já compacto e fechado, mantenha sua organização, o que impede a criação de espaços e boas opções de jogada. No segundo tempo, buscamos abrir dois pontas, com o Vitinho e o Dieguinho, na tentativa de gerar desequilíbrio e alargar a linha defensiva do oponente. A verdade é que hoje nada funcionou, tanto no aspecto técnico quanto no tático", pontuou.
Silvestre ainda afirmou que o momento pede uma análise interna detalhada para compreender o que não funcionou dentro da partida. Para ele, apesar da preparação indicar um cenário mais favorável, o time não conseguiu executar o planejado diante de um adversário que explorou bem suas características.
"O momento agora é de voltarmos o olhar para nós mesmos, entender o que aconteceu e analisar a partida detalhadamente. A partir da forma como o jogo se desenrolou, precisamos identificar o que pode ser melhorado e evoluído", disse.
"A semana de preparação nos dava a convicção de que teríamos um cenário totalmente diferente, mas são partidas que exigem outra postura, ainda mais jogando em casa e contra um adversário cujas qualidades já conhecíamos. Sabíamos que eles se fechariam bem e apostariam na transição e na bola parada. Trabalhamos esses pontos durante a semana, mas, infelizmente, não conseguimos neutralizar as melhores jogadas deles", comentou.
O auxiliar também comentou a decisão de não realizar substituições no intervalo, explicando que a comissão técnica acreditava em uma mudança de postura do time após as orientações no vestiário alvinegro.
"Não fiz alterações no intervalo porque, primeiro, acreditei que a equipe mudaria sua postura e colocaria em prática o que havíamos trabalhado durante a semana. No vestiário, chamei a atenção deles, apontei os caminhos e indiquei onde estavam os espaços. Deixei claro que teríamos dez minutos para essa mudança de comportamento; caso contrário, eu faria as substituições necessárias. Infelizmente, sofremos o gol aos sete minutos do segundo tempo e, como não houve a reação esperada, executei as trocas conforme havia avisado", explicou.
Durante a etapa final, o Corinthians ainda teve direito a uma sexta substituição, permitida pelo protocolo de concussão após o zagueiro Jacy deixar o gramado. A mudança incluiu a entrada do lateral Fabrizio Angileri no lugar de Matheus Bidu e também marcou a estreia do meia marroquino Zakaria Labyad, que substituiu Memphis Depay.
“Na verdade, hoje foi um dia em que poderia ter feito até dez trocas, porque ninguém estava bem. Foi uma partida em que o grupo como um todo não rendeu. Naquele momento, sentimos que o Fabrizio poderia dar um volume maior de chegada pelo lado. Eu não estava satisfeito com o que estava vendo em campo”, afirmou.
Silvestre também detalhou que a possibilidade da sexta alteração ampliou as opções da comissão técnica no momento em que o time buscava alternativas para reagir no confronto.
“Obviamente, por termos a sexta opção de substituição, que inicialmente não seria o Bidu, o fato de o Coritiba ter feito uma troca por concussão acabou nos dando mais uma substituição. A gente imaginou algumas possibilidades, mas já não havia muitas opções ofensivas além do Zakaria, que já estava praticamente programado para entrar no lugar do Memphis”, esclareceu.
Mesmo com as mudanças, o Corinthians não conseguiu reagir no jogo e ficou com a derrota em Itaquera. Segundo o auxiliar, o segundo gol adversário, marcado aos 13 minutos por Lucas Ronier, acabou pesando psicologicamente para a equipe.
“Então fizemos a sexta alteração para tentar algo diferente naquele momento, já que o Bidu não vinha tendo sucesso, assim como os outros atletas também não estavam conseguindo render. Foi uma tentativa de gerar algo diferente naquele momento do jogo”, explicou.
"Para o segundo tempo, retornamos com uma postura diferente. Conversamos e ajustamos alguns pontos no intervalo, mas sofremos um gol logo na sequência, em uma cobrança de lateral. A forma como esse gol ocorreu pesou psicologicamente e, a partir daí, as coisas não fluíram. Cometemos muitos erros técnicos e não conseguimos imprimir a velocidade necessária ao jogo. O adversário também impôs muitas dificuldades e, com isso, acabamos ficando sem alternativas táticas dentro da partida."
Apesar da atuação abaixo do esperado, Lucas Silvestre fez questão de agradecer o apoio da torcida corinthiana, que permaneceu incentivando o time durante a partida.
"Também preciso agradecer ao nosso torcedor, que nos apoiou até o último minuto. Mesmo cientes de que não tivemos um bom dia, em nenhum momento houve vaias ou qualquer tipo de protesto. Fica, portanto, o meu agradecimento à torcida, que permaneceu ao lado da equipe até o apito final", disse.
Por fim, o auxiliar destacou que a equipe precisará apresentar uma postura diferente no próximo compromisso na temporada, o clássico contra o Santos, na Vila Belmiro.
"Contra o Santos, a postura será obrigatoriamente diferente, pois não há como apresentar um desempenho inferior ao de hoje. Tirando os 15 minutos iniciais, tivemos uma atuação muito abaixo do esperado. Não há margem para piorar. Diante disso, as cobranças ocorrerão, primeiramente aqui dentro, no ambiente interno, e depois na prática, dentro de campo. É fundamental que cada atleta analise seus próprios erros para chegarmos a um denominador comum e realizarmos as correções necessárias com urgência", finalizou.
Com o resultado, o Corinthians permaneceu com sete pontos e caiu para a oitava colocação na tabela do Brasileirão. A equipe alvinegra volta a campo no próximo domingo, dia 15, quando enfrenta o Santos, às 16h, na Vila Belmiro, pela sequência da competição nacional.
