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Presidente do CD do Corinthians explica suspensão de processo dos cartões corporativos

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Por Bruno Pantarotto, Fábio Marinho, Felipe Sales e Daniel Keppler

No último mês de fevereiro, o Conselho Deliberativo (CD) do Corinthians suspendeu os processos internos contra os ex-presidentes Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves envolvendo os casos de uso indevido do cartão corporativo do clube em suas gestões. Dias depois, as investigações foram retomadas.

O presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, Romeu Tuma Júnior, explicou os motivos que o levaram a paralisar temporariamente processos internos que apuram o uso indevido do cartão corporativo do clube em gestões anteriores, como as de Andrés Sanchez e Duílio Monteiro Alves.

O fato de eu ter paralisado foi porque a Comissão corria risco de ser acusada de fazer contato com pessoas que não poderia ter. Tanto é que, por conta de um telefonema, tem gente que vai responder denúncia do promotor Cássio Conserino. Não pode fazer contato", explicou Romeu ao Meu Timão.

"Vou dar um exemplo: eu suspendi o Andrés de participar dos conselhos. Ele me ligou reclamando que eu não poderia suspender, que quem deveria decidir era o plenário. Eu falei: ‘Então recorre, eu mando para o plenário’. Quando suspendi, deixei claro que era exceto para vir atender às audiências", acrescentou.

"Depois saiu uma decisão do Ministério Público dizendo que eu não tinha acesso ao processo. A comissão trouxe essa questão e pensamos: se chamarmos ele, podemos ser punidos. Então suspendi até ter acesso. Quando tive acesso ao processo da intervenção, fiquei sabendo, por exemplo, que o Duílio não tinha denúncia recebida. Também vi alguns termos da denúncia do Andrés e tive segurança para saber até onde a comissão pode ir", concluiu.

Mesmo com a proibição de manter contato com pessoas ligadas a diretoria do Corinthians, o Ministério Público de São Paulo investiga um possível descumprimento das medidas cautelares e solicitou o uso da tornozeleira eletrônica.

O presidente do CD também rebateu críticas de que teria protegido ou prejudicado determinadas figuras do clube ao conduzir processos disciplinares, como Andrés e Augusto Melo. O mandatário comentou sobre o andamento das investigações foram tomadas para evitar interferência no ambiente esportivo e garantir que a análise administrativa não se confundisse com apurações criminais.

No caso do Augusto, a oposição ficou seis meses dizendo que eu estava protegendo. Eu mandei parar o procedimento para não contaminar o ambiente enquanto o time estava na final da Sul-Americana. Aí disseram que eu estava protegendo. Quando marquei para andar, disseram que eu queria ferrar o Augusto", comentou.

"E nós nem nos baseamos pela questão da Vaidebet. Eu sempre falei: o caso na polícia não tem nada a ver com infração administrativa. Pode haver infração administrativa sem ser crime. Uma coisa não tem relação direta com a outra. Podem me acusar do que quiserem, menos de incoerência. O que está sob meu controle, eu sei o que estou fazendo”, alertou.

Ao atualizar a situação dos procedimentos envolvendo Duilio Monteiro Alves e Augusto Melo, Romeu Tuma afirmou que os processos seguem em análise nas comissões responsáveis e explicou os critérios utilizados para definir qual órgão conduz cada caso.

“Não sei exatamente como ambos os casos estão. Isso é tratado com a comissão. Sei que o Duílio foi ouvido segunda-feira, então o processo está andando na Comissão de Justiça. Outro questionamento é por que está na Comissão de Justiça. Porque ela tem condição de fazer diligência. Ao contrário da Ética, onde você precisa ter um fato determinado e uma implicação clara no Estatuto. Por exemplo, dizem que o Andrés pode ser julgado porque a imagem do clube foi prejudicada. Ele pode se defender dizendo que não foi ele quem vazou ou falou. Então é preciso ter cuidado e ter um fato bem determinado”, contou.

Ainda sobre as críticas ao ritmo das apurações internas, o presidente do Conselho afirmou que o órgão não interfere para retardar processos e que eventuais demoras estão relacionadas a prazos estatutários, respostas de envolvidos ou diligências necessárias.

"Quero mandar um recado muito claro para a torcida, para os influencers e para quem não gosta de mim, uma questão institucional: a presidência do Conselho não faz nada pra atrasar processo algum. Se alguém tiver dúvida, não fique xingando ou ameaçando, vem aqui que eu mostro. A gente cumpre o que está no Estatuto e o que está na lei", justificou.

"O que pode retardar o andamento de um processo em relação ao outro é o tempo de resposta das pessoas. Então, você precisa seguir o Estatuto, seguir as regras estatutárias do estatuto atual, seguir os prazos que nós temos e aguardar respostas. Tem processo que você oficia a diretoria e pede documento, demora mais ou demora menos. Esse é o problema que pode ser de um atraso. Tem processo que o relator do processo demora mais ou demora menos para agir. Esse pode ser o motivo de um atraso aqui e não atraso ali", complementou.

No último dia 2 de março, a Comissão de Ética e Disciplina do Corinthians avançou no procedimento que apura gastos do cartão corporativo na gestão Andrés Sanchez. O presidente do órgão, Leonardo Pantaleão, emitiu despacho detalhando o rito do processo após a comissão ter acesso às faturas integrais do cartão, documentos que não estavam anexados fisicamente ao relatório inicial da CJ. Os arquivos foram obtidos por meio do departamento de TI e incorporados aos autos do processo.

No documento, Pantaleão determinou que a defesa de Andrés explique 50 despesas realizadas entre 2018 e 2020, que somam mais de R$ 180 mil, apresentando possíveis comprovantes ou reembolsos. O despacho também garante ao ex-presidente o direito de prestar depoimento e apresentar provas ou testemunhas. Após a fase de instrução, a defesa terá cinco dias para manifestação final antes da elaboração do parecer que será enviado ao Conselho Deliberativo.

Invasão 31 de maio

Ao abordar a apuração sobre a invasão ocorrida em 31 de maio de 2025 no Parque São Jorge, quando apoiadores de Augusto Melo tentaram retomar à presidência do clube, Romeu afirmou que o caso segue sob responsabilidade da Comissão de Ética e que o Conselho Deliberativo só poderá se manifestar após a conclusão da análise do órgão.

“Está na Ética. Estão sendo processados, tanto os conselheiros quanto os sócios. A Comissão de Ética dos Sócios também não movimentou nada. Eu também não fico perguntando. Quando estiver pronto para julgamento, aí podem me cobrar. Tenho que receber ofício do presidente ou despacho do presidente da Comissão de Ética dos Sócios dizendo: ‘Presidente, esses caras foram expulsos e recorreram’, ou então da Comissão de Ética do Conselho informando que os processos estão prontos para julgamento. Aí eu marco a reunião. Eu só disse que não iria julgar antes de votar o Estatuto para não criar conflagração, que é tudo o que quem não quer votar o Estatuto deseja. Mas também não vai dar tempo, porque nenhum processo chegou pronto. Então vamos votar o Estatuto na segunda-feira e depois estaremos livres. É só mandar os processos prontos que eu marco a reunião do Conselho para votar tudo.”, explicou.

A Comissão de Ética do clube, vale lembrar, chegou a pedir o afastamento de 13 conselheiros envolvido nos atos daquele dia. Entre eles, estão o ex-presidente Augusto Melo, que seria destituído pelos associados meses depois. O mesmo chegou a depor no início de 2026 ao tratar sobre esse caso.

Por fim, o atual presidente do CD afirmou que a expectativa é concluir os processos internos ainda neste ano, antes que o ambiente político do clube seja intensificado pelas eleições presidenciais ao final do ano. Romeu destacou que a reforma estatutária também prevê mudanças na Comissão de Ética e prazos para julgamento de casos em andamento.

Os processos serão julgados de qualquer forma. A própria reforma do Estatuto prevê uma mudança no modelo da Comissão de Ética e estabelece que todos os processos em andamento devem ser julgados até maio, salvo engano. Isso já é mais um motivo para aprovar a reforma. Eu converso muito com o doutor Pantaleão. Não entramos no mérito dos processos, mas ele tem trabalhado para acelerar tudo. Como criminalista, é um cara que gosta de resultado rápido. Às vezes percebemos que alguns relatores acabam demorando um pouco mais, ficam rateando. A verdade é que muita gente tem medo e acaba se escondendo”, afirmou.

"O Corinthians vive constantemente nas manchetes e, sinceramente, nunca vi um clube dar tanta notícia ruim como o nosso. Por isso queremos encerrar esses assuntos rapidamente para, com a reforma estatutária aprovada, pensar em um futuro melhor e começar uma nova fase. Tenho certeza de que os sócios têm consciência da importância do novo Estatuto para a vida do Corinthians. É uma contribuição que não é para nós, mas para a instituição”, concluiu.

Na próxima segunda-feira, o Conselho Deliberativo (CD) do Corinthians se reunirá para avaliar a proposta de reforma do Estatuto do clube. O texto foi concluído no final de fevereiro pela comissão encarregada da elaboração.

O Conselho de Orientação (Cori) do clube encaminhou na última sexta-feira um ofício a Romeu Tuma Júnior informando que, após uma reunião conjunta com o Conselho Fiscal (CF), foi alcançado o entendimento unânime de que o anteprojeto de Reforma do Estatuto não apresenta condições de ser votado e aprovado em sua totalidade.

Veja mais em: Conselho do Corinthians, Presidentes do Corinthians e Diretoria do Corinthians.

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