Ministério Público solicita uso de tornozeleira eletrônica para Andrés Sanchez
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Por Bruno Pantarotto

Ministério Público protocola pedido de tornozeleira eletrônica para Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians
Daniel Augusto Jr. / Ag.Corinthians
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apontou o descumprimento de medida cautelar pelo ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez. A manifestação, assinada pelo promotor Cássio Roberto Conserino, solicita o endurecimento imediato das restrições impostas ao dirigente, incluindo monitoramento eletrônico por meio de tornozeleira e a entrega do passaporte espanhol.
O requerimento foi aberto para apurar possíveis violações à decisão da 2ª Vara de Crime Organizado, Lavagem de Dinheiro e Crimes Tributários. O objetivo era verificar se Andrés teria descumprido a ordem judicial que o proíbe de manter contato com dirigentes e testemunhas.
A informação foi publicada inicialmente pelo Blog do Macedo e confirmada pelo Meu Timão.
Após examinar as representações, o Ministério Público afastou parte das acusações, como a participação do ex-presidente em depoimento na Comissão de Justiça e Ética do clube e um encontro com conselheiro vitalício fora do Parque São Jorge. No entendimento técnico, tais situações não configuraram violação das cautelares.
O quadro, porém, muda em relação ao contato com o secretário-geral da diretoria, Antônio Jorge Rachid. Em depoimento, Rachid confirmou ter recebido ligação de Andrés em 30 de janeiro de 2026. Para o Ministério Público, a data é determinante, pois o ex-dirigente já havia sido formalmente informado da decisão que o impedia de se comunicar com integrantes da diretoria.
Segundo o promotor, o cargo de secretário-geral se enquadra no conceito legal de dirigente, com base no artigo 64 da Lei Geral do Esporte (Lei 14.597/23), por envolver funções efetivas de gestão e administração. Assim, trata-se de membro da diretoria com atribuições institucionais.
A conclusão do Ministério Público é de que houve descumprimento da decisão judicial. Embora não tenha solicitado, neste momento, a prisão preventiva, o promotor sinalizou que a infração pode resultar em medidas mais rigorosas. Com fundamento no artigo 282, §4º, e no artigo 319, IX, do Código de Processo Penal, foi requerido o uso de monitoramento eletrônico para reforçar o controle sobre o investigado.
Vale lembrar que o Ministério Público já havia solicitado esse monitoramento, além da proibição de Andrés deixar o país, no mesmo dia em que denunciaram o ex-presidente do Corinthians.
Além disso, o órgão também solicitou a entrega do passaporte espanhol de Andrés, após tomar conhecimento de sua dupla cidadania, a fim de evitar qualquer possibilidade de esvaziamento da decisão judicial. Por fim, solicitou acesso à bilhetagem telefônica do número atribuído ao ex-presidente no período de 30 de dezembro de 2025 a 25 de fevereiro de 2026, para apurar eventual contato com outros dirigentes durante a vigência da proibição.
O pedido será apensado aos autos principais, cabendo agora ao Judiciário decidir sobre a adoção do monitoramento eletrônico e das demais medidas solicitadas.
Relembre o caso
O Ministério Público abriu, em agosto de 2025, uma investigação sobre os gastos de Andrés Sanchez (no segundo mandato, de 2018 a 2020) e Duilio Monteiro Alves em seus respectivos mandatos no Corinthians. O caso se iniciou após denúncias do uso do cartão corporativo por parte de Andrés, que admitiu as despesas pessoais, e vir a público uma planilha de R$ 80 mil em 40 dias durante a gestão de Duilio. Pouco depois, Augusto Melo também entrou na mira do MP-SP.
Assim, o Ministério Público, que obteve quebra de sigilo, segue investigando o caso e até já ouviu os principais nomes ligados ao Corinthians. Osmar Stabile e Romeu Tuma Júnior, respectivamente presidente do clube e do Conselho Deliberativo, já participaram das oitivas (ambos na condição de testemunha), assim como o ex-gerente financeiro Roberto Gavioli e o próprio Andrés Sanchez, além de Duilio. O Ministério Público também solicitou uma série de documentos ao clube e aos Conselhos Deliberativo e de Orientação.
O MP-SP solicitou o afastamento temporário dos três últimos presidentes de todos os colegiados do clube até o fim da investigação. Augusto Melo, vale lembrar, não tem mais poderes políticos devido ao impeachment, enquanto os outros dois nomes integram o Conselho de Orientação (Cori) do Corinthians.
A 2ª Vara de Crime Organizado, Lavagem de Dinheiro e Crime Tributário é a responsável por analisar a denúncia de Andrés e Gavioli, além de novos denunciados. Roberto, inclusive, foi afastado do cargo financeiro do Corinthians.
Posteriormente, Andrés foi denunciado pelo Ministério Público e informado de que não deveria entrar em contato com membros da atual diretoria. Entretanto, segundo depoimentos, o ex-presidente se encontrou com o atual secretário-geral do clube. Além disso, outras denúncias aconteceram, o que fez Andrés ter que ressarcir o Timão.