Goleiro do Corinthians exalta preparação para pênaltis e força da Fiel na classificação
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Por Felipe Sales, Rafael Jacobucci e Victor Gomes
Hugo Souza fecha o gol e salva o Corinthians
Agência Corinthians
Na noite do último domingo, o Corinthians venceu a Portuguesa por 8 a 7 na disputa de pênaltis e garantiu vaga nas semifinais do Campeonato Paulista. O goleiro Hugo Souza foi um dos grandes nomes da classificação ao defender três cobranças, sendo uma ainda no tempo regulamentar.
Apesar da dificuldade do confronto, o arqueiro de 27 anos destacou que vitórias sofridas fazem parte da história do Timão ao longo de seus mais de 115 anos e ressaltou a importância do apoio da torcida nos minutos finais da partida.
“A gente nunca quer que seja dessa forma. É sempre melhor ganhar por 2 ou 3 a 0, com tranquilidade. Mas este clube é conhecido por raça e vontade até o final, e precisamos demonstrar isso quando necessário. Hoje não foi diferente. Quando o juiz levantou a placa de acréscimo, parecia que a torcida triplicou o volume. Isso assusta o adversário e nos dá motivação. Buscamos até o fim e, graças a Deus, conseguimos um golaço do Vitinho e a classificação nos pênaltis. Não queríamos que fosse assim, mas estávamos preparados, treinamos bem. Se for para ser sofrido, temos que ganhar do mesmo jeito. Claro que espero jogos mais tranquilos, mas, se for dessa forma, estamos prontos”, afirmou em entrevista na zona mista.
Durante o tempo regulamentar, a Portuguesa abriu o placar ainda no primeiro tempo, com Zé Vitor. Pouco depois, Renê desperdiçou um pênalti ao parar em defesa de Hugo Souza. Na etapa final, precisando do resultado, o Corinthians passou a pressionar o adversário e, de tanto insistir, chegou ao empate já nos minutos finais. Vitinho aproveitou cruzamento de Matheuzinho, tirou Zé Vitor da jogada com o domínio e acertou uma pancada sem chances de defesa para Bruno Bertinato.
Em outro momento da entrevista, o goleiro elogiou a postura da Portuguesa ao longo da competição e analisou a dificuldade encontrada durante o duelo, além de celebrar o protagonismo na disputa de pênaltis.
“Primeiramente, agradecer a Deus por, mais uma vez, conseguir ajudar a equipe e conquistarmos uma classificação importante. Foi um jogo muito difícil. Parabenizo a equipe da Portuguesa pelo trabalho que fez em todo esse Campeonato Paulista. É uma equipe jovem, muito qualificada. Parabéns por tudo o que eles fizeram, porque geraram muita dificuldade para a gente. Conseguimos empatar no finalzinho. Achei que eles também foram muito bem nas cobranças; estudamos, mas houve mudanças ali, e isso gera muita dificuldade. Fico feliz de poder, graças a Deus, ajudar a equipe e conquistar mais uma classificação. Sempre falo que não quero o holofote para mim, mas que, no dia em que ele vier, como hoje, seja para ajudar o Corinthians. Estou muito feliz que tenha sido dessa forma”, contou.
A disputa de pênaltis foi até as alternadas, chegando à nona série. O cenário, aliado às cinco substituições realizadas por ambas as equipes, levou à marca da cal jogadores que não costumam ser os cobradores habituais. Pelo lado do Corinthians, Rodrigo Garro desperdiçou a primeira cobrança, mas Vitinho, Matheuzinho, Gustavo Henrique, Pedro Raul, André Ramalho, Kayke, André Luiz e Allan converteram. Pela Portuguesa, Renê e Cauari desperdiçaram.
O camisa 1 ainda destacou a importância do trabalho realizado pelo preparador de goleiros Marcelo Carpes e pelo auxiliar Luizão, tanto no dia a dia quanto na análise dos cobradores adversários, ressaltando que, em alguns momentos, o instinto também faz a diferença.
“A gente estuda muito. O Galo, que é o Marcelo, junto com o Luizão, trabalha bastante essa parte de análise dos adversários. É algo importante manter essa média. Eu sei que é algo legal que a gente vem fazendo. Defender pênalti te credencia, agrega qualidade à sua análise pessoal. Trabalhamos muito para manter isso, porque, se eu parar de pegar pênalti, daqui a pouco todo mundo esquece. Então tenho que trabalhar o máximo possível para continuar defendendo. Não vou pegar todos, é claro. Hoje foram dez cobranças e eu peguei três”, iniciou.
“Claro que quero pegar todas, as dez, mas é difícil, quase impossível. Ainda assim, trabalhamos muito para ter resultados como o de hoje. Tenho que agradecer muito pelo trabalho que eles fazem, deixam tudo destrinchado para mim em questão de estudo. Muitas vezes vou pelo estudo, outras pelo meu feeling, e isso, graças a Deus, tem trazido resultados importantes para nós. Sou muito grato pelo trabalho que eles realizam”, completou.
Marcelo Carpes chegou ao Corinthians em 2019, a pedido do então técnico Tiago Nunes. Antes disso, trabalhava no Querétaro, do México, e acumula passagens por clubes como Juventude, Internacional e Chapecoense, além da Seleção Brasileira, entre outros clubes.
Durante o confronto, o Canindé viveu um duelo particular entre Hugo Souza e Renê. O goleiro explicou que a defesa no tempo normal influenciou a segunda cobrança do atacante.
“Quando você já pega o primeiro pênalti durante o jogo e depois reencontra o mesmo jogador na disputa, a pressão acaba ficando um pouco mais para ele. Tentei me manter lúcido e frio para tomar a melhor decisão e fazer a defesa. Isso não tira a qualidade dele, é um jogador jovem que demonstrou muito durante o campeonato. Fui feliz nas escolhas e consegui ajudar a equipe”, comentou.
Com as intervenções deste domingo, Hugo Souza chegou a 14 pênaltis defendidos pelo Corinthians e se isolou como o terceiro maior pegador de pênaltis da história do clube, atrás apenas de Ronaldo Giovaneli e Cássio. O camisa 1 revelou que buscará alcançar a dupla, apesar da dificuldade.
“É difícil chegar neles, mas vamos tentar. Os números são grandes. O Cássio, se não me engano, tem 32, e o Ronaldo Giovaneli, 27. Eu tenho 14. É praticamente o dobro. Mas eles também têm muitos jogos. Como falei, não quero ser protagonista, mas, se todas as vezes que eu for protagonista o Corinthians for beneficiado, para mim já vale a pena”, afirmou.
Antes de encerrar, o goleiro exaltou a festa das torcidas em um estádio dividido de maneira igualitária e agradeceu o apoio da Fiel, lembrando também da vitória recente sobre o Athletico-PR.
“É legal dar espaço para as duas torcidas. A festa fica incrível. A nossa torcida é fora de série. A torcida da Portuguesa também fez uma festa bonita hoje. Quem ganha com isso é o futebol. No jogo contra o Athletico-PR, por exemplo, só havia idosos, mulheres e crianças, e tanto a nossa torcida quanto a deles fizeram uma festa incrível. Isso também precisa ser parabenizado, porque deixa o espetáculo mais bonito. Claro, sempre com muita segurança, que é o mais importante”, finalizou.
Ao todo, cerca de 7.500 torcedores do Timão estiveram presentes no Canindé. Enquanto isso, no Paraná, com a restrição de público por punição imposta ao Athletico, apenas mulheres, crianças, pessoas com deficiência e idosos puderam acompanhar a partida na Arena da Baixada.
Hugo Souza volta a campo na noite desta quarta-feira, quando o Corinthians enfrenta o Cruzeiro, às 20h, no Mineirão, pela quarta rodada do Campeonato Brasileiro. Já no próximo sábado, às 20h30, o Timão encara o Novorizontino, no Estádio Doutor Jorge Ismael de Biasi, em busca de uma vaga na final do Estadual, contra Palmeiras ou São Paulo.
