MP avalia busca e apreensão no Corinthians e cobra imagens de sala do presidente
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Por Bruno Pantarotto

Parque São Jorge, a sede social do Corinthians
Maria Beatriz de Teves / Meu Timão
O promotor Cássio Conserino, do Ministério Público de São Paulo, afirmou que pode solicitar uma ação de busca e apreensão no Parque São Jorge para ter acesso às imagens das câmeras de segurança do quinto andar da sede do clube, incluindo a sala da presidência do Corinthians. A informação foi publicada pelo portal ge.globo e confirmada pelo Meu Timão.
A medida é cogitada no contexto de uma investigação que apura um possível contato do ex-presidente Andrés Sanchez com dirigentes, o que poderia descumprir uma determinação cautelar da Justiça.
Paralelamente, o presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, decidiu interromper de forma temporária as investigações internas que apuram possíveis irregularidades no uso do cartão corporativo por Andrés, Duílio Monteiro Alves e Augusto Melo. A justificativa foi de que a continuidade dos trabalhos poderia resultar no descumprimento de determinações judiciais.
No despacho, Conserino afirmou que a suspensão dos procedimentos administrativos “prejudica a própria entidade desportiva” e criticou o argumento de que a proibição de contato inviabilizaria o funcionamento das comissões internas, classificando a justificativa como algo que “beira o absurdo”. Para o promotor, a paralisação representa, de forma direta, o descumprimento de normas administrativas e, de maneira indireta, um questionamento a uma decisão judicial.
Além disso, Tuma demonstrou insatisfação com o presidente Osmar Stabile, já que a diretoria não comunicou ao Conselho sobre as restrições impostas a Andrés no âmbito das investigações criminais conduzidas pelo Ministério Público.
O presidente do Conselho foi pego de surpresa ao receber a notificação de um despacho do promotor, datado de 4 de fevereiro, que requisitava imagens das câmeras de segurança do quinto andar no dia em que a Comissão de Justiça ouviu Andrés. O depoimento, no entanto, ocorreu em 1º de dezembro de 2025, no terceiro andar, onde ficam as salas utilizadas pelo Conselho.
O despacho do promotor também aponta falhas na resposta enviada pelo Corinthians ao Ministério Público. Segundo o documento, o clube informou equivocadamente o mesmo CPF e RG para o conselheiro André Luiz de Oliveira, o "André Negão" e para o secretário-geral Antônio Jorge Rachid Júnior, o que motivou a solicitação de correção. Além disso, Conserino requisitou esclarecimentos sobre o status de André Negão, questionando se ele é conselheiro vitalício e qual seria sua eventual influência política dentro da estrutura do Corinthians.
No mesmo despacho, o promotor determinou a oitiva por videoconferência de André e de Antônio Jorge Rachid Júnior. Os depoimentos foram agendados para o dia 24 de fevereiro de 2026, às 13h30 e 14h, respectivamente.
A investigação também passou a considerar um novo episódio fora das dependências do clube. De acordo com o documento, o Ministério Público recebeu a informação de que Andrés Sanchez teria sido visto no dia 16 de janeiro de 2026 no restaurante El Tranvia, na região da Vila Olímpia, em São Paulo, almoçando com André Negão e outro indivíduo não identificado. Para apurar o caso, Conserino requisitou imagens das câmeras de segurança internas e externas do estabelecimento, com o objetivo de confirmar se houve descumprimento das medidas cautelares.
Desde 11 de dezembro de 2025, o ex-presidente está impedido de manter contato com testemunhas e dirigentes do Corinthians, por decisão judicial, como medida cautelar em uma das denúncias criminais do Ministério Público, que apura suposto uso irregular do cartão corporativo do clube entre 2018 e 2020. Após ser notificado por Conserino, Romeu Tuma decidiu suspender os processos.
Pedido de imagens da sala de Osmar Stabile
Na noite da última segunda-feira, o promotor do Ministério Público expediu um novo despacho, reiterando a cobrança pelo envio das imagens do sistema interno de monitoramento do Parque São Jorge. No documento, ele afirmou que a suspensão dos procedimentos administrativos determinada por Romeu Tuma “prejudica a própria entidade desportiva, que demonstra não conseguir cumprir minimamente as determinações administrativas e a aplicação de sanções”.
No documento ao qual o Meu Timão teve acesso, o promotor registra que o Corinthians informou que as imagens do sistema interno de videomonitoramento do quinto andar são armazenadas por um período máximo de 30 dias. Diante disso, Conserino destacou que os registros de segurança são dados pessoais sensíveis e, ao mesmo tempo, elementos probatórios relevantes, que devem seguir regras de governança, rastreabilidade e cadeia de custódia.
Para Conserino, o argumento de que a proibição de contato de Andrés com dirigentes do clube inviabilizaria o trabalho das comissões de investigação “beira o absurdo” e representa, de forma direta, o descumprimento de normas administrativas e, de maneira indireta, um questionamento a uma decisão judicial.
O promotor destacou ainda que, em 1º de dezembro, data em que Andrés prestou depoimento, as medidas cautelares ainda não estavam em vigor, já que só passaram a valer no dia 11 daquele mês. Nesse segundo despacho, Conserino voltou a solicitar o envio de imagens referentes aos dias 11, 12 e 13 de dezembro de 2025, período em que já existia decisão judicial proibindo o ex-presidente de ingressar nas dependências do clube e de manter contato com dirigentes do clube.
De acordo com o promotor, há uma denúncia de que, em uma dessas datas, Andrés teria estado no Parque São Jorge, especificamente nas áreas ligadas à presidência.
Por isso, ele requisitou as gravações da recepção da presidência e da sala de Stabile, no quinto andar, estabelecendo o prazo de 72 horas para o envio, sob pena de busca e apreensão e requisição de apoio policial.
Por fim, o promotor registrou que a resposta encaminhada pelo Corinthians a uma das requisições anteriores não atendeu plenamente às determinações do Ministério Público. Segundo Conserino, o órgão ainda avaliará se insistirá formalmente na diligência, aguardando o prazo final para o envio das informações solicitadas.