x

Goleiro do Corinthians deixa idolatria nas mãos da torcida e reforça papel de liderança

900 visualizações 13 comentários Reportar erro

Por Felipe Sales, Beatriz Maineti e Matheus Pogiolli

O goleiro Hugo Souza está perto de completar 100 jogos pelo Corinthians. Desde que chegou ao clube, em julho de 2024, o arqueiro caiu nas graças da Fiel, tanto pelos títulos conquistados quanto pelas defesas decisivas, especialmente em cobranças de pênaltis.

Em entrevista exclusiva ao Meu Timão, o camisa 1 comentou que, apesar do carinho da torcida, não se coloca como integrante do panteão de ídolos do clube. Para Hugo, esse é um sentimento pessoal e cabe somente aos torcedores decidir quem merece ser idolatrado.

“Bom, na verdade, eu acho que esse é um sentimento muito mais da torcida do que nosso. O sentimento que tenho é de que acho que estou na história do clube e isso acho que ninguém pode apagar. Mas a questão do ídolo é um sentimento muito da torcida. Uns podem dizer que sim, outros podem dizer que não. A minha opinião, sincero, eu ainda acho que falta um pouco mais de arroz e feijão (para se tornar ídolo). Mas pode dizer que estou no caminho certo. E cheguei aqui, isso era um objetivo meu, não me tornar ídolo, mas de fazer história, e se eu pudesse me tornar ídolo, melhor ainda. E aí acho que se hoje as pessoas podem olhar para mim e falar: ‘Não, eu considero ele isso, ou falta um pouco’, mas só de ter esse questionamento para mim já é muito válido”, iniciou.

“Quando cheguei ao Corinthians há um ano e meio, eu estava numa situação totalmente diferente da minha vida, da minha carreira. E hoje viver tudo que eu estou vivendo com essa camisa dentro desse clube. Eu já agradeci a Deus tantas vezes, todos os dias eu agradeço. Agradeço às pessoas que me ajudaram a chegar até aqui. A torcida que me abraçou, o clube que me abraçou. Eu sempre não tenho vergonha de falar: o Corinthians me deu de volta a felicidade de jogar futebol. E eu acho que isso é uma coisa que eu levo todos os dias para o campo, seja no treino, seja no jogo, porque é a forma que eu me sinto. Mas eu acho que ser ídolo ou não é um sentimento total da torcida. Mas eu acho que ainda falta um pouquinho de arroz e feijão (para se tornar ídolo do clube)”, completou.

Hugo Souza foi contratado pelo Corinthians em julho de 2024, após passagem pelo Chaves, de Portugal, inicialmente por empréstimo junto ao Flamengo. A sequência de boas atuações fez com que o clube exercesse a compra em definitivo por 800 mil dólares (R$ 4,9 milhões na cotação da época), ainda em novembro daquele ano. Até o momento, o goleiro soma 98 partidas pelo Timão, com 48 vitórias, 26 empates e 24 derrotas, além dos títulos do Campeonato Paulista, da Copa do Brasil e da Supercopa, bem como dez pênaltis defendidos.

Em outro momento da entrevista, o goleiro foi questionado sobre ser considerado um dos líderes do elenco. Hugo explicou que, além do apoio da torcida, o respeito das pessoas dentro do clube também é fundamental para que ele se sinta confortável nesse papel.

“Eu acho que esse sentimento é inexplicável, porque, como eu falei, o fazer história está ligado a muita coisa. Fazer história num clube é a forma como você se identifica com a torcida. A forma como as pessoas te olham, o jeito que você joga, o jeito que você treina, o jeito que as pessoas dentro do clube te enxergam, o jeito que a torcida te enxerga. E depende de tudo isso para você fazer história. Eu acho que em cada detalhe desse eu tenho conseguido de alguma forma agradar um pouco deles, sabe? É óbvio que a gente não agrada todo mundo, acho que nem Jesus Cristo fez isso, mas tem pontos importantes para você fazer história no clube. E eu acho que nesses pontos eu tenho me saído bem. E eu fico muito feliz por isso: de hoje pegar meu telefone e ter uma mensagem do torcedor feliz; e ter uma mensagem da minha família, principalmente, também feliz; de ser olhado com um olhar diferente pelas pessoas”, contou.

Antes da chegada de Dorival Júnior, inclusive, Hugo Souza era o capitão do Corinthians. Com a vinda do treinador, no entanto, a comissão técnica passou a optar por um jogador de linha para usar a braçadeira. Segundo Dorival, com a mudança da regra que determina que apenas o capitão dialogue de forma contínua com a arbitragem durante as partidas, não fazia sentido manter um goleiro como capitão, embora isso não diminua a importância da liderança de Hugo no elenco.

Mudança de mentalidade

Atualmente, o goleiro do Corinthians, Hugo Souza, é embaixador de um projeto chamado Escola de Atletas, que tem como foco o treinamento de mentalidade e alta performance para jovens de 10 a 18 anos. O camisa 1 relembrou que precisou de um amparo semelhante no início da carreira, após erros cometidos no Flamengo, e hoje vê na iniciativa a oportunidade de auxiliar atletas de diferentes modalidades.

“A decisão de fundar a escola de atletas no caso, que é como a gente chama. E a gente fala em escola de atletas porque é algo voltado ao atleta, não só do futebol, mas de qualquer outro âmbito. E é porque um dia na minha vida eu passei por umas situações onde eu estava no Flamengo, fui para Portugal, e onde o contexto da minha vida é só o daqui para cá, assim. E eu tive que dar três passos para trás para poder voltar a jogar futebol, para poder recuperar minha carreira. Só que hoje estar no Corinthians, conquistando tudo isso, da forma que tem sido, Seleção Brasileira. As pessoas olharem, respeitarem. Não foi fácil chegar até aqui. E teve um momento na minha vida que eu achei que isso tudo que eu estou vivendo seria impossível viver. E nesse momento eu entendi que eu precisava de ajuda”, explicou.

“A minha cabeça estava pifando, porque eu não estava conseguindo entender a realidade que eu estava vivendo. Se eu vivia aqui, vim para cá. A cabeça estava pifando. Foi a hora em que eu procurei ajuda. Isso tudo mudou a minha vida. A forma com que eu enxergo as coisas hoje. A mentalidade que eu criei. A caixa que eu criei. O jeito que enxergo a minha carreira, o jeito que enxergo a minha vida, o jeito que olho para o clube em que estou. Tudo isso ajudou a transformar tudo o que eu vivi no que eu estou vivendo hoje. E tudo isso através de métodos criados, métodos seguidos, métodos trabalhados que resultaram em tudo que estão resultando hoje”, completou.

O projeto tem como objetivo desenvolver inteligência emocional e comportamento profissional, utilizando o goleiro como referência de preparação mental no esporte. Antes de se transferir para o Chaves, de Portugal, Hugo cometeu uma série de falhas no time profissional do Flamengo, o que gerou críticas e vaias da torcida carioca, inclusive durante as partidas. A recuperação veio no futebol português, antes da fase consolidada no Corinthians.

Para além da própria experiência, Hugo Souza afirmou que sempre gostou de ajudar pessoas e enxergou no projeto a oportunidade de compartilhar os aprendizados que transformaram o rumo de sua carreira, mesmo em um momento em que era desacreditado por muitos.

“E eu sou um cara que eu gosto muito de ajudar as pessoas. Eu gosto de fazer com que tudo que vem sobre mim de bom respingue em alguém. E por isso foi a ideia de abrir a Escola de Atletas para usar todo esse método que me ajudou a transformar minha mentalidade, fazer com que eu saísse de um atleta totalmente desconfiado, sem confiança em mim, desacreditado, onde as pessoas não respeitavam, todo mundo olhava e falava assim: ‘Ah, esse aí vai ser só mais um’. E porque eu dava motivo para isso. E eu precisei transformar minha mente para que eu pudesse transformar minha vida e minha carreira. E a escola foi isso, é isso, tem sido isso. Quanto mais jovens as pessoas entenderem que isso faz a diferença, melhor para elas. E acho que eu estou aqui para ajudar dessa forma, por isso tivemos a ideia do projeto. Para que todos os métodos que fizeram ter os resultados que eu tenho hoje e que eu quero continuar tendo possam ajudar outras pessoas também”, finalizou.

A Escola de Atletas também conta com Alexandre Elias, atleta de vôlei, Bruno Barros, do futevôlei, e João HanBike, atleta paralímpico do ciclismo. O serviço é oferecido por meio de um aplicativo e se baseia em direcionamento real, com acompanhamento individualizado. Cada atleta conta com um mentor que entende o jogo, reconhece as fases da carreira, identifica bloqueios e entrega um plano de ação alinhado à realidade de cada um. A proposta é oferecer diagnóstico, orientação constante e suporte de quem já viveu o processo, reforçando que ir mais longe exige mais do que treino: exige clareza, ajuste e direção profissional.

Veja mais em: Hugo Souza, Torcida do Corinthians e Ídolos do Corinthians.

Veja Mais:

  • Corinthians inicia semana sob expectativa de proposta milionária por André Luiz

    Corinthians inicia semana sob expectativa de proposta milionária por André Luiz

    ver detalhes
  • Corinthians sofre novo transfer ban após atraso em pagamento à CNRD

    Corinthians sofre novo transfer ban após atraso em pagamento à CNRD

    ver detalhes
  • Volante do Corinthians passa por exames após susto e não tem fratura constatada

    Volante do Corinthians passa por exames após susto e não tem fratura constatada

    ver detalhes
  • Com grande atuação de Luizinho, Corinthians goleia a Ponte Preta a assume a liderança do Paulista Sub-20

    Corinthians goleia a Ponte Preta e assume a liderança do grupo no Paulista Sub-20

    ver detalhes
  • O Corinthians encerrou mais uma semana de treinos no CT

    Corinthians faz treino coletivo visando retorno do Brasileirão

    ver detalhes
  • Jhonson marcou o gol da vitória das Brabas sobre a Ferroviária

    Corinthians vence a Ferroviária em casa e encosta na liderança do Paulistão Feminino

    ver detalhes

Últimas notícias do Corinthians

Comente a notícia: