Lucas Piccinato avalia vice do Corinthians na Supercopa e lamenta finais recentes
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Por Bruno Pantarotto, Alexandre Gimenes e Felipe Sales
Lucas Piccinato perdeu sua quinta final sob o comando do Corinthians
Rodrigo Gazzanel / Ag.Corinthians
O Corinthians ficou com o vice da Supercopa do Brasil Feminina ao ser derrotado pelo Palmeiras, na Arena Barueri, na disputa de pênaltis após o empate por 1 a 1 no tempo regulamentar.
Após mais uma decisão perdida na temporada, o técnico Lucas Piccinato reconheceu o peso do resultado, mas fez questão de contextualizar o desempenho da equipe nos primeiros jogos do ano. O técnico ressaltou que apesar do sentimento de frustração, o Corinthians mostrou um nível competitivo e criou chances suficientes para sair com o título.
"É um resultado dolorido. Acho que esses três jogos iniciais da temporada, o nível de desempenho, na minha opinião, foi de mediano para cima, hoje criamos muitas oportunidades. Infelizmente são dois vice-campeonatos. Óbvio que pesa, que incomoda, mas, de novo, depende da gente mudar essa situação. Trabalhar, entender que o Campeonato Brasileiro será o mais difícil de todos os tempos. Mudar a chavinha para fazer diferente lá na frente", iniciou na zona mista após a partida.
Piccinato também comentou o desequilíbrio no calendário entre as equipes, destacando a diferença no tempo de preparação e do mando de campo. Embora tenha evitado usar o tema como justificativa, o treinador avaliou que a logística e as decisões da organização impactaram diretamente o trabalho do Corinthians.
“Acho que dificulta. Isso não pode ser usado como desculpa, mas tivemos uma semana conturbada. Chegamos na terça-feira, nos reapresentamos na quinta e fizemos apenas dois trabalhos. Não sei por que o jogo não foi colocado no domingo, o que nos daria um dia a mais, nem por que não foi em campo neutro, como acontece no masculino", explicou.
"Tudo isso não é desculpa, mas mostra que as coisas poderiam ser melhores. Poderíamos ter um bom público em Manaus ou Aracaju, com as duas torcidas. A CBF não quis e nos forçou a jogar um dia antes, o que nos tirou um dia de trabalho”, acrescentou.
Questionado sobre o placar e o desfecho da final, o comandante alvinegro analisou o jogo de forma detalhada, apontando as chances criadas pelos dois lados e lamentando a falta de eficiência nos momentos decisivos, especialmente nas penalidades.
“Em relação às chances claras, tivemos boas oportunidades: a Jaque finalizou e a Tapia defendeu, a Zanotti acertou a trave de cabeça, a Teles perdeu embaixo da trave e a Duda teve uma finalização frontal. O Palmeiras também criou, com chances da Brena e da Zaneratto", ressaltou.
"No geral, acho que tivemos um pouco mais. Fica a sensação de que, se tivéssemos feito o 2 a 0 ou o 2 a 1 no início do segundo tempo, a história poderia ter sido diferente. Faltou eficiência, levamos a decisão para os pênaltis e também não fomos bem, erramos três cobranças. Um jogo assim cobra caro, e fica o sentimento amargo de não ter conseguido o título”, desabafou.
O treinador ainda fez um balanço do começo de temporada, reconhecendo que os dois vice-campeonatos incomodam, mas ressaltando que o desempenho apresentado mostra potencial para uma reação ao longo do ano.
“O copo meio vazio são os dois vice-campeonatos, o que incomoda e deixa todo mundo insatisfeito. Em termos de desempenho, tivemos oportunidades de sermos campeões mundiais e da Supercopa, mas faltou eficiência. Isso nos obriga a trabalhar e nos cobrar mais para buscar um ano de renascimento, como foi a temporada passada. É triste chegar a menos de 10 de fevereiro sem concretizar o que foi planejado, mas só com trabalho podemos sair dessa situação. O Brasileiro está começando agora, e vamos reconstruir nossa caminhada para voltar a disputar uma Supercopa e um Mundial em 2027”, contou Lucas.
Pensando na sequência da temporada, Piccinato destacou que o caminho para evoluir passa por confiança, continuidade e trabalho diário, reforçando a necessidade de transformar volume de jogo em gols.
"Continuar dando sequência e força para as jogadoras, trabalho e confiança. Quando você está num nível de confiança bom você aproveita as oportunidades que você teve. Chutar no alvo, acho que é algo que cobramos muito. Nós perdemos algumas finalizações hoje por chutar fora do alvo, se a gente acerta o alvo, a gente cobra da goleira de ter um grande dia. Então é continuar trabalhando, continuar qualificando no dia a dia e acreditar. Tenho certeza que a gente vai dar a volta por cima novamente", detalhou.
Por fim, o técnico demonstrou entusiasmo com a chance de o time feminino atuar mais vezes na Neo Química Arena, ressaltando o histórico positivo da equipe no estádio e o impacto que o local pode ter em decisões importantes.
"Fico muito feliz. A Neo Química é um lugar onde nós temos muito sucesso. Com certeza se essa final fosse na Neo Química, por exemplo, a história seria outra. Então, fico muito feliz de jogar mais jogos lá, espero que isso se concretize", concluiu.
O Corinthians volta a campo na sexta-feira, 13 de fevereiro, quando enfrenta o Atlético-MG fora de casa. A partida acontece às 21h, na Arena MRV, e marca a estreia das Brabas no Brasileirão Feminino de 2026.
