Comissão de Justiça do Corinthians mantém apuração sobre Duilio e adia oitiva do ex-presidente
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Por Felipe Sales
Duilio é esperado pela Comissão de Justiça do Corinthians na próxima segunda-feira
Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Depois de encaminhar para a Comissão de Ética e Disciplina (CE) a conclusão das apurações sobre o uso do cartão corporativo do Corinthians por Andrés Sanchez em seu último mandato como presidente (2018–2020), a Comissão de Justiça (CJ) do Conselho Deliberativo (CD) do clube avançou nas investigações envolvendo o ex-presidente Duilio Monteiro Alves sobre o mesmo tema.
A informação é do Meu Timão. Como apurou a reportagem, Duilio era aguardado para uma oitiva na noite da última segunda-feira, mas, por questões internas da própria CJ, a participação foi adiada para a próxima semana. Além do ex-presidente, outros funcionários do departamento financeiro já foram ou ainda serão ouvidos pela Comissão. Um deles é Wesley Melo, ex-diretor financeiro, que esteve recentemente no Parque São Jorge para prestar esclarecimentos presenciais sobre o funcionamento e a utilização do cartão corporativo durante o seu mandato.
Ao final da análise, o órgão encaminhará um parecer para a Comissão de Ética, presidida por Leonardo Pantaleão, vice-presidente do Conselho Deliberativo e ex-diretor jurídico do clube na gestão de Augusto Melo. Caberá à CE definir eventual punição, que pode variar entre afastamento, suspensão ou até expulsão do quadro associativo.
Por ter sido presidente do Corinthians, Duilio ocupa o cargo de conselheiro vitalício e também integra o Conselho de Orientação (Cori) do CD. Desde a denúncia do Ministério Público, porém, ele está afastado do clube.
Em outubro de 2025, Duilio Monteiro Alves foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por apropriação indébita, em razão do uso do cartão corporativo do clube para despesas pessoais. A investigação envolve gastos realizados entre 2021 e 2023, período em que ele presidiu o Corinthians.
De acordo com a denúncia apresentada pelo promotor Cassio Roberto Conserino, o ex-mandatário teria utilizado o cartão do clube para despesas sem vínculo com a função institucional, como restaurantes, cabeleireiro, compras em duty free, cigarros, bebidas alcoólicas, diárias em hotéis de luxo e aquisição de vinhos. A promotoria destaca que a presidência do Timão não é um cargo remunerado, o que reforçaria a irregularidade das despesas.
Além de Duilio, Roberto Gavioli, ex-gerente financeiro do clube — que já responde por outra acusação relacionada ao período de Andrés Sanchez — também foi denunciado, neste caso, por omissão. Segundo o MP-SP, ele não teria impedido o uso do cartão corporativo para fins pessoais, o que teria sido determinante para os supostos desvios.
Como revelou o Meu Timão, o ponto central da apuração surgiu em julho, quando registros entre 26 de setembro e 31 de outubro de 2023 indicaram gastos superiores a R$ 80 mil fora do padrão institucional. Em depoimento prestado à promotoria, em novembro, Duilio admitiu apenas R$ 1.300 em despesas pessoais, segundo consta na denúncia.
Ainda de acordo com o MP-SP, o prejuízo apontado aos cofres do clube é de R$ 41.822,62, valor que pode ser acrescido de juros e correção monetária, além de uma indenização estimada em R$ 31.366,96. A denúncia também levanta a possibilidade de sonegação fiscal, sob o argumento de que os valores gastos configurariam acréscimo patrimonial não declarado à Receita Federal. Para a promotoria, o uso do cartão corporativo nessas condições caracteriza uma forma indireta de remuneração.
Paralelamente a esse processo, a Comissão de Justiça também deverá analisar os gastos do ex-presidente Augusto Melo, além de pontos levantados por uma auditoria interna que identificou possível desvio de materiais esportivos da Nike. Esse último tema, inclusive, já motivou oitivas com funcionários dos departamentos responsáveis, além de ouvir o segundo vice-presidente Armando Mendonça.
Para organizar os trabalhos, a CJ decidiu concentrar as apurações em um ex-presidente por vez. Sendo assim, após a conclusão do caso de Duilio Monteiro Alves, o próximo a ser analisado será o de Augusto Melo.
Relembre o caso
O Ministério Público abriu, em agosto de 2025, uma investigação sobre os gastos de Andrés Sanchez (no segundo mandato, de 2018 a 2020) e Duilio Monteiro Alves em seus respectivos mandatos no Corinthians. O caso se iniciou após denúncias do uso do cartão corporativo por parte de Andrés, que admitiu as despesas pessoais, e vir a público uma planilha de R$ 80 mil em 40 dias durante a gestão de Duilio. Pouco depois, Augusto Melo também entrou na mira do MP-SP.
Assim, o Ministério Público, que obteve quebra de sigilo, segue investigando o caso e até já ouviu os principais nomes ligados ao Corinthians. Osmar Stabile e Romeu Tuma Júnior, respectivamente presidente do clube e do Conselho Deliberativo, já participaram das oitivas (ambos na condição de testemunha), assim como o ex-gerente financeiro Roberto Gavioli e o próprio Andrés Sanchez, além de Duilio. O Ministério Público também solicitou uma série de documentos ao clube e aos Conselhos Deliberativo e de Orientação.
O MP-SP solicitou o afastamento temporário dos três últimos presidentes de todos os colegiados do clube até o fim da investigação. Augusto Melo, vale lembrar, não tem mais poderes políticos devido ao impeachment, enquanto os outros dois nomes integram o Conselho de Orientação (Cori) do Corinthians.
A 2ª Vara de Crime Organizado, Lavagem de Dinheiro e Crime Tributário é a responsável por analisar a denúncia de Andrés e Gavioli, além de novos denunciados.
