Executivo explica mudanças nas comissões da base e elogia integração entre categorias no Corinthians
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Por Matheus Fiuza e Victor Godoy

Erasmo Damiani está no Corinthians desde outubro do ano passado
Divulgação / Corinthians
A base do Corinthians tem passado por reformulação desde a chegada de Erasmo Damiani, novo executivo do departamento. Em entrevista exclusiva ao Meu Timão, o profissional falou sobre o início das mudanças a partir de outubro do ano passado.
"Eu também fiz as mudanças internas, e alguns profissionais já eram do clube, e nós promovemos também a categoria. Eu penso assim: o Corinthians é uma instituição enorme, gigante. Então eu acho que ela também tem que ter profissionais que sejam também. Não estou dizendo que os profissionais que saíram não tinham, mas, na minha leitura, nós mostramos para o mercado que o Corinthians está entrando forte. Você também tem que ter essa", iniciou.
Uma das principais veio no Sub-17. Após a demissão de Raphael Laruccia, Guilherme Nascimento assumiu o comando da categoria em novembro. No mês seguinte, o clube oficializou também a chegada de Gabriel Amaral como auxiliar, após sete anos no Red Bull Bragantino.
"No Sub-17, nós não tínhamos treinador, o Raphael (Laruccia) tinha saído. Nós vamos naquelas lógicas: eu conheço o Gui, eu levei o Guilherme para trabalhar comigo no Atlético (Mineiro). Então eu mapeei os treinadores que eu entendo que possam estar vindo. O Gui aceitou vir. O Gabriel foi uma saída dele do Bragantino e casou. Ele aceitou vir, até porque também é muito amigo do Guilherme. Então, juntou ali, casou bem", explicou Erasmo.
As chegadas não pararam por aí. Douglas Pilar, campeão do Campeonato Paulista Sub-17 com o Sfera, de Jarinu, foi contratado para o Sub-16. O executivo detalhou como foi feito o mapeamento para contratação dos novos profissionais.
"O Douglas é um cara que eu estava mapeando também. Eu busco muitas informações com o mercado, com quem já trabalhou com o profissional: como é a postura dele fora de campo, como é a postura dele dentro de campo, como ele conversa com os atletas. Porque nós somos formadores. Nós estamos trabalhando com adolescentes, com crianças que vão querer, então temos que ter um processo de formação. Se nós queremos que os atletas sejam diferentes no profissional, nós temos que educá-los aqui de um processo diferente."
"Foi em cima disso. O Douglas foi uma questão de acompanhamento. Ele foi à final; se ele não tivesse ido à final, já teria chegado um pouco antes, quando nós fizemos as mudanças. Cauê, mesma situação: é um treinador que eu já conhecia antes, desde que eu estava trabalhando no Guarani, depois no primeiro ano da Ferroviária. Então eu já conhecia. Foram vários nomes que eu tinha, que eu tenho, porque você tem que estar pronto para isso. Você falou do 20: o William é o treinador que já dirigiu a equipe profissional. Então, como é que, se daqui a pouco ele recebe uma proposta profissional, eu vou dizer 'não, William, tu não vai porque tem que ficar no Corinthians'? Vou tirar a oportunidade dele crescer, dele voltar? Então eu tenho que estar pronto também para, daqui a pouco, se isso acontecer, espero que não aconteça, mas se acontecer, ter também nomes prontos para soluções caseiras. Soluções caseiras ou trazendo daqui a pouco o mercado, alguém fora do mercado", declarou Damiani.
O novo executivo também destacou a necessidade de aumentar o diálogo entre as categorias Sub-16, Sub-17 e Sub-20, que tem o comando de William Batista. Segundo ele, as comissões técnicas têm trocado informações diariamente para melhorar a eficiência do departamento.
"Eu conversei muito com os funcionários e com alguns coordenadores que já eram coordenadores, eu fui entendendo melhor o clube. Conversando com eles, ficava mais fácil de eu absorver. Mas o principal que eu volto a falar era ter profissionais do mercado atuante, atuando, para que as pessoas entendam que ele conhece o mercado também, e você está discutindo, daqui a pouco, atletas", apontou.
"O Guilherme, o Gabriel e o próprio Douglas vêm conversando quase que um dia sim, um dia não, até sobre os jogadores da Copinha, com idade para estarem fazendo parte. Então chega para mim o nosso pessoal da captação, o empresário liga para mim, 'Damiani, meu atleta lá, não sei o quê'. Às vezes eu sei que é um atleta, já passo para eles: 'Olha aqui, analisa esses atletas aqui', para nós não perdermos tempo daqui a pouco de estar reforçando a equipe sub-17", completou.
Mudanças dentro do Parque São Jorge
As categorias inferiores também foram prioridade para a nova liderança da base. Damiani esclareceu como tem sido os diálogos com Robson Zimerman, coordenador técnico do departamento, e o processo de integração de mais categorias ao CT Joaquim Grava.
"No CT tem que ter a integração. No Sub-20, eu tenho conversado bastante com o Rob (Robson Zimerman) sobre isso. Nós temos que ter essa integração. O Sub-13 vai treinar no CT. Então a 13 e o Sub-14 já fazem parte do CT. Do Sub-7 ao 12, vai ficar no Parque São Jorge. O Corinthians não tinha uma pessoa que coordenasse o Parque São Jorge. Eu coloquei o Sandro (Silva) como coordenador da captação, mas também como coordenador do parque, porque eu preciso ter essa integração. E que o que está sendo feito na 7, o Sub-20 esteja sabendo", iniciou.
"Nós vamos fazer muita imersão de treinadores da iniciação indo para o Parque São Jorge, acompanhando treino, ficando lá, acompanhando daqui a pouco o treino do Sub-20, o treino do Sub-17, para ter isso. Tem que ter isso, até para eles entenderem como é que se trabalha às vezes na equipe das outras categorias. Daqui a pouco pode ser que eu esteja fazendo no Sub-11 um trabalho muito forte em relação ao que, mais forte, quer dizer, ao Sub-7 está fazendo daqui a pouco. Então você tem que respeitar essas idades. Mas esses treinadores têm que ter o conhecimento do que está sendo feito no clube", completou Damiani.
Em menos de três meses, o executivo tem se mostrado satisfeito com os resultados apresentados estrutural e organizacionalmente. Damiani elogiou o nível de envolvimento do torcedor com as diversas modalidades no Parque São Jorge e a paixão diária da Fiel.
"Só o que eu tenho que falar é o seguinte: 70 dias que eu estou, e eu estou muito satisfeito de estar no Corinthians. Está sendo um desafio gostoso. O Corinthians é muito maior do que você estando fora vendo. Eu falo isso para todo mundo: vocês acham que ele é grande? Lá dentro você vê que ele é maior ainda. Eu vi os jogos do salão, o torcedor vive o clube. O torcedor do Corinthians vive no clube. E é uma coisa diferente, é uma energia diferente. É um desafio grande, mas gostoso. Eu brinco que às vezes eu falo: hoje são 70 dias, e corresponde como se eu já tivesse sete anos no clube, de tanta coisa que aconteceu nesse momento, mas da mudança que o contexto está passando. Eu acho que o ano passado foi um clube que, com todos os problemas, teve dois títulos nacionais: o estadual e o título nacional e o título estadual", lembrou.
No entanto, o executivo terá uma dor de cabeça para lidar neste início de ano. O Corinthians foi eliminado ainda na segunda fase da Copinha após derrota para o Guarani, tendo a pior campanha no torneio desde 2013. Apesar disso, Damiani pediu paciência para a construção dos processos com os jovens talentos.
"Está começando o ano colocando a casa em dia. Se o torcedor tiver um pouco de paciência, e o torcedor do Corinthians ainda tem um pouco dessa paciência, volto a falar: o Corinthians, daqui a dois, três anos, vai estar começando a nadar de braçada. E aí, gente, aí segura, porque vai ser difícil você controlar o Corinthians por uma questão que ele vem forte, e é o peso da instituição."