Experiente, campeã da Libertadores e auge no rival: conheça Agustina Barroso, reforço das Brabas
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Por Felipe Sales

Agustina Barroso durante treino do Corinthians
Rodrigo Gazzanel / Corinthians
Na tarde deste sábado, o Corinthians oficializou a contratação da zagueira Agustina Barroso, ex-Flamengo, como novo reforço para a temporada de 2026. A argentina, de 32 anos, é o quarto nome confirmado pelo clube do Parque São Jorge neste início de ano.
Agustina já estava em São Paulo desde o início da semana para a realização de exames médicos, e o anúncio acabou sendo adiado por conta de detalhes burocráticos até que a negociação fosse concluída e a contratação, oficialmente confirmada pelo clube.
Esta será a segunda passagem da zagueira pelas Brabas. Em 2017, ela fez parte do elenco campeão da Libertadores, embora tenha disputado apenas duas partidas naquela temporada.
Com o anúncio, o Meu Timão preparou um raio-x completo do reforço alvinegro. Aqui, você, torcedor, poderá conhecer melhor a trajetória, características e números da atleta!
Raio-X: Agustina Barroso
Início da carreira e rodagem por diversas equipes

Agustina foi campeã da Libertadores com o Corinthians em 2017
Reprodução/ Instagram
Agustina Barroso Basualdo nasceu na cidade de Tandil, na Argentina. O primeiro contato com o futebol aconteceu aos cinco anos de idade, mas, durante a infância e adolescência, ela dividiu a paixão pelos gramados com o basquete, modalidade que praticou pelo clube de sua cidade natal entre os 14 e 16 anos. A decisão de se dedicar exclusivamente ao futebol veio após ser convocada para a Seleção Argentina Sub-17, depois de se destacar nos Jogos de Buenos Aires.
Em 2008, Agustina foi contratada pelo UAI Urquiza, de Buenos Aires, onde permaneceu por oito anos, entre as categorias de base e o time profissional. No período, conquistou o título da liga argentina na temporada 2011/12. Em 2016, ela teve a primeira experiência no futebol brasileiro ao defender a Ferroviária, participando de três partidas. Ainda naquele ano, transferiu-se para o AFC Fylde, da Inglaterra.
Na temporada de 2017, retornou ao Brasil para atuar pelo Osasco Audax, antes da unificação do clube com o Corinthians. Após a parceria ser oficializada, defendeu o Corinthians Audax em duas partidas e sagrou-se campeã da Libertadores de 2017.
Em 2018, quando as Brabas se desvincularam do Audax, parte do elenco seguiu para o Corinthians e outra parte para o Grêmio Osasco Audax. Agustina foi para o time de Osasco, onde disputou 13 partidas, antes de retornar à Ferroviária ainda naquele mesmo ano. Na temporada 2018/19, voltou ao futebol europeu, desta vez para a Espanha, onde defendeu o Madrid CFF por dois anos. Em 2020, foi repatriada pelo UAI Urquiza, onde realizou somente quatro jogos.
Auge no rival e parceria com Thaís Ferreira

Agustina Barroso (esquerda) com o troféu do Bola de Prata da ESPN de 2021
Rafael de Oliveira Ferreira/ESPN
Na temporada de 2020, um ano após reativar o futebol feminino, o Palmeiras se preparava para tentar se consolidar na modalidade depois do acesso à primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Em meio a um grande pacote de reforços, chegou Agustina Barroso.
Pelo rival, a zagueira disputou 69 partidas, marcou seis gols e distribuiu uma assistência entre 2020 e 2023. Durante esse período, viveu o auge da carreira, colecionando boas atuações, gols importantes e formando uma dupla de zaga com Thaís Ferreira, hoje no Corinthians.
Naquele ciclo, conquistou o título da Copa Paulista de 2022, além de ter sido eleita a melhor zagueira do Campeonato Brasileiro em 2020 e 2021. Também recebeu a Bola de Prata da ESPN em 2021 e foi incluída na seleção do time ideal da IFFHS (Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol) na América do Sul em 2022.
Após a passagem de sucesso pelo rival, Agustina se transferiu para o Flamengo em 2023, onde conquistou o título da Copa Rio e Campeonato Carioca. Na sequência, foi contratada pelo Tenerife, da Espanha, mas atuou por apenas meia temporada antes de retornar ao clube carioca em 2024. Apesar de já não viver o auge da carreira, vinha sendo titular absoluta no Flamengo e capitã, onde disputou 30 partidas, marcou um gol e deu uma assistência na última temporada. Nesta nova passagem, ela levantou as taças do Campeonato Carioca em 2024 e 2025, além da Copa Rio de 2025.
Seleção da Argentina

Agustina Barroso chega para a sua segunda passagem pelo Corinthians
Divulgação / @Argentina
Desde as categorias de base, Agustina Barroso foi presença constante nas seleções da Argentina. A primeira convocação veio ainda no Sub-17, aos 16 anos, após se destacar em uma competição disputada em Buenos Aires.
A partir daí, construiu uma trajetória longa com a camisa da albiceleste. Disputou três edições dos Jogos Pan-Americanos, conquistando a medalha de prata em Lima, no Peru, em 2019. Também participou da Copa do Mundo Sub-20 de 2012, das edições da Copa América de 2014, 2018 e 2022, além da Copa do Mundo Feminina de 2019. Ao todo, soma mais de 70 partidas pela seleção principal.
Apesar da trajetória extensa pela Argentina, a zagueira não é convocada desde a Copa América de 2022. Naquela edição, foi titular na campanha que terminou nas semifinais, interrompida com a derrota por 1 a 0 para a Colômbia.
Características

Agustina Barroso em ação pelo Flamengo
Paula Reis / Flamengo
Apesar do status de capitã no Flamengo na última temporada, Agustina Barroso chega ao Corinthians para brigar pela vaga de titular deixada por Mariza. Entre as opções que Lucas Piccinato tem no elenco para a zaga, a única defensora com lugar cativo na equipe titular é Thaís Ferreira. As demais posições seguem em aberto: Duda Mineira, Erika, Thaís Regina, Letícia Teles e agora Agustina disputam a segunda vaga. Além disso, existe a possibilidade de o treinador utilizar esquemas com três zagueiras, cenário no qual as chances da argentina aumentam.
Desde os primeiros anos da carreira, Agustina sempre teve como marcas uma ótima leitura de espaços, bom posicionamento e solidez defensiva nos duelos. Mesmo com apenas 1,64 m de altura, a defensora costuma se sair relativamente bem nas jogadas aéreas e em bolas paradas.
Em seu auge, compensava a falta de estatura com posicionamento, força no duelo e senso de antecipação. Ao longo dos anos, fez da regularidade a sua principal característica. Porém, nas últimas temporadas, passou a sofrer mais em jogadas de velocidade, nos duelos individuais e nos embates físicos.
Ela nunca foi uma zagueira veloz para cobrir grandes espaços às costas da defesa, mas costuma render melhor quando o jogo está organizado e as linhas estão compactas. Outra característica é a liderança, orientando o setor e organizando a última linha sem necessidade de grandes gestos ou cobranças públicas.
Com a bola no pé, não costuma arriscar lançamentos longos com frequência, mas executa bem quando tenta. Prefere o passe seguro, buscando a lateral ou a volante mais próxima, priorizando a manutenção da posse e evitando riscos desnecessários na saída de jogo. Em bolas paradas, especialmente defensivas, sempre foi útil pelo bom tempo de bola e pela capacidade de atacar o espaço, mesmo sem ser uma zagueira especialista em gols.
Hoje, porém, Barroso já não vive o auge físico e técnico que marcou seus melhores anos. O tempo passou, a explosão diminuiu e a recuperação nas transições já não é a mesma. Isso não apaga a história construída nem a experiência que ela ainda pode oferecer, mas muda o seu papel em campo. Sendo menos protagonista e mais alguém que dê suporte ao elenco, contribui com leitura de jogo e posicionamento, mas que precisa de um sistema que a proteja de duelos em velocidade e de jogos muito abertos.