Romero elege momento mais marcante de sua história pelo Corinthians
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Por Victor Bhering, Flávio Ortega e Marco Bello

Romero relembra 'Majestoso marcante' entre clássicos disputados pelo Corinthians
Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians
Ángel Romero se despediu do Corinthians no último sábado após defender o clube do Parque São Jorge por oito temporadas, em duas passagens. Em quase uma década vestindo a camisa alvinegra, o atacante paraguaio disputou 56 clássicos paulistas e relembrou momentos marcantes vividos diante dos principais rivais do clube.
Entre as lembranças, Romero destacou como o jogo mais especial da carreira no Corinthians a goleada por 6 a 1 sobre o São Paulo, em 2015, na Neo Química Arena. O atacante ressaltou que vivia um momento de pouca utilização naquele Brasileirão, mas recebeu a oportunidade justamente em um clássico de celebração do título nacional. Segundo ele, a preparação foi intensa e o desempenho surpreendeu até quem estava em campo, culminando em dois gols na partida histórica.
"Foi marcante porque não vinha sendo muito aproveitado naquele ano. Era quase o último jogo; acho que faltava apenas mais um depois. O Tite deu oportunidade para quem não estava jogando ou não tinha muitos minutos em campo. Além disso, era um clássico em que se comemorava um título importante. Tentei fazer o meu jogo e dar o meu melhor. Foi uma partida que ninguém imaginava que terminaria daquela forma. Me preparei muito bem", iniciou em entrevista ao Tabelando, programa do Meu Timão no YouTube.
O paraguaio também revelou um episódio curioso que antecedeu aquele confronto. Romero contou que inicialmente não seria titular no clássico, já que o elenco vinha da conquista do título contra o Vasco, no Rio de Janeiro. Apenas no dia do jogo, pela manhã, Tite o avisou de que começaria jogando, após um problema físico de um dos atletas escalados. Sem ritmo e após meses sem sequência, o atacante afirmou que precisou se adaptar rapidamente à situação.
"Vou contar algo que nunca revelei: eu não ia participar desse jogo. Tínhamos sido campeões na quarta-feira, contra o Vasco, no Rio de Janeiro, e no fim de semana haveria o clássico contra o São Paulo. O Tite montou o time e não estava entre os titulares. Não me recordo se quem jogaria era o Vagner Love ou o Luciano, mas, na manhã da partida, o treinador me avisou que eu entraria. Houve algum imprevisto com o atleta que ia iniciar — ele não acordou bem, algo assim. O técnico me disse: ‘se prepara, você vai jogar’. Eu não atuava havia quatro ou cinco meses; estava totalmente sem ritmo ou sequência de jogo", comentou.
Outro ponto abordado foi a rivalidade com o Palmeiras, especialmente durante o período de maior domínio do Corinthians nos clássicos, sobretudo na chamada “era Carille”, entre 2017 e 2019. Romero provocou o rival ao lembrar que, quando chegou ao clube, questionou como poderia existir um clássico com uma equipe que havia disputado recentemente a Série B, em tom bem-humorado, ressaltando o protagonismo alvinegro nos confrontos da época.
"Era só o Corinthians nos clássicos. Agora eles cresceram um pouco, mas quando cheguei, o nosso rival estava na Série B. Até perguntei: ‘Qual é o principal clássico daqui?’. Me responderam que era contra o Palmeiras, que estava na segunda divisão. Eu brinquei: ‘Como pode ser o maior clássico se vocês estão na Série B?’ (risos)", disse.
Apesar da provocação, vale destacar que a equipe da Barra Funda não estava na segunda divisão quando o atacante paraguaio chegou ao Corinthians. Em 2014, o rival disputou a Série A, embora tenha lutado contra o rebaixamento até a última rodada do Campeonato Brasileiro.
Ao todo, Ángel Romero encerra sua trajetória no Timão com 56 clássicos disputados, somando 24 vitórias, 13 empates e 19 derrotas, com aproveitamento de 64,88%. O atacante marcou sete gols nesses confrontos, sendo quatro contra o São Paulo, dois diante do Santos e um contra o Palmeiras.
Ídolo da Fiel, o paraguaio deixa o clube como o estrangeiro com mais partidas na história do Corinthians: 377 jogos, com 175 vitórias, 99 empates e 103 derrotas. No período, conquistou seis títulos — os Campeonatos Brasileiros de 2015 e 2017, os Paulistas de 2017, 2018 e 2025, além da Copa do Brasil de 2025 — e ocupa a segunda colocação entre os maiores artilheiros da Neo Química Arena, com 43 gols em 179 partidas, atrás apenas de Yuri Alberto, que soma 49.