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Corinthians encerra 2025 com pendências importantes para resolver no próximo ano

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Armando Mendonça (esquerda), Augusto Melo (centro) e Osmar Stabile (direita)

Armando Mendonça (esquerda), Augusto Melo (centro) e Osmar Stabile (direita)

José Manoel Idalgo / Agência Corinthians

O ano de 2025 chega ao fim às 23h59 desta quarta-feira. Para o Corinthians, além de títulos expressivos, vitórias marcantes e derrotas frustrantes, o período também foi atravessado por impeachment, debate sobre reforma estatutária e uma série de temas que extrapolaram as quatro linhas. Em meio a esse cenário, algumas pendências ficaram pelo caminho e serão herdadas para 2026.

A seguir, o Meu Timão lista as principais delas e o estágio atual de cada situação.

Transferbans

Félix Torres Romero durante atividade do Corinthians

Félix Torres durante atividade do Corinthians

Rodrigo Coca / Agência Corinthians

As principais pendências que impactam diretamente o futebol do Corinthians estão relacionadas aos transferbans. Desde o dia 12 de agosto, o clube está impedido de registrar novos jogadores por determinação da Fifa, em razão de uma dívida estimada em cerca de R$ 40 milhões — já com juros, multas e encargos — referente ao não pagamento da contratação do zagueiro Félix Torres junto ao Santos Laguna, do México. O presidente Osmar Stabile prometeu quitar o débito até a abertura da janela de transferências, no dia 5 de janeiro de 2026.

Além disso, o Corinthians também sofre de uma sanção imposta pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), da CBF, em decorrência do atraso no pagamento das primeiras parcelas de um acordo que totaliza R$ 76 milhões. A próxima parcela vence no dia 17 de janeiro, e o clube entende que, com o pagamento em dia, a punição será automaticamente retirada.

Para além das penalidades já aplicadas, o Corinthians ainda convive com o risco concreto de novos transferbans. Um deles envolve o débito com o Talleres, da Argentina, pela contratação do meia Rodrigo Garro, valor que gira em torno de R$ 32 milhões. Há também uma dívida aproximada de 1 milhão de euros (cerca de R$ 6,5 milhões, na cotação atual) com o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, referente aos últimos empréstimos do volante Maycon. Em fevereiro deste ano, a Fifa condenou o clube paulista na ação movida pelos ucranianos, mas o Timão recorreu à Corte Arbitral do Esporte (CAS), onde o julgamento segue pendente.

Outra pendência envolve o Philadelphia Union, dos Estados Unidos, no valor de cerca de R$ 8 milhões, pela contratação do volante José Martínez, também em análise no CAS. Soma-se a isso o débito de R$ 6,26 milhões com o Midtjylland, da Dinamarca, pela contratação de Charles, onde o Timão já perdeu na Fifa e recorreu ao CAS.

Há ainda a situação envolvendo Matías Rojas, que rescindiu contrato com o clube em 2024. O valor em discussão é estimado em cerca de R$ 40 milhões, embora o Corinthians tenha um acordo encaminhado para solucionar o caso. Tudo isso sem considerar outras dívidas em âmbito nacional.

Todas essas pendências, caso resultem em condenações e não sejam quitadas, podem gerar novos transferbans, além da incidência de juros, multas, dedução de pontos e rebaixamento, ampliando ainda mais o impacto financeiro e esportivo sobre o clube.

Divulgação do relatório da auditoria realizada pela Ernst & Young

Osmar Stabile durante final da Copa do Brasil

Osmar Stabile durante final da Copa do Brasil

Danilo Fernandes / Meu Timão

No mês de outubro, já sob a gestão do presidente Osmar Stabile, o Corinthians confirmou o recebimento do relatório elaborado pela Ernst & Young (EY), empresa contratada ainda no início do mandato do presidente destituído Augusto Melo. Embora tenha oficializado a entrega do material, o clube não divulgou detalhes sobre o conteúdo apresentado pela consultoria.

Em nota oficial à época, o Timão afirmou que “os contratos analisados são protegidos por cláusula de sigilo e confidencialidade”. No entanto, segundo o jornalista Marco Bello, apresentador do programa Tabelando, do Meu Timão no YouTube, essas cláusulas dizem respeito exclusivamente aos valores pagos pelos serviços prestados à empresa.

Dessa forma, o Corinthians teria respaldo jurídico para tornar públicas as análises produzidas pela EY, que incluem diagnósticos financeiros e administrativos, além de avaliações sobre governança e planejamento estratégico. Ainda de acordo com o jornalista, a expectativa interna era de que o presidente Osmar Stabile divulgasse o conteúdo nas semanas seguintes, o que não ocorreu mesmo após mais de dois meses.

O relatório ficou envolvido em um impasse em razão do não pagamento integral do valor acordado entre as partes. Conforme apurou o Meu Timão, a atual gestão realizou o pagamento do débito e, com isso, teve acesso ao material produzido pela EY ainda em 2024.

A empresa iniciou seus trabalhos no Parque São Jorge no começo do último ano, com a missão de revisar minuciosamente contratos firmados durante as gestões de Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves, antecessores de Augusto Melo. Os contratos analisados foram:

  • Indigo Estacionamentos (responsável pelos estacionamentos da Neo Química Arena);
  • OneFan (responsável pela bilheteria da Neo Química Arena);
  • OneFan (também responsável pelo Fiel Torcedor);
  • A&B Arena (responsável pelos alimentos e bebidas da Neo Química Arena);
  • SPR (responsável pela confecção de itens licenciados do Corinthians);
  • EA9 (responsável pelas franquias das lojas);
  • Lounge Brahma (responsável por um camarote na Neo Química Arena);
  • Brax (responsável pelas placas de publicidade da Neo Química Arena).

Em março, o Meu Timão revelou ter tido acesso a uma troca de e-mails entre a consultoria Ernst & Young e representantes do Corinthians, realizada no início de maio de 2024. Além da análise dos contratos, a empresa também apurou informações sobre dirigentes, seus familiares e empresas a eles ligadas, por meio de um procedimento conhecido como “Background Check & Screening”.

Apesar de os resultados terem sido entregues em maio do último ano, a gestão de Melo optou por não tornar o relatório público nem compartilhá-lo com os órgãos internos do clube. Em entrevista ao Meu Timão, Augusto — que sofreu impeachment em agosto deste ano — negou ter recebido o documento.

“Nas minhas mãos não está. Nunca recebi esse relatório. Nunca chegou esse relatório na minha mão. Isso é mentira. Ao contrário, cobramos muito isso. (…) Nunca me deram o relatório”, afirmou o ex-presidente.

Além dos contratos das gestões passadas, Augusto Melo também teria pedido para a EY investigar o acordo de patrocínio máster com a casa de apostas VaideBet, que rescindiu com o clube em maio de 2024 após as polêmicas sobre o suposto caso de laranja na intermediação.

Inicialmente, a Ernst & Young conduziria uma análise completa da documentação relacionada ao acordo. Na sequência, o trabalho avançaria para a verificação do histórico das empresas envolvidas e dos contratos firmados, incluindo entrevistas com os chamados “profissionais-chave” do processo.

A apuração, no entanto, foi interrompida em 18 de junho, quando o diretor financeiro adjunto Luiz Ricardo Alves, conhecido como Seedorf, encaminhou um e-mail, a pedido de Melo, solicitando a suspensão da investigação voltada à identificação de eventuais irregularidades. Apesar de não ter sido finalizado, o serviço resultou em uma cobrança de R$ 122 mil por parte da EY.

Atualmente, o caso VaideBet chegou até a Justiça de São Paulo, que tornou Augusto Melo e outras pessoas ligadas à diretoria do clube na época réus em julgamento que não teve data marcada.

Retirada das cadeiras da arquibancada Sul da Neo Química Arena

Visão da arquibancada Sul da Neo Química Arena

Visão da arquibancada Sul da Neo Química Arena

Wanderson Oliveira / Meu Timão

Ainda durante a campanha para a presidência do Corinthians no triênio 2024–26, Augusto Melo prometeu ampliar a capacidade da Neo Química Arena, o que aconteceu em fevereiro de 2025, passando de 47.845 para 48.905 pessoas, através de liberação da Polícia Militar para readequação dos setores.

Para além disso, entre as propostas, estavam a retirada das cadeiras do setor Sul — a exemplo do que já ocorre no setor Norte, tradicionalmente ocupado por torcidas organizadas — e a criação de novos espaços para o público.

Em maio de 2025, após ter sido indiciado pela Polícia Civil no caso VaideBet, o então mandatário convocou a imprensa para uma entrevista coletiva e voltou a reforçar o compromisso. Na ocasião, afirmou que o clube já havia ampliado em 1.300 lugares a capacidade do estádio e que existia um projeto em andamento para a criação de mais 4.000 assentos no setor Sul.

“Já aumentamos 1.300 lugares (na Arena). Mas isso não é algo que se faz em um mandato só, e você tem que entender que não sou eu, sozinho, que vou fazer isso. Eu vou fazer todo o trâmite, que é feito com órgão público, com documentação. A Arena está para ser ampliada em mais 4.000. Já está com documentos prontos, têm processos andando — o mesmo preenchimento da área que a NFL usou, e a retirada das cadeiras da Sul. Estamos trabalhando incansavelmente nisso”, afirmou.

Apesar do discurso, o projeto não avançou. Nem a retirada das cadeiras do setor Sul, muito menos a implantação de arquibancadas provisórias ao lado do setor Leste saíram do papel. Augusto Melo acabou destituído do cargo em agosto, em meio às investigações do caso VaideBet.

Desde então, o tema não voltou a ser tratado publicamente. Osmar Stabile, que assumiu a presidência de forma interina e foi posteriormente eleito nas eleições indiretas, ainda não se manifestou sobre a possibilidade de ampliação da Neo Química Arena, apesar de dizer em diversas oportunidades que possui o interesse de ampliar a arrecadação do estádio.

Troca de empresa responsável pela administração do Fundo Imobiliário da Neo Química Arena

Neo Química Arena, casa do Corinthians desde 2014

Neo Química Arena, casa do Corinthians desde 2014

Jhony Inacio / Meu Timão

Em agosto de 2025, a REAG Investimentos, empresa responsável pela administração do Fundo Imobiliário da Neo Química Arena — do qual o Corinthians é o único cotista —, foi alvo da Operação Carbono Oculto, uma força-tarefa do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com participação da Receita Federal do Brasil e Polícia Federal.

A ação investigou um esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) no setor de combustíveis. A REAG figurou entre os principais alvos da megaoperação.

De acordo com os investigadores, a gestora teria sido utilizada para a criação de fundos de investimento com o objetivo de ocultar patrimônio e adquirir empresas — como usinas de etanol e redes de postos de gasolina — em benefício do crime organizado. As apurações estimam que o esquema tenha movimentado mais de R$ 52 bilhões.

Em outubro, segundo a Rádio Craque Neto, o clube do Parque São Jorge, em meio às tentativas de equacionar a dívida da Arena e aos problemas enfrentados pela READ, iniciou tratativas para retirar a empresa da administração contábil do estádio. O movimento, no entanto, depende do aval da Caixa Econômica Federal para que a troca de administradora seja efetivada.

O Corinthians já possui uma empresa interessada em assumir a função, mas a mudança está condicionada à autorização do banco estatal, além da análise da proposta apresentada pela interessada. Vale destacar que, recentemente, a REAG foi retirada do cadastro da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A Neo Química Arena está estruturada por meio de um fundo imobiliário sob administração da REAG, tendo o Timão como único cotista. Um dos estudos internos do clube chegou a considerar a abertura da venda de cotas do fundo como alternativa para viabilizar o pagamento do financiamento do estádio, que, conforme o balanço financeiro de setembro, alcançava R$ 653,1 milhões — montante que pesa nas contas alvinegras desde a inauguração do local. Apesar das discussões, a troca da administradora ainda não foi efetivada.

Resolução das investigações internas sobre o uso indevido de cartão corporativo

Andrés Sanchez, Duilio Monteiro Alves e Augusto Melo, ex-presidentes do Corinthians

Andrés Sanchez, Duilio Monteiro Alves e Augusto Melo, ex-presidentes do Corinthians

Danilo Fernandes e Jhonny Inácio / Meu Timão

Em agosto de 2025, o Ministério Público de São Paulo abriu investigação para apurar gastos realizados durante as gestões de Andrés Sanchez (2018–2020) e Duilio Monteiro Alves (2021–2023) no Corinthians. O inquérito teve início após denúncias de uso de cartão corporativo para despesas pessoais por Andrés — fato admitido pelo ex-presidente — e a divulgação de uma planilha com cerca de R$ 80 mil em gastos concentrados em 40 dias na gestão de Duilio, que também prestou depoimento. Posteriormente, Augusto Melo (2024–2025) passou a ser incluído nas apurações.

Com a autorização de quebra de sigilo, o MP-SP já ouviu os principais envolvidos e testemunhas, entre eles Osmar Stabile e Romeu Tuma Júnior, além do ex-gerente financeiro Roberto Gavioli, Andrés e Duilio. A promotoria também requisitou documentos ao clube e aos Conselhos Deliberativo e de Orientação.

Como medida cautelar, o MP-SP solicitou o afastamento temporário dos três últimos presidentes de todos os colegiados do clube até a conclusão das investigações. Augusto Melo já não exerce funções políticas por ter sido destituído, enquanto Andrés e Duilio integram o Conselho de Orientação (Cori). Andrés se afastou do Conselho Deliberativo, enquanto Gavioli foi retirado da superintendência financeira durante a gestão Stabile. Em dezembro, o Ministério Público pediu celeridade na análise da denúncia.

Ao de 2025, o MP denunciou Andrés Sanchez e o ex-gerente financeiro Roberto Gavioli por apropriação indébita agravada, lavagem de dinheiro e falsidade de documento tributário, sob a acusação de utilizarem recursos do clube para despesas pessoais e tentarem ocultar a origem dos valores.

Já Duilio Monteiro Alves foi denunciado por apropriação indébita, também relacionada ao uso do cartão corporativo durante sua gestão na presidência. A investigação quanto à situação de Augusto Melo ainda está em andamento.

Os casos também tramitam internamente na Comissão de Justiça (CJ) do clube. O órgão ouviu explicações de Andrés Sanchez no início do mês A expectativa é que a Comissão colha o depoimento de ao menos mais uma ex-funcionária do segundo mandato de Andrés (2018–2020) e conclua o parecer a ser encaminhado à Comissão de Ética (CE), responsável por propor eventual punição — que pode variar de suspensão à expulsão do quadro associativo — antes da deliberação no Conselho Deliberativo.

Após a conclusão do caso Andrés, segundo apuração do Meu Timão, a CJ deve se debruçar sobre as situações de Duilio e Augusto.

Punições para os conselheiros envolvidos na tentativa de golpe pró-Augusto Melo

Maria Angela ao lado de três conselheiros proferindo a decisão que anularia impeachment de Augusto

Maria Angela ao lado de três conselheiros proferindo a decisão que anularia impeachment de Augusto

Reprodução

No dia 31 de maio de 2025, o Parque São Jorge viveu uma das cenas políticas mais conflitantes dos últimos anos. Augusto Melo, afastado pelo voto da maioria dos conselheiros naquele momento, tentou retomar o poder com apoio de Maria Angela, secretária da Comissão de Ética (CE), e outros entusiastas. A CE do clube julgou necessário o afastamento imediato de todos que participaram desta invasão pró-Augusto meses depois.

Um ofício foi enviado ao Conselho Deliberativo (CD) em setembro, solicitando que os envolvidos sejam suspensos do quadro associativo, perdendo a força política como conselheiros e associados, por 60 dias ou até que o caso seja encerrado. Rodrigo Vicente Bittar, um dos membros da Comissão de Ética, é o relator do caso. A informação foi divulgada inicialmente pela Gazeta Esportiva e confirmada pelo Meu Timão, que também teve acesso ao documento.

Na época do ocorrido, Osmar Stabile ainda era o presidente interino do Corinthians e viu o ato como uma ameaça ao “estado democrático de direito”. O pedido da Comissão de Ética se fundamenta na mesma justificativa, afirmando que o grupo liderado por Augusto fez uma “infração estatutária”.

Além de Augusto Melo e Maria Angela de Souza Ocampos, os outros 11 conselheiros são: Carlos Eduardo Melo Silva, Laercio Ferreira Victoria, Leandro Olmedila, Marcos Coelho Abdo, Mário Mello Júnior, Paulo Juricic, Paulo Rogério Pinheiro Jr., Peterson Ruan Aiello do Couto Ramos, Rodrigo Simonnini Gonzalez, Ronaldo Fernandez Tomé e Wanderson Contrera Salles.

Dois desses são atuais membros eleitos da CE (Mário Mello Júnior e Ronaldo Fernandez Tomé). Caso sejam suspensos, os possíveis suplentes são Cláudia Carlos Oliveira, Richard de Paula Oliveira e Renato Ramires.

Eles já estão sendo julgados por órgãos internos do clube. A Comissão determinou o afastamento, mesmo sem uma conclusão sobre as possíveis punições. Ainda segundo o ofício enviado ao Conselho Deliberativo, a permanência desse grupo enquanto se apuram tais condutas representa um “risco institucional concreto”.

O ofício trata-se somente de uma recomendação. A decisão é do Conselho Deliberativo, chefiado por Romeu Tuma Júnior, que pode convocar uma votação para o afastamento ou não dos membros julgados pela Comissão de Ética.

Até o momento, nenhum dos envolvidos foi afastado de forma cautelar. Inclusive, Maria Angela Ocampos — que se autointitulou presidente do CD durante o episódio da invasão — tem participado normalmente das reuniões da Comissão de Ética, além das audiências públicas que discutem a reforma do Estatuto do clube.

A dirigente já foi procurada pela reportagem em diferentes ocasiões para apresentar sua versão dos fatos, mas afirma estar impedida de se manifestar por determinação de órgãos internos do Corinthians. Essa justificativa, no entanto, é contestada por fontes ligadas à política do Parque São Jorge, que negam a existência de qualquer vedação formal para que ela preste esclarecimentos à imprensa.

Até o momento, não há uma resolução definitiva sobre o caso, que segue sem deliberação conclusiva nos âmbitos interno e institucional do clube.

Construção de hotel no CT da base

CT da base

CT da base do Corinthians

Reprodução / Corinthians TV

Outra promessa do presidente destituído Augusto Melo durante a campanha eleitoral foi a construção de um hotel no CT da base — prioridade do clube desde 2011 — ao lado do CT Dr. Joaquim Grava, utilizado pela equipe profissional. Quando candidato, Augusto afirmou pretender concluir o projeto em nove meses, mas, em maio, reconheceu que o avanço dependia da regularização documental e de autorizações ambientais.

“Já autorizei que, pelo menos, o hotel da base seja finalizado. Isso também não acontece do dia para a noite. Você precisa de documentos. A área foi doada, então precisa de autorização do meio ambiente. Quando construíram o CT, também houve muitos problemas. Ainda temos um processo lá, por reclamações. Vocês falam sem realmente procurar saber qual é a verdade”, afirmou.

Até então, os jogadores da base viviam em um alojamento próximo da sede social do clube, o Parque São Jorge. Porém, em outubro, sob a gestão de Osmar Stabile, que adotou uma política de redução de custos, o Corinthians decidiu encerrar o projeto “Casa do Atleta”, onde abrigava jogadores vindos de fora de São Paulo. Com o fim da residência, o clube projeta uma economia anual de aproximadamente R$ 1,8 milhão.

A decisão foi conduzida pelo diretor Carlos Roberto Auricchio, o Nenê do Posto, em acordo com outros coordenadores das categorias de base e o presidente. A diretoria iniciou a reforma dos refeitórios do CT da base para que, a partir de 2026, todas as refeições sejam feitas no local, enquanto os atletas passarão a receber ajuda de custo para moradia.

O clube só prevê voltar a ter um alojamento próprio com a eventual construção do hotel no CT da base. Sem recursos em caixa, a diretoria busca parceiros dispostos a financiar a obra em um modelo de naming rights. Houve tratativas iniciais com uma empresa, mas as conversas não avançaram.

Segundo apuração do Meu Timão, o custo estimado para a construção do hotel gira em torno de R$ 20 milhões. Além do alto investimento, a gestão destituída também enfrentava dificuldades para obter as licenças ambientais necessárias.

Desfecho da auditoria sobre o desvio de materiais esportivos

Parque São Jorge, a sede social do Corinthians

Parque São Jorge, a sede social do Corinthians

Maria Beatriz de Teves / Meu Timão

No dia 3 de novembro, o diretor de tecnologia do Corinthians, Marcelo Munhoes, entregou ao presidente Osmar Stabile o relatório da auditoria interna que apontou desvio de materiais esportivos fornecidos pela Nike no CT Dr. Joaquim Grava e no Parque São Jorge. Com 94 páginas, o material obtido pelo Meu Timão reúne as conclusões da investigação aberta a pedido do próprio Stabile, detalha falhas graves nos controles de estoque e apresenta recomendações para aprimorar a gestão dos materiais do clube.

A auditoria apontou uma série de problemas, como compras desnecessárias de itens licenciados, materiais deteriorados, desvios e comercialização irregular de peças, más condições de higiene nos locais de armazenamento e retiradas excessivas de materiais atribuídas ao segundo vice-presidente Armando Mendonça, a outros diretores e até ao presidente do clube.

O relatório também cita episódios como o estouro da cota de materiais da Nike, falhas no armazenamento e na conservação dos uniformes, cobranças da fornecedora pelo uso de modelos atuais no futsal, falta de camisas em uma partida contra o Fluminense no Brasileirão e o caso de um funcionário flagrado vendendo peças desviadas do almoxarifado.

Após a repercussão do caso na imprensa, Armando Mendonça se apresentou ao Conselho de Orientação (Cori) do Corinthians para demonstrar a sua versão dos fatos, assim como prestou esclarecimentos à imprensa, e Polícia Civil, que também investiga o episódio. Até o momento, porém, não houve punições nem desdobramentos oficiais.

Em contrapartida, conforme apurou a reportagem, já existe um parecer elaborado por Marcelo Munhoes, que liderou a auditoria, concluído e pronto para divulgação, o que deve ocorrer nos próximos dias.

Veja mais em: Diretoria do Corinthians, Osmar Stabile, Augusto Melo, Base do Corinthians, Dívida do Corinthians e Conselho do Corinthians.

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