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Danilo Avelar conta sobre passagem pelo Corinthians e relembra episódio de racismo

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Por Meu Timão

Danilo Avelar conta sobre passagem pelo Corinthians e caso de racismo

Rodrigo Coca / Agência Corinthians

Danilo Avelar, ex-lateral-esquerdo do Corinthians, comentou sobre sua passagem vestindo a camisa alvinegra. Ao longo da entrevista à Central do Timão, ele comentou sobre seus gols importantes, o título Paulista de 2019, sua saída do Corinthians e até do episódio de racismo, que marcou sua carreira.

Abaixo, o Meu Timão traz as principais lembranças de Avelar.

Sonho de jogar no Corinthians e negócio arriscado

Avelar começou contando sobre a negociação para jogar no Corinthians. Na época, ele era jogador do Torino, clube italiano, e estava emprestado para o Amiens, da França. Como era o sonho dele vestir a camisa do Timão, decidiu reduzir o salário e fazer uma proposta arriscada.

“Eu falo para o empresário assim: 'Quero ir para o Brasil e para o Corinthians, é o meu sonho. Uma coisa que não estava dando certo era a questão financeira, porque o Corinthians falou assim: 'Como é que eu vou contratar um cara que eu não conheço, que ninguém conhece?' Como é que eu vou justificar? Está saindo o (Guilherme) Arana, um cara que fez um baita negócio aqui. E vou pagar, acho que era 2 milhões de euros, num cara que ninguém sabe. Não vai fazer sentido para a gente, a torcida vai cair matando. Então, qual é o ideal? Fim de empréstimo. O Torino concordou, não vai de graça. Eu quero que o Corinthians pague alguma coisa pelo empréstimo. Então assim, nós numa mesa em Milão com os empresários, todo mundo, a gente já sabia do posicionamento do Corinthians", iniciou.

"Falei para o diretor Torino: 'Vamos fazer o seguinte. Eu saio. Me libera para ir para o Corinthians. Uma condição. Se em um ano eu não fizer o Corinthians me comprar, eu aceito voltar para o Torino. Cumprindo o contrato, recebendo um salário-mínimo de 1.400 euros. Eu abro mão de todo o meu salário, que era uns 60 mil euros por mês, para receber 1.400 euros por mês'. O diretor olhou e falou que eu teria que dar a vida e voltaria para receber um salário mínimo. E eu assinei o contrato com isso", disse o ex-jogador.

Porém, as coisas não saíram como planejado. No seu primeiro ano vestindo a camisa alvinegra, o Timão chegou até a final da Copa do Brasil, mas foi derrotado pelo Cruzeiro, por 3 a 1, no agregado. Como a temporada de 2018 do Corinthians não foi boa, apesar do título sobre o Palmeiras do Paulistão, a torcida criticou muitos jogadores, inclusive o próprio Avelar, que encontrou em Fábio Carille a esperança para dar a volta por cima.

"Eu me comprometi, tinha um ano para o Corinthians me comprar, para eu não ter que voltar para lá, receber o salário mínimo. Então, eu vim para o Corinthians em 2018. Com um peso desse tamanho. Eu falei assim: 'Ferrou, velho, eu vou ter que dar um jeito de fazer o time me comprar'. Quando eu cheguei em 2018, nada funcionou. Se a gente fosse campeão da Copa do Brasil, ia ser comprado, já estava no céu. Enfim, não rolou. Eu viro um ano muito criticado, ninguém entendeu meu perfil. Aí vem 2019, vem o Carille. Eu falei: 'Acho que agora vai funcionar, o perfil dele bate comigo. Tudo funcionou. Contra o rival, Palmeiras contra o São Paulo, melhor lateral-esquerdo, campeão. Quando é campeão, vem a confirmação, faltando dois meses para voltar para lá, os caras falam que iam me comprar”, comentou Danilo Avelar.

Gols importantes e momento de glória

Se 2018 foi um ano para esquecer, em 2019 tudo mudou. Oficialmente como jogador do Corinthians, Avelar fez uma boa temporada, marcando gols importantes, como no jogo contra o Palmeiras, pelo Campeonato Paulista, em pleno Allianz Parque. Ele foi o autor do único gol da partida, dando a vitória ao Timão.

“E ali foi um momento muito forte para mim, porque eu estava muito criticado. E aquele gol, eu lembro quando eu voltei para o vestiário chorando, os caras fizeram a roda, me abraçam, me dão parabéns, todo mundo via a minha luta ali dentro para provar. Eu não sabia o significado de fazer um gol no Palmeiras. Eu não lembro quem, mas sei que foi algum diretor, falou assim: 'Se prepara, tua vida vai mudar radicalmente agora'. É surreal como as coisas foram acontecendo, até hoje. E eu tive que sair, tive que parar de jogar bola para entender a dimensão do que é ser Corinthians. Eu tinha uma noção, mas não tinha a clareza 100%. Quando você sai, você fala, 'não é possível, o que é isso?' É um negócio violento, é loucura", relatou Avelar.

Durante sua trajetória pelo Corinthians, Danilo Avelar participou de 110 jogos, marcando 12 gols e dando três assistências. Um desses gols foi justamente na final do Paulistão de 2019. Após um empate sem gols no primeiro jogo, a decisão ficou para a partida em Itaquera. Avelar abriu o placar, Vagner Love marcou no finalzinho e, com 2 a 1 no placar, o Timão foi tricampeão seguido sobre o São Paulo.

“Eu fiz o gol da final e tudo influenciou, mas para mim assim, é um negócio tão estratosférico, tão longe, que eu não consigo imaginar alguém fazendo isso. No meu caso, é diferente, é uma proporção surreal. Quando eu cheguei no Corinthians e o Andrés pega na minha mão e fala, 'bem-vindo, aqui é um foguete, para cima e para baixo. Não tem meio termo, é literalmente isso. Para baixo é um foguete que vai, e para cima é muita explosão'. E eu literalmente vivi isso no Corinthians em 2019, um foguete para cima", citou o ex-lateral-esquerdo.

Caso de racismo e saída do Corinthians

Ainda quando jogava pelo Timão, Danilo Avelar teve um episódio muito marcante em sua carreira. Ele admitiu ter cometido um comentário racista ao escrever xingamentos no chat de uma partida on-line do jogo Counter-Strike: Global Offensive (CS:GO). A repercussão do caso foi um dos motivos de sua saída do Corinthians.

“Nesse jogo, o que acontece? Eu estava com os meus amigos e no outro time tinham quatro argentinos e um brasileiro. Ou três argentinos e dois brasileiros, não sei. Até porque a gente não viu o rosto do outro, a gente não sabe a nickname (apelido), nem quem é a pessoa. E como eles são extremamente racistas com os brasileiros, tudo volta. Então, um jogo de CS dura em média 45 minutos. Eles passaram 45 minutos xingando pesado, sendo racistas, sem parar. Isso alimenta, quando a gente ganha o jogo, eu não sei por quê, mas começa a rolar muita troca de xingamento no chat. Acho que, instintivamente, eu respondo à altura, e eu vou e xingo no mesmo tom. Até porque, o pessoal não é negro. Eu não sei quem é a pessoa. Simplesmente foi o clímax do ambiente que me proporciona usar o mesmo tom de xingamento. Só que tem um menino que estava jogando, que acho que já sabia, porque o meu nickname já estava ficando conhecido, eu já estava impulsionado no cenário e era fácil de saber quem eu era, acho que o nick era D.Avelar35. Teve um menino que foi, tirou print e jogou no Twitter. Só que ele jogou só aquele trecho em que eu falo. Quando eu vejo aquilo, todos os portais já falando, os caras já me chamando", relembrou Avelar.

Depois desse episódio, o ex-jogador do Timão contou como foi o dia a dia, o que o clube fez para lidar com o caso e qual lição ele tirou disso tudo.

"Fui instruído a fazer uma nota fria para assumir a responsabilidade, porque até então eu não sabia o que era verdade e o que era mentira. Um diretor falava uma coisa para mim, na frente dos jogadores falava outra. Eu vi que eu estava em um ambiente que eu não ia ter saída. Envolveu um clube que não soube se posicionar, até porque nunca passou por isso, então não sabia nem realmente como agir. Eu fiz em um ambiente fora do clube, não levou nome, não tinha meu rosto, não tinha nada figurado ao clube. Então o clube também lidou do jeito que tinha que lidar. E eu falei: 'Cara, de verdade, eu vou assumir essa responsabilidade, mas eu vou fazer diferente, porque o que mais importa aqui agora é a minha consciência'. Hoje as pessoas aprendem com o erro dos outros", iniciou.

"Vamos a esse momento para servir de exemplo às pessoas. Sei que foi um ato racista, por mais que eu não me considere racista, nada a ver, mas foi um ato que aconteceu e eu assumo o ato. Só que aprendi a lidar com ele, aprendi a passar com ele, a evoluir com ele. E me serviu muito como cidadão, como ser humano, como pai de família, para instruir o que falo para o meu filho. Porque eu estava inserido numa bolha da qual eu não tinha noção. Fui entendendo que é muito mais institucional o negócio, não é pontual, não é só eu, é muita gente aqui, quem não se opõe, quem omite, quem não se apoia à causa, não é só quem apoia. Então, tem muitas coisas que envolvem. Fui estudar, eu procurei uma profissional, fiquei meses e meses estudando com ela, fui conversar, fui em comunidade, fui entender, eu queria buscar o porquê que fiz isso. Por que estava instalado em mim um xingamento? Foi um ato que, falar para você que não influenciou minha permanência, claro que influenciou”, destacou o ex-jogador.

Por fim, Danilo Avelar falou sobre outro fator que impactou sua saída do clube. Ele sofreu uma lesão grave em outubro de 2020, ao romper o ligamento cruzado do joelho esquerdo. Com isso, ele ficou fora dos gramados por quase nove meses, exigindo cirurgia e um longo processo de recuperação. Assim, em meio à contusão e ao ato indisciplinar, saiu em 2021 sem realizar nenhuma partida pelo clube.

“Ali teve a minha lesão, foi muito grave. Porque até internamente virou muita dúvida, tirando a parte do ato disciplinar. Todo mundo sabia que foi uma lesão grave, porque rompi o cruzado. Na hora em que eu abri o meu joelho, eu vi que tinha a cartilagem rompida. É outro processo, é outro tempo, ali é o terror dos atletas. Então virou um ponto de interrogação. Se fosse ligamento cruzado, tinha um prazo, em oito meses a gente trabalha aqui. Mas é o teu corpo. Porque o corpo tem um custo, é um contrato. E isso serve de peso. Para o desenvolvimento ali dentro, um atleta precisa sair, para outro entrar. Então, para mim, o panorama geral foi um grande aprendizado. Com certeza eu teria ficado mais tempo no Corinthians. Afinal, não sei se eu teria jogado. Eu não sei como a torcida veria, eu demorei um ano, muito tempo para voltar a jogar. Será que voltar a jogar no Corinthians depois de tanto tempo seria positivo? Qual é a pressão que ia cobrar de mim de performance, independente do ato? Seria muita cobrança? Será que seria saudável? Será que o meu mental ia estar bom? Por isso, ter saído também foi uma questão estratégica”, finalizou Danilo Avelar.

Veja mais em: Danilo Avelar e Ex-jogadores do Corinthians.

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