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Capitão de último título do Corinthians na Copa do Brasil relembra conquista e projeta semifinal

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Por Bruno Pantarotto, Alexandre Gimenes e Matheus Quintino

William foi o capitão do Corinthians na Copa do Brasil de 2009

William foi o capitão do Corinthians na Copa do Brasil de 2009

Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians

O Corinthians está em busca do seu tetracampeonato da Copa do Brasil. Capitão do Timão na campanha vitoriosa da Copa do Brasil de 2009, William relembrou o peso histórico da conquista, especialmente pelo contexto vivido pelo clube após a passagem pela Série B e o processo de reconstrução naquele período.

Foi uma conquista inesquecível. Depois de um ano difícil na Série B, aquela Copa do Brasil marcou a verdadeira volta do Corinthians à elite e ao respeito no futebol brasileiro. Tenho muito orgulho de ter feito parte dessa história e de ter usado o manto corinthiano. Sou muito grato ao torcedor por tudo o que construímos juntos”, revelou William ao Meu Timão.

Ao analisar a solidez defensiva do Corinthians na atual edição da Copa do Brasil, William apontou que o bom momento não se resume ao desempenho individual dos defensores. A consistência é resultado de um sistema coletivo bem organizado, que gera confiança ao time e impõe dificuldades aos adversários, sem que isso signifique jogar apenas pelo resultado, de acordo com o ex-capitão.

“Sem dúvida, o melhor, na minha visão, é que isso não passa apenas pelos dois zagueiros ou pela linha defensiva com quatro jogadores e o goleiro. É todo o sistema. O time não sofre gols em função de um sistema muito bem armado. Nesses jogos, a equipe tem se concentrado bastante e conseguido executar um trabalho praticamente perfeito", avaliou.

"O lado ruim disso é quando você se acostuma a não tomar gols, porque no dia em que isso acontecer, é preciso saber reagir bem e não se abalar. Espero que isso não aconteça, mas, por outro lado, há algo muito positivo: você entra em campo com confiança, sabendo que é uma equipe difícil de ser vazada", concluiu.

Perguntado sobre a oscilação de desempenho entre o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil, o ex-capitão corintiano explicou que as características distintas das competições influenciam diretamente a mobilização das equipes. William citou o desgaste físico e emocional provocado pelo calendário e lembrou que mudanças de comando ao longo da temporada também interferem no rendimento.

“Vou tentar responder com cuidado, porque não vivencio o dia a dia do clube e não quero ser injusto. O Campeonato Brasileiro é uma competição longa, de pontos corridos, em que a mobilização pode oscilar pela quantidade de jogos. Já a Copa do Brasil é tiro curto, quase como uma Copa do Mundo, e exige estar sempre a 100%", analisou.

"Quando você não tem um elenco muito equilibrado, com mais opções, acaba sobrecarregando os mesmos atletas. Isso gera desgaste não só físico, mas também emocional. Estar concentrado o tempo todo é humanamente impossível. Mudanças de comando ao longo da temporada também impactam. Tudo isso, visto de fora, pode ajudar a explicar”, complementou.

Com a experiência de quem já viveu decisões pelo Corinthians, William falou sobre a importância do equilíbrio emocional em jogos eliminatórios. Ele destacou o papel da torcida como fator decisivo, mas reforçou a necessidade de os jogadores manterem a cabeça fria em meio à pressão sobre a arbitragem, evitando punições que possam comprometer o desempenho da equipe.

"Isso é algo muito característico do clube: a força e o apoio irrestrito do torcedor. Todo título tem um peso enorme para a torcida, e o papel que ela desempenhou no Mineirão, por exemplo, foi fundamental. Tenho certeza de que amanhã não será diferente", comentou.

"Em relação à arbitragem, sabemos que houve situações ruins no passado, com erros claros, mas, na minha visão, os árbitros não entram em campo para errar. Eles estão muito vigiados e sob grande pressão. Por isso, é fundamental que os jogadores entrem com sangue quente, mas cabeça fria, evitando cartões desnecessários", relatou.

"Às vezes não é uma expulsão direta, mas uma falta boba que gera um cartão e, mais à frente, outro cartão acaba prejudicando o time. Em jogos decisivos, os atletas estudam bastante os adversários, especialmente quem atua na marcação, entendendo preferências de chute e características, o que ajuda a marcar bem e evitar faltas", apontou William.

Ao comentar as avaliações sobre o trabalho de Dorival Júnior, William saiu em defesa do treinador e ressaltou a identificação do seu estilo com a história do Corinthians. O ex-zagueiro reconheceu as oscilações ao longo da temporada, mas ponderou que as críticas fazem parte da rotina de um clube grande e que resultados, especialmente títulos, são fundamentais para dar continuidade e solidez a qualquer projeto.

“Gosto muito do Dorival como pessoa e como treinador. Não tive a oportunidade de trabalhar com ele, mas conheço muitos colegas que tiveram. O estilo dele se identifica com o Corinthians: um time competitivo, aguerrido e que gosta de ter a bola e jogar. Ele consegue unir competitividade com qualidade na posse", avaliou.

"As críticas sempre existirão, não existe equipe perfeita, e o Corinthians oscilou ao longo da temporada, algo que o próprio Dorival certamente reconhece. Em alguns momentos, há exageros. O mais importante, ao dirigir um clube como o Corinthians, é entender que a crítica faz parte. O que se busca é ter um padrão e, no fim, vencer. Um título não é o único sinônimo de bom trabalho, mas ajuda muito a dar tranquilidade e continuidade a um projeto", concluiu.

O Corinthians enfrenta o Cruzeiro, na noite deste domingo, pelo segundo jogo da semifinal da Copa do Brasil. A bola rola na Neo Química Arena e decide o primeiro semifinalista do torneio nacional.

William, conhecido como "Capita" nos tempos de Corinthians, chegou ao clube no início da temporada de 2008, vindo do Grêmio. Homem de confiança do então técnico Mano Menezes, atuou ao lado de Chicão, recém-chegado do Figueirense.

Com o manto alvinegro, comandou uma defesa segura e bem postada nas campanhas dos Campeonatos Brasileiro da Série B e do Brasileirão no ano de 2010, além de vencer a Copa do Brasil em 2009. Ao final do centenário alvinegro, William anunciou o fim de sua carreira e se aposentou dos gramados.

Veja mais em: Copa do Brasil, Ex-jogadores do Corinthians e Corinthians x Cruzeiro.

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