Dívida do Corinthians volta a crescer e ultrapassa R$ 2,7 bilhões em setembro
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Por Felipe Sales

Parque São Jorge, a sede social do Corinthians
Maria Beatriz de Teves / Meu Timão
O Corinthians registrou um novo aumento em sua dívida ao divulgar as demonstrações financeiras referentes aos meses de agosto e setembro. De acordo com o relatório publicado no site oficial do clube, o montante subiu de R$ 2,7 bilhões, em julho, para R$ 2,708 bilhões no mês de agosto, chegando a R$ 2,715 bilhões em setembro.
O valor engloba todas as obrigações do clube, como salários, impostos, empréstimos e demais pendências, além do financiamento da Neo Química Arena. A primeira parte soma R$ 2,062 bilhões, enquanto a dívida do estádio, vinculada ao pagamento junto à Caixa Econômica Federal, corresponde a R$ 653 milhões.

Evolução da dívida do Corinthians nos últimos anos
Divulgação / Corinthians
Os meses de agosto e setembro também foram deficitários aos cofres do Timão. Enquanto agosto se encerrou com déficit de R$ 138,4 milhões, setembro registrou R$ 180,1 milhões negativos, representando um aumento de 74,7% em comparação com julho. No futebol, ao contrário do relatório anterior — que apontou superávit de R$ 13 milhões em julho e de R$ 515 mil em agosto —, o mês de setembro trouxe um prejuízo de R$ 21,8 milhões.
Enquanto isso, o clube social apresentou crescimento no déficit, onde passou de R$ 116,1 milhões em julho para R$ 138,4 milhões em agosto, chegando a R$ 158,3 milhões em setembro.
As receitas brutas passaram de R$ 457 milhões em julho para R$ 512 milhões em agosto e chegaram a R$ 575,7 milhões no mês de setembro. O mesmo movimento ocorreu nas despesas gerais, incluindo futebol e clube social, que saltaram de R$ 437 milhões em julho para R$ 508,2 milhões em agosto e alcançaram R$ 584,8 milhões em setembro. A diferença entre receitas e despesas cresce, principalmente, devido aos juros, que passaram de R$ 159,3 milhões.
Abaixo, o Meu Timão traz um breve resumo sobre as principais mudanças no balancete alvinegro, que pode ser acessado na íntegra aqui.
Números do futebol
As receitas corinthianas seguem em curva crescente e mantiveram esse padrão no mês de setembro, sobretudo no departamento de futebol. O principal montante está ligado aos direitos de transmissão, que chegaram a R$ 252,4 milhões. Os patrocínios aparecem na sequência, com mais de R$ 112 milhões. Ao todo, as receitas brutas de todo o clube totalizaram R$ 575 milhões em setembro, dos quais R$ 521 milhões estão vinculados ao futebol.
- Direitos de TV — R$ 252,4 milhões
- Patrocínios — R$ 112,55 milhões
- Arrecadação de jogos — R$ 88,2 milhões
- Premiações, Fiel Torcedor e outras — R$ 53,43 milhões
- Total = R$ 521,431 milhões
Em contrapartida, as despesas foram ainda maiores. Os gastos do Timão saltaram de R$ 426 milhões em julho para R$ 568 milhões em setembro. O principal montante continua sendo o relacionado ao item “pessoal”, que agora soma R$ 341,53 milhões.
- Pessoal — R$ 341,53 milhões
- Serviços de terceiros — R$ 28,089 milhões
- Gerais e administrativas — R$ 36,073 milhões
- Outras despesas com jogos — R$ 40,25 milhões
- Outras despesas do futebol — R$ 21,28 milhões
- Amortização e depreciação — R$ 76,02 milhões
- Rateio de despesas administrativas — R$ 24,9 milhões
- Total = R$ 568,199 milhões
O saldo operacional do futebol registrou um prejuízo de R$ 75,43 milhões em setembro, mas torna-se um superávit de R$ 53,66 milhões quando somados o saldo líquido com a venda de atletas (R$ 105,5 milhões), as receitas não operacionais (R$ 8,2 milhões) e demais encargos (R$ 42,03 milhões).
O Corinthians, vale lembrar, tem o equivalente a R$ 135,36 milhões em processos sendo movidos contra o clube no CAS. O clube já perdeu os pleitos contra o Santos Laguna, do México, no valor de R$ 40 milhões, o meia paraguaio Matías Rojas, no valor de R$ 45 milhões, além de Charles (Midtjylland, da Dinamarca), cerca de R$ 6,3 milhões - o clube pode perder pontos e até ser rebaixado em caso de novas derrotas na Justiça.
Fora esses, o Timão recentemente entrou em acordo com o Toluca, do México, para renegociar a dívida com o atacante Pedro Raul, em acordo que vai totalizar 8 milhões de dólares (R$ 42,8 milhões). Ainda há os casos de Maycon (Shakhtar Donetsk, Ucrânia), José Martínez (Philadelphia Union, dos Estados Unidos) e Rodrigo Garro (Talleres, da Argentina), que aguardam recurso decisões definitivas e recursos no CAS.
Números do clube social
As receitas do clube social e dos esportes amadores também apresentaram crescimento em setembro, alcançando R$ 54 milhões. Os principais indicadores foram a contribuição dos associados (R$ 23,3 milhões) e o licenciamento e franquias (R$ 19,5 milhões).
No entanto, as despesas seguem superiores às receitas. Os gastos no Parque São Jorge cresceram de R$ 71,5 milhões para R$ 94,9 milhões. Praticamente metade desse valor corresponde às despesas com pessoal, que somaram R$ 52,8 milhões. As outras maiores parcelas foram os serviços terceirizados (R$ 34,4 milhões) e as despesas gerais e administrativas (R$ 29,03 milhões).
O resultado operacional do clube social fechou setembro com prejuízo de R$ 41,6 milhões — quase o dobro do registrado em julho, quando o déficit foi de R$ 26,5 milhões. No acumulado, o déficit geral do departamento passou de R$ 116,2 milhões para R$ 158,3 milhões.