Corinthians projeta corte de gastos e aumento de receitas em orçamento para 2026
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Por Victor Bhering e Rodrigo Vessoni
Corinthians projeta corte de gastos e aumento de receitas em orçamento para 2026
Matheus Pogiolli / Meu Timão
O Corinthians projeta um ano de 2026 mais enxuto e eficiente, com cortes significativos de despesas e uma ampliação nas fontes de receita para reequilibrar sua saúde financeira, segundo o orçamento apresentado pelo clube.
De acordo com o documento ao qual o Meu Timão teve acesso, divulgado primeiramente pelo ge.globo, a previsão da diretoria alvinegra é fechar o ano que vem com as contas no azul em R$ 12 milhões. O resultado operacional, também conhecido como EBITD, está projetado em R$ 320 milhões.
Para alcançar esse resultado, o clube apostará principalmente na redução de despesas com pessoal. A estimativa oficial aponta que os gastos totais com salários de jogadores e funcionários, que devem encerrar 2025 na casa dos R$ 505 milhões, cairão para R$ 410 milhões no próximo ano — uma diminuição de 19%. No departamento de futebol, onde se concentra a maior parte dos custos, o corte será ainda mais significativo: de R$ 435 milhões para R$ 354 milhões, o que representa uma redução aproximada de R$ 6,2 milhões por mês na folha salarial.
As medidas de reorganização também conversam com iniciativas recentes de modernização administrativa. Na última terça-feira, o clube anunciou parceria com a SAP Concur, plataforma global líder em gestão automatizada de despesas corporativas. Na prática, o Timão deixará de utilizar processos manuais para relatórios e aprovações, adotando um sistema unificado capaz de agilizar o fluxo de trabalho e reduzir inconsistências internas, movimento que se alinha diretamente à busca por eficiência operacional e controle mais rígido dos gastos.
Para além da redução de despesas, o Corinthians segue pressionado pelo alto nível de endividamento. O valor total da dívida está estimado em R$ 2,715 bilhões, conforme o balancete de agosto e setembro, registrando um aumento de R$ 9,1 milhões no período. Para o próximo ano, a diretoria prevê despesas financeiras de R$ 219 milhões, impulsionadas pelos encargos desse passivo.
A estratégia para equilibrar as contas também envolve a necessidade de vender jogadores. O orçamento prevê arrecadar R$ 151 milhões com negociações de direitos federativos e valores recebidos pelo mecanismo de solidariedade da Fifa. Trata-se de uma das frentes consideradas essenciais para manter o fluxo de caixa e permitir que o clube cumpra suas metas.
No lado das receitas, os direitos de transmissão permanecem como principal fonte de faturamento do Corinthians. A projeção é alcançar R$ 335 milhões em 2026. Já com patrocínios, o clube espera um salto considerável: R$ 255 milhões, o que representa um aumento de 47% em relação ao que está previsto para 2025. Somando todas as entradas, a receita líquida — sem considerar venda de atletas — deve chegar a R$ 806 milhões, R$ 94 milhões acima da estimativa para o exercício atual.
Um ponto que chama atenção é que, ao contrário de anos anteriores, o Corinthians não divulgou no documento quais posições espera alcançar nas competições que disputará. Esse tipo de projeção costuma afetar diretamente o cálculo de receitas com premiações e cotas de TV, mas a diretoria optou por não detalhar metas esportivas para o próximo ano.
O orçamento ainda passará por análise do Conselho Fiscal e do Conselho de Orientação (Cori) antes de ser submetido à votação no Conselho Deliberativo no próximo dia 15. Se aprovado, o planejamento definirá os limites financeiros e operacionais do Corinthians para 2026, em um cenário que combina austeridade, necessidade de vendas e expectativa de crescimento da receita.
