Quase 30% da torcida do Corinthians compraria ações do clube, indica levantamento
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Por Meu Timão
Quase um terço dos corinthianos investiriam em ações do clube se tivessem a oportunidade
Rodrigo Coca / Ag.Corinthians
Uma análise recente do instituto AtlasIntel, divulgada pela CBF Academy durante o CBF Summit Academy, revelou que uma parcela significativa da população brasileira considera a possibilidade de investir financeiramente em clubes de futebol. O relatório, intitulado Painel Demográfico da Torcida Brasileira de Futebol e realizado com torcedores de diferentes perfis, avaliou o potencial de adesão caso times disponibilizassem ações no mercado.
Os resultados mostram que o interesse é amplo e extrapola o universo de investidores habituais da bolsa de valores. No cenário específico do Corinthians, a pesquisa posiciona a torcida alvinegra entre as que mais demonstram receptividade à ideia — um dado que ganha novo significado em meio às discussões sobre o projeto SAFiel e sobre o futuro da gestão do clube.
De acordo com o relatório, 23,5% dos entrevistados afirmaram que aplicariam dinheiro na compra de ações de clubes caso esse tipo de investimento fosse disponibilizado. Em números absolutos, isso representaria cerca de 48 milhões de pessoas — volume quase dez vezes maior que o total atual de brasileiros que possuem ações na B3.
O levantamento também identificou o nível de aporte que esse público estaria disposto a fazer. Aproximadamente 8,2% dos torcedores consultados — cerca de 3,8 milhões de pessoas — indicaram que poderiam investir valores superiores a R$ 5 mil, caso o clube escolhido oferecesse esse tipo de oportunidade ao mercado.
Corinthians aparece entre as torcidas mais interessadas
Dentro do recorte por clubes, os corinthianos se destacaram. Segundo a pesquisa, 28,5% dos torcedores do Corinthians consultados afirmaram que considerariam adquirir ações caso o clube disponibilizasse uma oferta pública.
O dado foi colhido em um momento anterior ao agravamento da crise financeira do Timão e ao surgimento do SAFiel — o que significa que o interesse medido em março de 2024 pode ter se modificado ao longo do último ano e meio. Ainda assim, o número aponta uma tendência de adesão significativa por parte da Fiel, que sempre demonstra forte engajamento em movimentos de apoio ao clube.
Estudo antecede o debate atual sobre SAF e o projeto SAFiel
A pesquisa foi feita entre 1º e 14 de março de 2024, período em que o Corinthians ainda não enfrentava o cenário financeiro mais crítico apresentado posteriormente. Desde então, a discussão sobre modelos de gestão ganhou força, especialmente após a apresentação oficial do projeto SAFiel, idealizado por um grupo de empresários corinthianos.
A SAFiel propõe a criação de uma Sociedade Anônima do Futebol com participação indireta da torcida e investimentos estimados em até R$ 2,75 bilhões. O grupo entregou documentos ao Parque São Jorge para avaliação e aguarda a assinatura de um memorando que permita o início dos estudos de viabilidade — incluindo avaliação patrimonial, levantamento de dívidas e estruturação da oferta de ações para torcedores e empresas.
O tema tem sido amplamente debatido, sobretudo porque coincide com discussões sobre uma possível reforma do estatuto, que abre espaço — ainda que parcial — para esse tipo de reorganização societária.
Apoio ao modelo SAF supera rejeição no país
Além do interesse por ações, o relatório também mediu a percepção sobre a adoção de SAFs no futebol brasileiro. Na época das entrevistas, 36,4% dos torcedores declararam ser favoráveis ao modelo. A rejeição correspondia a 27,1%, enquanto 36,5% afirmaram não ter opinião formada.
Esse cenário indica que, ainda que não exista consenso, a tendência nacional já apontava para maior aceitação das estruturas empresariais no futebol — um debate que só se intensificou com o crescimento dos clubes-empresa no país e com a entrada constante de investidores estrangeiros.
