Osmar Stabile, dívidas e Copa do Brasil: presidente da Gaviões passa a limpo situação do Corinthians
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Por Victor Godoy, Flávio Ortega e Marco Bello
Catástrofe política, dívida em vias de atingir R$ 3 bilhões, fim do basquete e futebol perdendo por 3 a 0. Os últimos dias do Corinthians (e até meses) têm sido agitados tanto dentro quanto fora do Parque São Jorge. Em meio ao frenesi da situação do clube, o Meu Timão, durante o programa Tabelando, entrevistou Alê, presidente da Gaviões da Fiel, sobre os rumos da principal agremiação do país.
O uniformizado fez questão de valorizar a boa relação com Osmar Stabile, presidente do Corinthians, mas teceu críticas ao dirigente. “A gente tem um bom diálogo com ele. Sempre que ligamos para tirar alguma dúvida, ele nos atende. Vejo nele um certo grau de honestidade, algo raro hoje em dia. E não percebo envolvimento em esquemas de base, como já aconteceu em outras gestões”, disse Alê.
“Às vezes, porém, sinto que falta um pouco mais de pulso. Parece que a decisão final nem sempre é dele, como se precisasse consultar outras pessoas. Ele se apresenta como um bom negociador e diz que tem cartas na manga, coisas que ainda não pode divulgar, mas que podem ajudar o clube a respirar. Ainda assim, em alguns momentos, vejo ele derrapando”, completou.
O principal tópico da crítica é a grande influência que conselheiros têm na tomada de decisão do presidente do Corinthians. Dentre eles, o mais influente vem sendo o vitalício Fran Papaiordanou, que, mesmo sem cargo oficial, foi junto à delegação alvinegra nos sorteios do Campeonato Paulista e da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Segundo o cartola, o membro do Conselho Deliberativo foi convidado pela Federação Paulista de Futebol (FPF).
“A votação expressiva que teve também coloca muita pressão sobre ele, especialmente nessa discussão sobre separação de cargos. Se eu fosse avaliar o trabalho dele até agora, diria que é razoável. Pode gerar críticas, mas falo no sentido de que, até aqui, ele se mostra minimamente honesto. Só isso, no Corinthians, já o coloca distante de muitos que passaram pelo clube recentemente”, ponderou o presidente da Gaviões.
Crescimento da dívida do Corinthians e o fim do basquete

Maria Beatriz de Teves / Meu Timão
Segundo o balancete de julho, o mais recente divulgado, a dívida do Corinthians está avaliada em R$ 2,7 bilhões. Deste montante, R$ 2,05 bilhões são de endividamento do clube e R$ 655 milhões da construção da Neo Química Arena.
Para tentar reverter a crescente do débito, discute-se principalmente a viabilidade de uma SAF - e aí entra a SAFiel, que tem investido para conquistar a torcida - e a reforma do Estatuto, que deveria ter ocorrido na última segunda, mas foi totalmente redefinida e só será concluída em março de 2026. Para Alê, porém, mais importante do que a atualização das normas internas é estabelecer um planejamento financeiro sólido para o Corinthians.
“O que todo mundo vem dizendo é que a reforma do estatuto vai resolver tudo. Mas, além do estatuto, qual é o projeto financeiro? Quem assumir não terá solução imediata; tudo é pensado para muito longo prazo. Se houver duas ou três gestões realmente excepcionais, pode funcionar. É possível acreditar que existam pessoas honestas ali? Claro. Mas, sinceramente, o que eu vejo é que não há de onde tirar dinheiro para pagar as contas”, destacou o presidente da Gaviões.
“A minha maior preocupação é que o Corinthians chegue a um colapso financeiro, a ponto de um presidente precisar dar uma coletiva para dizer que não há mais de onde tirar recursos. E aí? O que vai acontecer? Por isso insisto: o Corinthians precisa ir para a rua, precisa lutar. As próximas gerações vão cobrar de nós. Daqui 10, 15 anos, vão perguntar o que fizemos pelo clube”, complementou.
Neste contexto de soluções financeiras, o Corinthians decidiu que vai encerrar as atividades de todas as categorias do basquete a partir do fim da atual temporada. Segundo Osmar Stabile, a decisão pode ser revista caso um parceiro tope ajudar a modalidade. Por outro lado, o futsal profissional, assim como o de base, vai ser mantido.
“Muita gente ainda acredita que o modelo atual dá certo, mas não dá. Você citou esportes de quadra, futsal, basquete… É triste demais ver como está acabando. E precisamos debater os dois lados: por que está acabando? Pode ser falta de dinheiro? Pode. Mas também pode haver interesses, divisão de poderes e favores: ‘ficam com o basquete’, ‘ficam com o futsal’. Será que isso não influencia no corte de gastos?”, comentou Alê.
“Eu, pessoalmente, sou contra acabar com essas modalidades. O corinthiano gosta, apoia. Inclusive, fica aqui uma convocação: quinta-feira, na semifinal da liga, vamos lotar o ginásio, vai ser um dos maiores ambientes da história lá. O torcedor gosta desses esportes. Então, por que tirar? Qual é o real motivo? Cortar gasto? Mas quanto custa manter essas modalidades durante um ano?”, refletiu na sequência.
Dorival Júnior, elenco do Corinthians e Copa do Brasil

Wanderson Oliveira / Meu Timão
No último fim de semana, o Corinthians foi dominado e perdeu por 3 a 0 para o Cruzeiro pelo Campeonato Brasileiro. A Fiel ficou revoltada, assim como Alê, que disse que a organizada tentou protestar no retorno da delegação alvinegra para São Paulo.
“Esses jogadores não sentiram de verdade a pressão da torcida. Às vezes até entendem quando o corinthiano diz que está faltando entrega, mas não sentiram o calor do Gaviões. Talvez tenham sentido um pouco no ano passado, na luta contra o rebaixamento, mas naquele momento optamos por apoiar, e deu certo, vencemos nove seguidas. Agora, muitos deles parecem acomodados. Alguns podem até sair do clube sem nunca ter sentido o peso de vestir essa camisa”, declarou o presidente da Gaviões.
“A gente tentou acompanhá-los na chegada, mas descobrimos que o local de desembarque havia mudado: eles desciam ali perto para pegar o ônibus direto para o CT, ou iam embora com alguém da família. Mas eles estão no nosso radar, sim. Não é ameaça, é a revolta natural de quem ama o Corinthians. Se eles estão se preparando para a Copa do Brasil, ótimo. Mas, no mínimo, precisam nos representar também no Brasileirão. Para nós, é muito duro passar pelas vergonhas que já passamos”, seguiu.
Em relação ao técnico Dorival Júnior, o líder dos uniformizados criticou a forma como ele vem escalando a equipe: “O senhor Dorival Júnior está fazendo um trabalho no Corinthians que preocupa. Espero sinceramente que ele saiba o que está fazendo, porque muitas vezes parece que nem estuda o adversário. Parece que coloca onze em campo e deixa rolar, como se estivesse tudo bem.”
Para Alê, parece claro que o elenco está poupando energias pensando na Copa do Brasil. Ao fim do Campeonato Brasileiro, o Corinthians vai enfrentar o Cruzeiro nos dias 10 e 14 de dezembro e, se avançar, vai encontrar Vasco da Gama ou Fluminense na final da competição nacional.
“Sobre os jogadores, o que a gente pede é simples: se o foco de vocês é a Copa do Brasil, então deem a vida nisso. A gente conhece o potencial de vocês, ganharam nove partidas seguidas no ano passado. Sabemos do que vocês são capazes”, cobrou o presidente da Gaviões.
“Sabemos que vocês não vão passar vergonha no Mineirão como aconteceu agora. A torcida vai estar junto, vai fazer corredor de fogo, vai acompanhar até o aeroporto, vai apoiar para buscar esse título, porque o Corinthians merece. Entendemos que o momento político atrapalha, como vocês mesmos falam, mas o recado é claro: não façam nada pensando em dirigente. Façam por quem realmente segura a barra, por quem cumpre compromissos e, principalmente, pela torcida”, encerrou.