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STJD absolve técnico, executivo e presidente do Corinthians por protestos contra arbitragem

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Dorival Júnior foi expulso na partida contra Internacional, no Beira-Rio, pelo Brasileirão

Rodrigo Coca / Agência Corinthians

Na manhã desta terça-feira, na Sessão de Julgamento da 5ª Comissão Disciplinar, o STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol) julgou a denúncia envolvendo as reclamações de Dorival Júnior (técnico do Corinthians), Fabinho Soldado (executivo de futebol) e Osmar Stabile (presidente) contra a equipe de arbitragem do confronto contra o Internacional, no dia 1º de outubro. O órgão máximo de justiça absolveu todos os denunciados.

Caso a denúncia tivesse sido acatada, o técnico poderia pegar de uma a seis partidas de suspensão, enquanto os dirigentes poderiam ser punidos com 15 a 180 dias de gancho. No entanto, como foram absolvidos, nem mesmo a pena mínima foi aplicada neste caso.

O julgamento ocorreu pelo Processo nº 0949/2025, com acusação baseada no artigo 258, parágrafo segundo, inciso II, do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que trata de atitudes, gestos ou ofensas desrespeitosas contra árbitros. O relator do caso foi o auditor Ramon Rocha Santos, do STJD. A comissão do tribunal entendeu que a súmula do árbitro, principal documento que sustentava a denúncia, era improcedente.

Além dos personagens corinthianos, Alessandro Barcelos, D'Alessandro, Juan Romanazzi e Jorge Oliveira Filho, respectivamente presidente, diretor de futebol, técnico de desempenho e vice-presidente jurídico do Internacional, também foram julgados exatamente pelo mesmo artigo. Todos eles também foram absolvidos.

As defesas de Corinthians e Internacional concordaram que o árbitro generalizou ofensas e acabou por citar personagens de forma aleatória na súmula. As equipes queriam essa absolvição ou, pelo menos, a pena mínima aos personagens denunciados - confira abaixo o que disse cada personagem citado.

Na mesma sessão, o STJD julgou o arremesso de objetivo (artigo 213) por parte da torcida corinthiana no jogo contra o Flamengo, válido pela 25ª rodada do Brasileirão. O Corinthians, neste caso, fui punido com uma pulta de R$ 4.000, sendo R$ 2.000 referentes ao próprio arremesso e outros R$ 2.000 referentes ao atraso para o retorno em campo após o intervalo (artigo 206).

O caso e as defesas

Relembre o episódio que originou a denúncia aos personagens envolvidos

A partida em questão era válida pela 26ª rodada do Campeonato Brasileiro e tinha como palco o Beira-Rio, em Porto Alegre. O árbitro de campo era Rodrigo José Pereira de Lima, de Pernambuco; enquanto a chefia do vídeo estava nas mãos do também pernambucano Gilberto Rodrigues Castro Júnior. As decisões da dupla geraram protestos de ambas as equipes.

Além dos lances capitais, cada decisão do árbitro gerava um certo tipo de desconforto para algumas das equipes. No primeiro tempo, a arbitragem anulou um gol de Oscar Romero, do Internacional, apontando impedimento de Luis Otávio no lance. Os dirigentes da equipe gaúcha, incluindo o presidente Alessandro Barcellos, o diretor D'Alessandro, além do analista Romanazzi e do vice Jorge Oliveira, protestaram de forma agressiva e até foram afastados por intervenção policial.

Já na segunda etapa, as reclamações passaram a vir por parte do Corinthians. O árbitro marcou uma penalidade polêmica de Cacá em Bruno Henrique aos 54 minutos. Até então, o Timão vencia o duelo e acabou vendo o rival empatar. Dorival Júnior foi expulso após perder a calma por conta do lance e manteve as reclamações na zona mista. Fabinho Soldado também se dirigiu à equipe de arbitragem no pós-jogo, ainda em campo, e foi advertido. O executivo de futebol continuou o protesto no interior do estádio, ao lado do presidente alvinegro, Osmar Stabile.

Todos esses episódios foram relatados em súmula pelo árbitro de campo. No documento, ele afirma que Dorival teria dito que a equipe de arbitragem “deveria sair dali presa”. A súmula também descreve gestos ofensivos e ofensas tanto por parte do técnico alvinegro quanto dos dirigentes mencionados.

O que disse a defesa do Corinthians?

O Corinthians afirmou que a revolta se deu por ações da arbitragem. Sobre a súmula, o advogado que representava o Timão argumentou que o documento deveria ser preciso e não baseado em “achismos”. Ele questionou como todos os denunciados, segundo o árbitro, teriam proferido as mesmas palavras e sido contidos da mesma forma pela polícia - o que indicaria uma possível generalização dos atos. Além disso, testemunhas ouvidas afirmaram que o presidente Osmar Stabile sequer passou pela zona mista do estádio, apontando mais um erro no documento.

A defesa apresentou um vídeo de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e torcedor declarado do Timão, no qual ele afirma, durante uma sessão plenária, que “fomos roubados” na partida contra o Internacional. A evidência reforçava que as reclamações da equipe alvinegra quanto ao pênalti marcado para o adversário eram contundentes e percebidas até por figuras externas ao futebol.

Ainda por parte do lado alvinegro, foi apresentado aos auditores um vídeo do perfil @soudoapito, de Paulo Caravina, nas redes sociais. O criador de conteúdo analisa lances polêmicos do futebol brasileiro “sem clubismo”, segundo a descrição de sua biografia. Na ocasião, Caravina afirmava que o impedimento que anulou um gol dos gaúchos na primeira etapa havia sido corretamente marcado pela arbitragem.

Dorival Júnior, na sessão, foi questionado sobre as ofensas utilizadas contra o árbitro. Primeiramente, ele afirmou que a partida "foi complicada", com ambos os times revoltados contra o árbitro. Segundo Dorival, o último lance, "uma penalidade muito mal marcada", foi o que gerou a revolta de sua parte. O treinador confirmou o desequilíbrio pela revolta pós-pênalti e as palavras contra Rodrigo (árbitro) no momento do jogo: "É uma vergonha", "palhaçada", "fomos prejudicados", "estão de parabéns (em ironia; essa utilizada após o fim da partida)", entre outras.

Porém, Dorival negou ter dito a frase “vocês deveriam sair daqui presos” na zona mista. O técnico também afirmou que não resistiu a deixar o campo após o cartão vermelho, ressaltando que a súmula confeccionada foi, de certa forma, mentirosa - o documento dizia que o comandante precisou de intervenção policial para conter o protesto. O comandante alvinegro relatou ainda que não viu o presidente Osmar Stabile na zona mista, mas apenas no vestiário de campo.

Fabinho Soldado também foi ouvido. Segundo a súmula, ele teria acompanhado um indivíduo “não identificado” e chamado o árbitro de “safado” ainda em campo; depois, teria novamente ofendido a equipe de arbitragem na zona mista, onde houve outra intervenção policial. Em sua defesa, o executivo esclareceu que realmente entrou em campo, mas com o objetivo de acalmar os ânimos e orientar, sob responsabilidade da equipe do Corinthians, as conversas com a arbitragem. Ele negou ter ofendido Rodrigo e, em concordância com Alessandro Barcellos, presidente do Internacional, descreveu a zona mista do Beira-Rio como um túnel com grande fluxo de pessoas: “Como poderiam identificar cada fala ali, naquele ambiente conturbado?”, argumentou.

O que disse a defesa do Internacional?

O advogado que representava o Internacional reforçou que o árbitro generalizou as reclamações e as relativizou, sem conceder o benefício da dúvida. Uma das justificativas apresentadas foi a de que a súmula não levou em conta a jocosidade do sotaque gaúcho e estrangeiro dos personagens denunciados do clube. Segundo a defesa, por exemplo, o árbitro registrou as ofensas usando “você”, enquanto os gaúchos costumam utilizar “tu”. Já em relação aos argentinos envolvidos, a súmula deveria relatar exatamente as palavras proferidas - e não suas traduções. Isso, segundo o advogado, evidenciaria que as expressões podem ter confundido o árbitro responsável pelo documento.

Alessandro Barcellos, julgado pelo mesmo motivo dos personagens corinthianos (ofensas ao árbitro de futebol), esclareceu sua versão. O chefe da equipe gaúcha falou com veemência que não ofendeu a arbitragem na zona mista do Beira-Rio, como apontou a súmula da partida. Segundo Barcellos, o árbitro generalizou a confusão, o colocando como um dos infratores dos xingamentos a Rodrigo Jose Pereira de Lima e sua equipe. Ele ainda garantiu que ambas as equipes estavam revoltadas com a postura do juiz, mas não conseguiu identificar quais personagens realmente proferiram ofensas.

Jorge Oliveira Filho, o vice-presidente jurídico, foi relatado em súmula como um dos autores de ofensas conjuntas ao árbitro: "Você de novo nos prejudicando, seu safado", teria dito, segundo o documento. Ele também foi ouvido na audiência e afirmou que houveram reclamações por parte do Internacional, mas garantiu, "com tranquilidade", que também não foi autor dessas palavras.

Juan Romanazzi, que foi denunciado por proferir um suposto xingamento de “filho da p#@” à equipe de arbitragem, também justificou que não utilizou nenhuma palavra contra o árbitro e tampouco participou da confusão na zona mista após a partida. Segundo o analista de desempenho do rival, o único encontro com Rodrigo ocorreu antes da entrada da equipe gaúcha em campo para a disputa do segundo tempo, mas, mesmo nesse momento, ele permaneceu sem dizer nada aos juízes.

O que disse a mesa do STJD?

Após discussão interna e votos revelados, a decisão final da mesa foi de absolvição total dos denunciados.

Outros casos do Corinthians no STDJ

O Processo nº 0885/2025, referente ao arremesso de um copo de água por parte da torcida do Corinthians na partida válida pela 25ª rodada do Brasileirão, contra o Flamengo, também foi julgado nesta terça-feira. A multa podia variar de R$ 100 a R$ 100 mil. O STJD decidiu por uma penalidade de R$ 2.000 nesse caso. No entanto, na mesma partida, também houve atraso dos times no retorno de campo após o intervalo. Ambos foram multados em mais R$ 2.000; totalizando uma punição de R$ 4.000 para o Timão.

Vale lembrar que o Corinthians foi multado em R$ 20 mil por decisão do STDJ por conta de arremesso de objetos no gramado, durante a vitória por 1 a 0 diante do Palmeiras, nas oitavas da Copa do Brasil, na Neo Química Arena. O clube já havia sido punido pelo órgão por causa da briga dos jogadores no Dérbi da finalíssima do Paulistão, e também pelos sinalizares acesos na torcida organizada durante a festa do título.

Outro processo que ainda tramita no tribunal e não possui decisão prévia é o de nº 0893/2025, que trata dos sinalizadores acesos pela torcida alvinegra, visitante naquele caso, e da confusão entre membros da comissão técnica na Ilha do Retiro, durante a derrota por 1 a 0 para o Sport.

Veja mais em: Diretoria do Corinthians, Dorival Júnior, Osmar Stabile, STJD, Fabinho Soldado, Corinthians x Internacional, Campeonato Brasileiro, Arbitragem e Resultados do Corinthians.

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