Pantaleão celebra avanço de reforma do Estatuto e prega cautela com SAF no Corinthians
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Por Matheus Fiuza, Matheus Quintino e Rodrigo Vessoni

Leonardo Pantaleão comentou sobre a apresentação do anteprojeto da reforma do Estatuto
Rodrigo Vessoni / Meu Timão
Leonardo Pantaleão, vice-presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, vê com bons olhos os avanços da reforma do Estatuto. Em entrevista exclusiva ao Meu Timão, o conselheiro celebrou a apresentação do anteprojeto do documento, que se prepara para ser encaminhado aos membros do órgão legislativo.
“A relevância nesse dia me parece que é extrema. Porque você tem aquilo que já vinha sendo cogitado: a necessária reforma do Estatuto do Corinthians. Sem dúvida alguma, era um Estatuto que já se apresentava ultrapassado. Ficou claro isso com os últimos acontecimentos que nós tivemos no clube; muitas coisas não eram previstas", iniciou Pantaleão.
"Como evidentemente nesse eventual próximo que seja agora deliberado pelo Conselho, também não vai cobrir tudo aquilo que pode acontecer, que é impossível você prever todas as situações. Mas, pelo menos, ficou numa abrangência em que ele recepcionou esse anteprojeto. As propostas que foram apresentadas. Tanto é que alguns itens têm mais de uma proposta para poder deliberar, para que a gente pudesse ter a maior transparência, a maior democratização possível em relação às propostas que foram apresentadas", complementou.
Entre as principais propostas, estão a inclusão do direito ao voto ao Fiel Torcedor, possibilidade de transformação do clube em SAF (Sociedade Anônima do Futebol), alteração da duração dos mandatos e implementação de sistemas de transparência em todas as esferas, além de diversas outras solicitações.
"Repito que é muito importante, é hora realmente de você profissionalizar. Eu sei que esse assunto é, muitas vezes, repetitivo, mas ele precisa, de fato, sair da retórica e ganhar um aspecto prático. Eu sou um defensor ferrenho disso, entendo que o Corinthians precisa se profissionalizar. O Corinthians tem muito a crescer. O Corinthians, infelizmente, por inúmeras razões, acabou entrando num momento difícil, mas que da mesma forma que entrou com profissionalização, não tenho dúvida que consegue evoluir. Então, a relevância é brutal, porque é o primeiro passo para que a gente consiga buscar esse caminho”, complementou.
O anteprojeto conta com 89 páginas e reuniu propostas de conselheiros, movimentos externos e torcedores organizados para reformulação de diversos tópicos. O planejamento, como definido anteriormente por Romeu Tuma Júnior, presidente do CD, inclui a deliberação no Conselho em novembro, seguido da ratificação da Assembleia Geral dos associados, em dezembro.
“Eu também estou nesse pacote dos conselheiros que receberam agora. Por quê? Porque eu não integro a Comissão de Reforma Estatutária. Isso foi um trabalho árduo, realmente, que eles fizeram, porque imagina amealhar todas as propostas que chegaram e conseguir colocar num texto com o mínimo de coerência possível, no começo, meio e fim. Tanto é que ficou um anteprojeto muito extenso: 89 páginas", destacou Pantaleão.
"Eu não estou acompanhando com detalhes esses próximos passos, não posso te dar essas datas por conta disso, eu estou lá voltado a um outro tipo de atividade dentro do conselho e também recebi, juntamente com os outros conselheiros, praticamente hoje. Mas vai permitir um CEO, como eventualmente a figura do CEO, o Corinthians não vai admitir jamais uma separação do Parque São Jorge com o futebol como um todo, está aí uma possibilidade já a própria questão da SAF", continuou.
Sobre as SAFs, o conselheiro relembrou sobre a mudança tributária do modelo societário a partir de 2027, com período de transição de cinco anos, incluindo o fim do regime especial para os primeiros anos e substituição de tributos. As reuniões com o projeto Safiel, que se encontrou com Romeu Tuma Jr. e Osmar Stabile, presidente do Corinthians, mostram uma alternativa de clube-empresa ao Timão.
"Ao se avançar nessa reforma tributária, me parece que a existência de SAF se torna uma coisa praticamente obrigatória. Até por essa economia tributária que você acabou de mencionar, que isso não repercute valores altíssimos. Agora, a questão é o formato da SAF. Você falou da Safiel, mas é um dos modelos, um dos exemplos. A gente não pode eventualmente ficar considerando a Safiel como se fosse a única possibilidade existente", comentou.
"Eu acho que tem que ser ouvidas várias possibilidades. O que precisa acontecer em uma velocidade muito grande, é de fato a profissionalização. O formato da profissionalização é algo que vai precisar ser discutido, porque hoje você tem a Safiel com mais relevância até na imprensa, nas redes sociais e tudo mais. Mas você pode vir a ter um outro modelo de SAF, que é o que nós comentamos aqui, que eventualmente venha também a despertar o interesse por inúmeras razões”, esclareceu Pantaleão.
Ao contrário do divulgado inicialmente, uma aprovação de investidores para uma SAF não precisaria do crivo do Conselho Orientação (Cori), que emitiria uma recomendação ao processo, mas sem afetar o resultado final no Conselho Deliberativo. Além disso, a votação da Assembleia Geral precisaria de dois terços de votos favoráveis dos presentes para consolidar a mudança. 51%, no mínimo, ainda pertenceria ao Corinthians.