Corinthians planeja divulgar relatório da EY mesmo após anunciar 'cláusula de sigilo'
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Por Matheus Fiuza e Marco Bello
Osmar Stabile deve divulgar em breve os resultados do relatório da EY
Rodrigo Coca / Agência Corinthians
O Corinthians confirmou, na última segunda-feira, o recebimento do relatório da Ernst & Young (EY), empresa contratada no início da gestão do ex-presidente Augusto Melo. Embora não tenha dado detalhes sobre o conteúdo, o clube deve divulgar os resultados apresentados pela consultoria.
Em nota, o Timão afirmou que "os contratos analisados são protegidos por cláusula de sigilo e confidencialidade". Entretanto, de acordo com o jornalista Marco Bello, apresentador do Tabelando, programa da grade do Meu Timão no YouTube, as cláusulas se referem apenas aos valores pelos serviços prestados ao clube.
Dessa forma, o Corinthians teria o direito de divulgar as análises feitas pela empresa, que englobam diagnósticos financeiros e administrativos, além de aspectos de governança e planejamento estratégico. Segundo o jornalista, a expectativa é de que o presidente Osmar Stabile revele os conteúdos em breve.
O relatório se situava em um imbróglio pela falta de pagamento do acordado entre as partes. Como trouxe o Meu Timão, a atual diretoria encaminhou a quitação da dívida e pôde ter acesso ao conteúdo feito pela EY ainda em 2024.
Entre diversas tarefas, a EY chegou ao Parque São Jorge no início de 2024 para revisar detalhadamente os contratos firmados nas administrações de Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves, antecessores de Augusto Melo. Os contratos analisados foram:
- Indigo Estacionamentos (responsável pelos estacionamentos da Neo Química Arena);
- OneFan (responsável pela bilheteria da Neo Química Arena);
- OneFan (também responsável pelo Fiel Torcedor);
- A&B Arena (responsável pelos alimentos e bebidas da Neo Química Arena);
- SPR (responsável pela confecção de itens licenciados do Corinthians);
- EA9 (responsável pelas franquias das lojas);
- Lounge Brahma (responsável por um camarote na Neo Química Arena);
- Brax (responsável pelas placas de publicidade da Neo Química Arena).
O Meu Timão, em março, revelou acesso a uma troca de e-mails entre a consultoria e representantes do clube, realizada no começo de maio do ano passado. Além de avaliar os contratos em questão, a EY também investigou os dirigentes envolvidos, seus familiares e empresas associadas por meio de um processo conhecido como "Background Check & Screening".
Apesar de os resultados serem entregues em maio de 2024, a antiga gestão optou por não divulgar publicamente o relatório, tampouco aos órgãos internos. Em entrevista ao Meu Timão, Augusto Melo, que sofreu impeachment em agosto deste ano, negou que teria recebido o relatório. "Nas minhas mãos não está. Nunca recebi esse relatório. Nunca chegou esse relatório na minha mão. Isso é mentira. Ao contrário, cobramos muito isso. (...) Nunca me deram o relatório", comentou o ex-mandatário.
Onde estava o relatório?
Segundo divulgado pela Gazeta Esportiva, em março, a EY não teria encontrado nenhuma irregularidade tanto nos contratos quanto nas investigações. O Corinthians, por sua vez, não pagou pelo trabalho - a dívida seria de cerca de R$ 1 milhão. Assim, a empresa não disponibilizou mais cópias do relatório.
Os resultados do relatório, segundo a reportagem, foram entregues em uma reunião no dia 6 de maio de 2024, com presença de Rozallah Santoro (à época diretor financeiro), Yun Ki Lee (então diretor jurídico) e Fernando Perino (ex-diretor adjunto do jurídico).
Também em entrevista ao Meu Timão, em março deste ano, Vinicius Cascone, ex-diretor jurídico, esclareceu que o Corinthians não conseguiu cumprir com os pagamentos junto à empresa, motivando a quebra do contrato. Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, chegou a reclamar de não ter tido acesso ao relatório.
Contrato da VaideBet

O contrato da VaideBet também teria sido analisado
Jozzu/Agência Corinthians
Além dos contratos das gestões passadas, Augusto Melo também teria pedido para a EY investigar o acordo de patrocínio máster com a casa de apostas VaideBet, que rescindiu com o clube em maio de 2024 após as polêmicas sobre o suposto caso de laranja na intermediação.
Primeiro, a Ernst & Young faria uma investigação da documentação de todo o acordo. Depois, de todo o background das empresas envolvidas e dos contratos, até entrevistando os "profissionais-chave" do acordo.
A averiguação, porém, teria sido cancelada em 18 de junho, quando o diretor adjunto financeiro Luiz Ricardo Alves, conhecido como Seedorf, enviou um e-mail a pedido de Augusto Melo para suspender a investigação para buscar irregularidades. Mesmo sem ter sido concluído, o trabalho gerou uma cobrança de R$ 122 mil da EY.
Atualmente, o caso VaideBet chegou até a Justiça de São Paulo, que tornou Augusto Melo e outras pessoas ligadas à diretoria do clube na época réus em julgamento que não teve data marcada.
