Raniele reconhece falhas e cobra mais atitude do Corinthians após derrota para o Santos
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Por Marina Borges e Vitor Chicarolli
Raniele falou com a imprensa após o revés no Clássico Alvinegro
Rodrigo Coca / Agência Corinthians
O Corinthians saiu derrotado por 3 a 1 do confronto com o Santos, na última quarta-feira, na Vila Belmiro, pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro. O único gol do Timão foi anotado pelo volante Raniele, que falou após a partida sobre o desempenho da equipe e os fatores que levaram ao revés.
Questionado sobre uma possível falta de energia e sobre o time "escolher" jogos para se dedicar mais, Raniele negou a acusação e admitiu que a postura na primeira etapa foi abaixo do esperado.
“Não, eu acho que o fato de escolher a frase 'escolher jogos' eu acho que não condiz com o que a gente faz. Eu acho que, lógico, tem jogos em que a gente tem desempenhos bons e desempenhos ruins, mas a gente é. Se a gente fosse escolher, a gente escolheria todos. Então não tem essa, não é esse jogo aqui. 'Lá, entrar é mais um. Ah, esse aqui, lá vamos entrar e vamos dar vida'. Não tem isso. Só que tem jogos que acarretam momentos diferentes”, afirmou.
O jogador destacou que o Corinthians até começou bem, mas não conseguiu sustentar a intensidade depois do gol adversário.
“Se a gente fizer um recorte dos primeiros cinco minutos ali, a gente conseguiu ter uma posse, a gente conseguiu colocar eles em bloco baixo em alguns momentos de construção. E aí, estádio cheio, estádio lotado, eles com toda a mobilização que fizeram para o time fazer um gol. Com três minutos, o ambiente virou e ficou proporcional pra eles. Então, eu acho que não tem essa de escolher jogos. O jogo foi dificultado pela nossa atitude, pela nossa maneira de jogar. E acho que faltou um pouco de atitude da gente no jogo, principalmente no primeiro tempo.”
Raniele também foi questionado sobre a dificuldade do elenco em manter o foco e a motivação em todas as partidas. O volante admitiu que não esteve bem individualmente e explicou que o problema passa mais por entender o estilo e o ritmo dos confrontos do que por falta de vontade.
“A última pergunta, eu realmente reconheço que o primeiro tempo foi muito abaixo, meu individualmente falando. Eu acho que, se a gente for falar de motivação, cada um tem seu estado de vida, cada um tem a sua carreira, cada um sabe onde pisou, onde quer pisar. E a minha motivação é vestir essa camisa, representar a minha família, representar a torcida do Corinthians.”
O jogador ressaltou que a equipe precisa se adaptar melhor às circunstâncias de cada duelo, especialmente contra adversários que pressionam desde o início.
“Acho que às vezes a gente sabe como é que é o futebol brasileiro, então o Santos é um time que pressionava muito, o primeiro tempo fazia muito esse tipo de jogo... Eu acho que às vezes não depende muito de motivação, acho que tem que entender, às vezes, o jogo. Também, contra o Flamengo, por exemplo, foi um time que pressionou muito a gente. E a gente conseguiu achar soluções para a pressão deles, contra o Inter também. O primeiro gol que a gente faz é um gol que a gente fica mais de um minuto com a posse", afirmou.
"E esse jogo, a gente não estava achando essas, porque com certeza a gente vai achar times que são capazes de pressionar a gente, de roubar a bola. Então, acho que a gente precisa entender mais esses momentos, que quando não dá para jogar, não dá para jogar, não dá para jogar por dentro. A gente tem que fazer uma alternativa, tem que mudar para uma ligação direta. Se eles estão pressionando alto, a gente usa as costas da linha deles", completou Raniele.
Segundo ele, o elenco precisa evoluir na leitura das partidas para não repetir erros. “Eu acho que vai muito mais da gente entender o momento do jogo do que realmente alguma motivação ou algo que não. 'Agora eu inspirei aqui, vou jogar'. Esse não se encaixa muito bem no que foi, no que faltou hoje. Acho que todo mundo que jogou hoje sabe o que precisa fazer e o que precisa para se motivar, para se sentir inspirado por jogos. Mas acho que não foi exatamente essa a situação que a gente viveu hoje. Acho que a gente precisou entender um pouco mais qual que era o estilo do jogo."
Por fim, o volante comentou sobre a dificuldade da equipe em engatar uma sequência de vitórias. Raniele afirmou que o Corinthians merecia melhor sorte nas rodadas anteriores e que a falta de concentração em momentos decisivos tem custado caro.
“Os jogos na semana passada, eu acho que não seria loucura nenhuma falar que a gente mereceu a vitória nos três. Infelizmente, não aconteceu. E por detalhes, contra o Flamengo, um momento de desatenção, um lateral que era nosso e deu para eles, e acabou que a gente perdeu os pontos. Contra o Inter, um lance no final que, na minha opinião, não foi. E aí, contra o Mirassol, a gente conseguiu fazer o nosso trabalho da mesma maneira que tinha feito nas outras duas partidas e venceu o jogo", opinou.
“Mas se a gente leva os três pontos nessas três partidas, acho que não seria loucura nenhuma. Então, acho que tudo se resume a detalhes. A gente tomou um gol de bola parada com três minutos de jogo. Tomamos um gol indefensável, num chute que o Barreal foi muito feliz, e um gol de pênalti. Com toda a merd* que a gente fez no jogo, com todo o mau desempenho que a gente teve, a gente ainda tomou três gols que foram de outro, de pênalti. Então, a gente tomou três gols que, por detalhes, a gente escapa de ter resultados. Então, acho que ter concentração é manter concentração 100% do tempo, porque a gente não pode mais estar fazendo isso. A gente não pode mais entrar em jogos da maneira que a gente está entrando, e não pode se repetir esses resultados", concluiu Raniele.
Com o resultado, o Timão segue na 12ª colocação, com 33 pontos, dez a mais que o Fortaleza, primeiro time dentro da zona de rebaixamento. A equipe volta a campo neste sábado, diante do Atlético Mineiro, às 18h30, na Neo Química Arena.
