Safiel ajusta proposta e busca modelo mais democrático de participação da torcida no Corinthians
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Por Marina Borges, Matheus Pogiolli e Rodrigo Vessoni

Idealizadores do projeto de SAF voltado ao Corinthians detalham mudanças em relação à primeira versão do modelo
Reprodução / YouTube
Dois dos idealizadores da Safiel, Carlos Teixeira e Eduardo Salusse, concederam nova entrevista ao Meu Timão para detalhar as mudanças no projeto de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) voltado ao Corinthians. Eles afirmam que o modelo evoluiu em relação à primeira versão e agora busca simplificar a participação da torcida, com prioridade para pequenos investidores e regras que evitam concentração de poder.
Segundo Salusse, advogado e diretor jurídico da Safiel, a proposta parte da premissa de que o clube precisa de capital e de gestão profissional para destravar o valor de seus ativos.
“O Corinthians tem uma série de ativos do futebol, ativos físicos, materiais e materiais, como reputação, estádio, equipe, jogadores, direitos econômicos, federativos, enfim. Essa massa de ativos tem que gerar caixa, tem que gerar riqueza. (...) O Corinthians precisa de capital. Para que a gente convença o investidor a colocar capital, eu preciso ter gestão. Ninguém coloca o seu dinheiro dentro de uma entidade, dentro de uma instituição que será mal gerida. Absolutamente ninguém. Nem eu, nem você, nem um torcedor.”
A ideia, acrescenta, é separar a operação do futebol da dívida e da política do clube. “Essa nova entidade descontaminada de política, com gestão profissional, possa administrar este negócio que é maravilhoso, chamado futebol, e fazer com que a gente tenha uma multiplicação da capacidade do Corinthians de gerar caixa, de gerar resultado e felicidades, não só financeiras, mas também emocionais, esportivas, para todos nós.”
Carlos Teixeira, CEO do projeto, detalhou de que forma o torcedor poderá investir. Ele explica que a distribuição das ações foi reformulada após críticas à primeira proposta.
“Quando a gente lançou, nós agrupamos a distribuição de ações de maneira equivocada que dava a impressão que a gente criava castas de corintianos dentro dessa nova empresa. Então, o que a gente melhorou nesse ponto especificamente foi que nós agora padronizamos um tipo de ação só para todos os corinthianos. (...) Existe um limite máximo, isso é muito importante que todos saibam, porque nenhum corinthiano pode ter sozinho controle relevante.”
O valor inicial da cota foi definido em R$ 200, para permitir acesso amplo. “Se um torcedor do Corinthians, que tem uma origem simples e humilde, quiser participar e quiser votar no Corinthians com R$ 200, ele vai conseguir fazer parte da Safiel.”
Mais dinheiro = mais poder de decisão?
Teixeira afirmou que a participação dará direito a voto em órgãos-chave da nova empresa. O peso do voto, entretanto, seguirá o número de ações adquiridas. “O torcedor vota de acordo com o percentual de cotas que ele tem. Entretanto, é importante dizer que o controle é pulverizado. A gente tem milhares de torcedores e ninguém tem concentração.”
O projeto também prevê a entrada de investidores institucionais, mas sem poder de decisão. “Nós teremos, além das ações que poderão ser compradas pela torcida, um outro tipo de ação que é voltado para empresas que fazem investimentos, chamado investidor institucional. (...) Esse investidor institucional entra como acionista da SAF do Corinthians, da Safiel, só que ele não vai ter direito a voto. Ele vai comprar um tipo de ação onde ele participa da valorização”, explicou.
A meta de captação, segundo Teixeira, será superior à apresentada na primeira versão, quando o valor estimado era de R$ 1,5 bilhão. Embora não tenha detalhado números, ele reforçou que o montante precisa ser suficiente para dar fôlego financeiro ao clube. “Eu preciso trazer um valor que me dê fôlego para pagar a dívida, para negociar a dívida e que eu possa fazer investimentos. (...) A gente imagina que o Corinthians tenha muitas necessidades que ainda não vieram à tona.”
Inspiração de modelo
Os idealizadores explicaram ainda que o Safiel se inspirou em experiências internacionais. “Eu adoro o modelo do Bayern como uma comparação aqui, apesar de ela não ser absolutamente igual, porque a lei na Alemanha é diferente da lei aqui no Brasil. Mas, guardada essa diferença de ordem legislativa, o princípio é exatamente o mesmo.”
O diferencial, segundo eles, é que o controle segue nas mãos da torcida, mas com governança independente. “Porque um clube de futebol é, ao mesmo tempo, paixão e razão. Então, a gente precisa trazer, sim, representantes dos torcedores no conselho de administração, mas a gente precisa ter a razão ali imperando também. Então, a gente gosta muito do modelo do Bayern e ele serviu de inspiração para nós.”
Para Teixeira e Salusse, o desafio agora é estruturar a nova captação, garantir credibilidade ao mercado e convencer a torcida de que o modelo pode abrir um caminho de sustentabilidade. “Eu gosto muito do meu sonho: é a Safiel ultrapassando o Bayern, porque eles são um exemplo de gestão e é um clube que seguiu um caminho muito parecido com esse que a gente está propondo".