Osmar Stabile defende transformação no Corinthians e reforça necessidade de reforma do estatuto
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Por Marina Borges, Alexandre Gimenes e Matheus Pogiolli
Stabile defende transformação no Corinthians e reforça necessidade de reforma do estatuto
Matheus Pogiolli / Meu Timão
Osmar Stabile, eleito presidente do Corinthians na noite da última segunda-feira, voltou a defender mudanças estruturais no clube e destacou a urgência em reformar o estatuto. Segundo o dirigente, a proposta busca alinhar o texto às normas da Lei Geral do Esporte, garantindo mais responsabilidade aos futuros administradores.
“No primeiro momento em que assumi, depois de três dias, enviei uma carta ao presidente do Conselho Deliberativo para expor minha posição. O estatuto precisa ser mudado, evoluído. O estatuto do Corinthians deve ser redigido de acordo com a Lei Geral do Esporte, para dar muito mais responsabilidade a quem vier administrar, de modo que a pessoa se responsabilize pelo clube. Vou me colocar à disposição do Corinthians e ser responsável o suficiente para implementar as mudanças necessárias. Nós precisamos mudar”, iniciou Stabile.
O mandatário reforçou que não há mais margem para erros e que a transformação do clube passa por decisões duras e pela quebra de paradigmas que fazem parte do dia a dia alvinegro.
“Vou repetir: nós temos que transformar o Corinthians. Chegou o momento. Nós não podemos errar mais. Pequenos erros poderão acontecer, e vocês vão me cobrar, mas procurar acertar. Eu quero consertar a situação atual do Corinthians. Vai ter que cortar na carne, vão ter que quebrar um monte de paradigmas. Pessoas que estão acostumadas a conviver", completou.
Stabile também ressaltou que não pretende enfrentar o desafio sozinho. Para ele, a união entre diretoria, imprensa e torcida é fundamental para que o Corinthians alcance um novo patamar de gestão.
“Se eu tiver qualquer dificuldade de administrar o Corinthians, eu vou falar para vocês da imprensa. Sozinho não vou conseguir. Essa vontade eu tenho, só preciso de apoio. Eu não vou deixar a mesma coisa que aconteceu no passado recente. Passado lá atrás serve como base para a gente conhecer hoje e para a gente planejar o futuro. E o futuro do Corinthians será melhor. Se depender do Osmar Stabile, vamos transformar o Corinthians. E preciso do apoio de todos. Nós temos que mudar. Se eu tiver qualquer dificuldade, eu vou falar para vocês. Não vão conseguir me calar", concluiu o presidente alvinegro.
O que está em jogo com a reforma do estatuto?
Nos bastidores e entre torcedores organizados, a reforma do estatuto é vista como um divisor de águas para o futuro do clube. O documento que rege o Timão foi redigido em 2008 e já não acompanha a realidade do futebol moderno. A ideia é atualizá-lo com base na Lei Geral do Esporte de 2023, que estabelece princípios como transparência, responsabilidade, integridade e prestação de contas. Isso inclui até mesmo a possibilidade de presidentes responderem com o próprio CPF em casos de gestão temerária.
Entre as mudanças mais discutidas, estão a criação de pré-requisitos para dirigentes, o fortalecimento de mecanismos de governança e o fim da politização excessiva na nomeação de cargos estratégicos. Outro ponto é a revisão do papel do Conselho Deliberativo e do Cori, que atualmente têm ex-presidentes como membros natos e vitalícios, o que acaba blindando gestões anteriores de maior responsabilização.
A participação da torcida também é vista como essencial. Há propostas para ampliar o colégio eleitoral, criar um Portal da Transparência e permitir maior fiscalização da Fiel sobre decisões administrativas. O objetivo é democratizar o processo e resgatar o DNA popular do Corinthians.
Outro debate que depende da reforma estatutária é a possibilidade de o clube se tornar uma SAF (Sociedade Anônima do Futebol). Apesar da resistência de parte da torcida, existem discussões sobre modelos alternativos, como o projeto SAFiel, em que os torcedores teriam protagonismo na gestão. Ainda assim, qualquer movimento nesse sentido exige mudança na base legal do clube.
Por fim, o estatuto também precisaria tratar da relação com o clube social, historicamente apontado como deficitário, e propor mecanismos de sustentabilidade para modalidades olímpicas e outras atividades do Parque São Jorge.
No geral, a reforma é encarada como uma oportunidade de modernizar o Corinthians, profissionalizar a gestão e aproximar novamente o clube de sua torcida. Para muitos, é a única forma de superar a crise política e financeira que atualmente já supera a marca dos R$ 2 bilhões em dívidas.
