Erika comenta volta por cima e diz que quer renovar com o Corinthians
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Por Victor Godoy. Gustavo Lima e Bruno Pantarotto
Erika vive seus últimos meses de contrato com o Corinthians
Rodrigo Gazzanel / Agência Corinthians
Tida como uma das lideranças do Corinthians Feminino, Erika vive seus últimos meses de contrato com as Brabas. No Parque São Jorge desde 2018, a defensora de 37 anos comentou a volta por cima recente que deu no clube e ainda destacou que quer seguir vestindo o manto alvinegro.
“Você tem que falar isso para eles (diretoria). A gente já conversou ali um pouquinho, mas eles sabem que é o que eu falei. Cada dia para mim está sendo cada dia. E é o mais importante isso, eu fico muito feliz porque hoje eu não me vejo mais no DM. E quando a gente fala no DM, às vezes para vocês (imprensa) é muito vago. Cara, eu fiquei 19 anos na Seleção Brasileira e, do nada, depois que eu me machuco. Eu não consigo mais voltar. E hoje, por três anos, eu sentia uma dor que aí você fala: 'o que está acontecendo? Será que acabou realmente?' Eu não desisti, e pessoas do meu lado não me deixaram desistir. O Lucas (Piccinato) foi um desses. Quando eu tive que permanecer esse ano, ele falou: 'vai dar tudo certo, você vai jogar. Vai depender de você, mas você vai.'", destacou a defensora.
"Está sendo muito importante isso para mim. Parece muito vago falando, parece muito besta, mas é muito importante que nós, até mais velhas. Ele dá essa oportunidade. Então, quando a gente fala de renovação. Cara, se renovar, legal. Se não renovar, amém também. Galera já fez o que tinha que fazer. Eu estou fazendo o meu máximo, pode ter certeza. Desafio a cada dia. E eu sigo trabalhando. Se eles quiserem, estou aí. Se não quiserem, está tudo bem também. Mas a gente vai conversando ali nos bastidores, vai um pouquinho. Vamos esperar até o final do ano. Mas estou querendo, só fica a dica aí, eu estou querendo”, completou.
O período que Erika destacou perdurou entre o fim de 2021 até 2023. Nesses quase três anos, a zagueira passou por quatro cirurgias para tratar rompimento dos ligamentos cruzados anteriores do joelho direito e, no último procedimento, realizou uma meniscectomia no joelho esquerdo.
Assim, a defensora disputou apenas dez jogos em 2022 e ficou 2023 sem entrar em campo, dando a volta por cima apenas em 2024. Agora, vem se firmando como uma peça de confiança do técnico Lucas Piccinato em meio à ausência de Mariza, que está no departamento médico.
Como manter o ânimo após tantas conquistas e com 37 anos?
Erika não é a única jogadora do Corinthians com mais de 35 anos. A lateral-esquerda Tamires também já tem 37 anos e a atacante Gabi Zanotti completou 40 anos em 2025. A defensora comentou que é bastante importante estarem focadas para manterem o ânimo de jogar.
“Trabalhar com a Tamiroca (Tamires), eu trabalho desde os 15 anos com ela. Então, para mim, é sensacional também. É uma pessoa muito especial na minha vida, que me ajuda muito. Todos os dias, com brincadeiras, com conversas, com xingamentos, enfim, nós temos uma amizade gigantesca. E aí, quando você fala, você fala das 'véias'. Porque você falou de mim, da Tamiroca e das amantes. São pessoas ali que a gente está bem concentrada no que a gente quer. Nós estamos bem focadas no que a gente quer e eu acho que não acabou", apontou a zagueira.
"Então, todos os dias pra mim é um desafio, pode ter certeza. Pelas quatro lesões que eu tenho, o joelho não é fácil. Então, todos os dias ali eu tenho desafio. E eu trago isso, às vezes, para elas. Eu quero que elas valorizem o que elas têm hoje. Tem muita gente da nossa idade, ou um pouco mais velha, que fala assim: 'você tem que passar o que a gente passou.' Não, não, não. Não quero que nenhuma delas passe. Então, é isso que a gente acha que tem pra levar para o grupo", emendou.
Apesar do ânimo, Erika também relatou como é difícil para ela mesma compreender que está mais velha e muitas vezes precisa ter a carga dosada: "Às vezes, eles tiram a gente para o controle de carga. Por tudo, obviamente, eu brinco mais, é por idade, por joelho, por condições físicas. E a gente não quer sair. A gente briga com eles. 'Por que vocês estão tirando a gente?' A gente está bem, eu estou me sentindo bem. A gente quer isso todos os dias. E eu acho isso fantástico. Então, para você jogar aqui no Corinthians, você tem que ter isso. E algumas ainda faltam ali. Acho que não entenderam com a essência de vestir a camisa do Corinthians. Então, por isso que a gente tenta de pouquinho em pouquinho incentivá-las. E eu espero que tenha jogadoras. mais velhas pra isso, sim. Porque é muito importante um grupo como o nosso.”
No futebol profissional desde 2005, Erika já defendeu Santos, Foz Cataratas e Centro Olímpico antes de vestir a camisa do Corinthians. Fora do Brasil, atuou pelo FC Gold Pride, dos Estados Unidos, e pelo Paris Saint-Germain, da França. Também soma 65 jogos pela Seleção Brasileira.
No Corinthians, são 20 gols e 11 troféus conquistados em 130 jogos. A expectativa é que neste ano levante mais taças junto às Brabas, que ainda almejam os títulos do Brasileiro, do Paulista e da Copa do Brasil, além da Libertadores, que será disputada em outubro.
