x

Kazim relembra episódios da passagem no Corinthians e uma proposta inusitada do rival

1.9 mil visualizações 10 comentários Reportar erro

Por Meu Timão

Kazim marcou o gol da vitória do Timão sobre o Avaí, na 34ª rodada do Brasileirão 2017

Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

O atacante britânico-turco Colin Kazim-Richards chegou em 2017 no Corinthians e atuou apenas por 37 jogos. Apesar da curta passagem, ele fez um gol importante na campanha do heptacampeonato brasileiro e instaurou uma identificação fora do comum com o clube e a torcida.

Em entrevista à Central do Timão, o Gringo da Favela, como era apelidado nos tempos de jogador, relembrou sua passagem no Corinthians e uma proposta inusitada do rival. Kazim ainda se declarou à Fiel.

Abaixo, o Meu Timão separou os melhores momentos da entrevista. Confira!

Kazim no Palmeiras? Não, no México!

Kazim teve proposta para jogar no Palmeiras, mas o coração alvinegro não permitiu um avanço

Kazim teve proposta para jogar no Palmeiras, mas o coração alvinegro não permitiu um avanço

Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Em 2017, Kazim foi contratado do Coritiba. Ele não conseguiu render em campo e foi reserva de naquela campanha. Já em 2018, ele iniciou a temporada em busca de espaço. Ao todo, foram apenas 37 partidas entre os dois anos.

Porém, mesmo com o desempenho oscilando, a atitude em campo chamou a atenção do Palmeiras. O rival da Barra Funda se interessou pelo gringo logo no começo de 2018, mas as conversas não se concretizaram.

"Palmeiras tentou me contratar quando estava no Corinthians. Porque eles queriam me trocar com o Borja, queriam um perfil de jogador que tivesse raça. Foi em 2018, depois do Paulista. Não tinha jogado sete jogos (no Brasileirão) e houve o contato. Até troquei por rivais (na Turquia), porque é trabalho… Mas com o Corinthians... pegou o coração total. Falei pro Mateus (empresário) que era melhor não e depois fui para o México", relembrou Kazim à Central do Timão.

Ele preferiu deixar o Parque São Jorge para atuar na segunda divisão do México, no Lobos BUAP. O coração alvinegro impossibilitou um avanço nas conversas com o rival. “Eu não queria ir embora (do Corinthians). Mas eu já tinha 32 anos. Se não jogasse no Corinthians, o próximo passo seria difícil. Não queria sair, mas como homem, como adulto, você precisa fazer coisas que não quer. Era obrigado”, afirmou.

O sonho de vestir a camisa do Corinthians e a paixão da Fiel

Kazim entrando na Arena durante apresentação do elenco para temporada 2017

Kazim entrando na Arena durante apresentação do elenco para temporada 2017

Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Kazim atuou por grandes clubes antes do Corinthians. Além do próprio Coritiba, no Brasil, o atacante teve seis entre Fenerbahçe e Galatasaray, na Turquia, e ainda passou por clubes como Feyenoord, da Holanda, e Celtic, da Escócia. Porém, para ele, nada se compara a grandeza do clube do Parque São Jorge e a paixão da sua torcida.

Vou falar uma coisa de verdade, não só porque sou corinthiano, o Corinthians é gigante. Um monstro. Os times de fora acham que são grandes, mas não são. Não falo isso pra agradar à torcida. Os times da Europa que parecem grandes, não são maiores que o Corinthians dentro de seus países. Se o Corinthians tivesse 11 times jogando em São Paulo no mesmo dia, 11 estádios diferentes, os 11 estariam lotados”, disse Kazim.

"Foi um sonho. Quando eu olho a televisão, me lembra a Seleção Brasileira, jogadores negros como Rivaldo, sabe? Na Inglaterra não tinha isso, não me sinto um inglês, minha cultura é muito diferente. Fiz uma partida boa contra o Corinthians (pelo Coritiba) e me chamaram depois. Tenho conversas com o Alessandro (ex-gerente de futebol), que sempre foi profissional, meu amigo, e foi muito bom", se declarou ao lembrar o sonho de atuar pelo Timão.

O atacante britânico-turco chegou ao time já com 31 anos, um jogador tarimbado. Mesmo acostumado com as torcidas calorosas da Turquia, a Fiel foi um impacto. A maneira da torcida do Corinthians empurrar o time também é diferente das demais, para Kazim, que guarda um jogo específico na memória.

"Quando uma torcida, especificamente do Corinthians, apoia você, é igual mais 10 pessoas no campo. Infelizmente não fiz muitos gols, mas prefiro fazer aquele gol do que fazer outros 20 e não valerem nada. Na comemoração, fui muito bravo, sabe, e quase chorei. Porque a torcida sempre tenta te apoiar", disse.

O gol em questão saiu contra o Avaí, na 34ª rodada do Campeonato Brasileiro 2017. O Timão havia feito uma gordura na liderança, mas estava em má fase na reta final do campeonato. Kazim marcou o tento da vitória sobre o rival, dentro da Neo Química Arena, e colocou a mão do Corinthians de volta na taça.

As broncas de Craque Neto

Kazim e seu filho durante o treino no CT Joaquim Grava

Kazim e seu filho durante o treino no CT Joaquim Grava

Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Se o gol contra o Avaí marcou um momento mágico no Corinthians, por outro lado, toda a passagem de Kazim foi criticada por parte da torcida e da imprensa. Neto, o ídolo da década de 90, somou algumas críticas ao jogador e a todo elenco do Timão. As mágoas de antes são coisa do passado, mas Kazim ainda pede mais responsabilidade ao ex-jogador.

“O torcedor se afeta com o que ele fala, e ele joga gasolina. Então beleza, você é ídolo. Eu não vou discutir isso. Talvez ele tenha ganho o título mais importante da história do Corinthians. Ele fez coisas boas, porque ele é a cara do Corinthians, dentro de campo e agora também fora. Aqui, futebol é vida. Não é igual na Inglaterra. Lá o torcedor não fala nada na rua. Se você perdeu ou ganhou, pode ir comer em um restaurante com a família. Aqui é diferente. O Neto precisa entender isso. O que ele fala tem responsabilidade. Pode dar opinião, dizer que eu sou ruim, mas não fala coisas pessoais”, afirmou.

Uma dessas broncas se sobressaiu: o desabafo de Neto no programa Donos da Bola, no final de 2017, quando o Corinthians ainda tinha chances de perder o título brasileiro para o Palmeiras. Kazim confirmou que o episódio inflamou o elenco, que inclusive ganharia do rival dentro da Neo Química Arena naquela ocasião. Porém, houve consequências pessoais ao jogador.

“Sim, ele deu o fogo pra gente (com o episódio do pão), deu gás. Quando meu filho ia pra escola, as crianças falavam: ‘Viu o que o Neto falou do seu pai?’. Não é por ser eu, pode falar que eu sou ruim, mas quando mexe com meu filho, minha esposa... Eu acho que ele ama o Corinthians, isso não é falso. Mas ele precisa entender o impacto que tem no povo, no torcedor. E não só no Corinthians. Porque quando ele enche o saco de um jogador, os outros torcedores também começam a pegar no pé”, concluiu Kazim.

O legado de Memphis e a carreira atual de Kazim

Kazim, em 2017, e Memphis, em 2025, são os

Kazim, em 2017, e Memphis, em 2025, são os "Gringos da Favela" do Timão

Daniel Augusto e Rodrigo Coca / Ag.Corinthians

O novo gringo do Corinthians é Memphis Depay. Kazim já atuou contra o astro holandês quando estava no Feyenoord, da Holanda, entre 2014 e 2016 — Memphis atuava no PSV. Os jogadores se conhecem e o respeito é mútuo. Além do próprio Timão, eles têm em comum a pressão sofrida por conta da nacionalidade estrangeira.

Sempre jogamos contra, eu tenho respeito por ele (Memphis) e ele por mim. Quando jogava no PSV, ele era jovem e já foi artilheiro do campeonato holandês”, começou Kazim sobre o companheiro.

Esse ano, ele foi incrível. Mas as pessoas esquecem como é difícil. É como pegar um menino de Manaus e deixar ele no Nordeste da Inglaterra. É outro mundo. Isso é duro até pra adulto de 50 anos, imagina pra um jovem. Eu gosto muito de coisas que ele faz dentro de campo porque ele é habilidoso. Ele é referência pro meu filho, porque meu filho tem habilidades parecidas. Eu sempre mando mensagem: ‘Segue, mano. Continua. Você é top. Esquece o que falam’. É o maior artilheiro da Holanda. E eu acho que ele pode aguentar a pressão do Brasil, porque ele é forte de cabeça”, concluiu o ex-atacante.

Agora, Kazim acompanha o atual Corinthians de longe. Ele faz parte da comissão técnica de base do Arsenal, da Inglaterra. No Brasil, ele vê uma volta como uma oportunidade e não esconde que treinaria o Timão caso fosse convocado.

Se o Corinthians me quiser, eu seria estúpido de não voltar. Acho a Copinha o melhor torneio de base do mundo. E o que falta aqui no Brasil é conexão. Conexão do Sub-20 com o profissional. Essa integração não existe. Por exemplo, no Arsenal, todo treino ou todo jogo, sempre tem um garoto do Sub-20 indo para o profissional. O treinador vai assistir aos treinos, jogos. E a Copinha é incrível. Nunca vi base com 30, 35, 40 mil pessoas no estádio. Essa é a pressão que o jogador precisa sentir. Se aguenta ali, está pronto pro profissional”, terminou o Gringo da Favela na entrevista.

Veja mais em: Kazim e Ex-jogadores do Corinthians.

Veja Mais:

  • Memphis Depay não deve se reapresentar ao Corinthians caso não tenha um acordo para renovação

    Corinthians não deve contar com Memphis Depay antes de acordo para renovação

    ver detalhes
  • Samuel Ongaratto, executivo da Fatal Fans, acredita que a taxa de rejeição da marca é normal

    Executivo da Fatal Fans detalha parceria com o Corinthians e analisa rejeição de parte da Fiel

    ver detalhes
  • Gustavo Henrique não deve ficar à disposição contra o Cascavel, no próximo domingo

    Zagueiro lida com desconforto e pode ser desfalque em amistoso do Corinthians

    ver detalhes
  • Corinthians treinou na manhã desta quinta-feira

    Corinthians realiza treino tático durante sequência da intertemporada

    ver detalhes
  • Luiz Fernando possui negociações para renovar o seu contrato com o Corinthians

    Corinthians avança por renovação de artilheiro do Sub-20; confira

    ver detalhes
  • O Setor Oeste da Neo Química Arena foi o primeiro a ganhar uma nova cara com o processo de limpeza

    Corinthians divulga avanço da limpeza da fachada da Neo Química Arena; veja fotos

    ver detalhes

Últimas notícias do Corinthians

Comente a notícia: