Stabile defende continuidade institucional, aponta sumiço de documentos e cita apuração do MP
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Por Victor Bhering e Victor Godoy
Presidente interino abordou a investigação aberta pelo Ministério Público de São Paulo, com a expectativa para a votação que pode selar o impeachment de Augusto Melo
Matheus Pogiolli / Meu Timão
Na manhã deste sábado, o presidente interino do Corinthians, Osmar Stabile, concedeu entrevista e comentou temas relevantes que envolvem o clube nos bastidores. O dirigente abordou a investigação aberta pelo Ministério Público de São Paulo na última quarta-feira para apurar o possível uso indevido do cartão corporativo do clube durante as gestões de Andrés Sanchez (2018 a 2020) e Duílio Monteiro Alves (2021 a 2023).
“O que eu sei do Ministério Público, que eu recebi, foi, dia 6, uma oitiva com o presidente (Romeu Tuma Júnior). A única coisa que eu soube a respeito disso foi que o Ministério Público entrou em contato com o presidente através do celular e solicitou uma oitiva. Nós vamos para a oitiva saber o que, na verdade, eles (MP) querem perguntar”, iniciou o mandatário alvinegro.
Stabile também citou o desaparecimento de documentos importantes no clube durante o episódio da invasão de Augusto Melo e seus apoiadores aos andares executivos do Parque São Jorge, no dia 31 de maio.
“Abrimos um boletim de ocorrência, todo mundo já tomou conhecimento, em referência do sumiço dos documentos lá do terceiro andar. No dia da invasão, eles (Augusto Melo e companhia) tiveram o primeiro acesso no terceiro andar e alguns documentos sumiram. Não dá para afirmar que foram eles que pegaram, mas a partir desse dia desapareceram. Cortaram as câmeras, não tivemos acesso para saber quem retirou os documentos aqui dentro do Corinthians", disse.
Stabile comentou sobre a polêmica fala do presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, que afirmou, em entrevista coletiva na última sexta-feira, que o clube alvinegro “precisa ser como o Flamengo”. O mandatário do Timão discordou da posição do dirigente, dizendo que o Corinthians precisa seguir buscando resolver as necessidades atuais da instituição.
"O Corinthians não quer ser time nenhum. O Corinthians é Corinthians. O que dá para fazer é um benchmarking com outros clubes, para tomar conhecimento, saber de que forma foi adotado lá. Acredito que o período lá atrás foi de uma forma, hoje deverá ser de uma forma completamente diferente, porque o mundo anda, o mundo se transforma. Nós precisamos, na verdade, saber qual é a necessidade do Corinthians. Tudo isso nós estamos trabalhando. para ver a necessidade. O que foi adotado lá atrás, pode ser que não funcione aqui na frente. Já tem outras necessidades agora", afirmou.
No próximo sábado, dia 9 de agosto, o clube realiza uma Assembleia Geral para definir a possível destituição definitiva do presidente afastado, Augusto Melo. Questionado sobre a expectativa, Stabile preferiu que a pergunta fosse direcionada aos sócios, que serão os responsáveis pela votação.
"Acho que é melhor você perguntar para o associado. Conversei com vários e percebi que a mudança foi drástica. O associado tomou conhecimento de tudo o que estava acontecendo na gestão, e acredito que ele vai vir e vai transformar. O Corinthians não pode continuar da forma que estava. Existem cinco impeachments rodando, é impossível permanecer assim", disse.
Ele também justificou o silêncio da gestão nos primeiros dois meses de crise. "Nós abaixamos a cabeça, não demos entrevista nos primeiros 60 dias, porque nós tínhamos muitos compromissos, muitas coisas que nós deveríamos cuidar antes de falar. Nós estamos cuidando", completou o mandatário interino.
Sobre o novo "Terrão"
O Corinthians inaugurou neste sábado um novo campo de grama sintética no Parque São Jorge. O piso foi pintado de laranja em referência ao tradicional Terrão, celeiro de craques do clube. Perguntado sobre a obra, Stabile evitou individualizar todo o processo realizado.
“Vamos parar com esse negócio de ‘eu fiz, eu trouxe’. Isso não resolve. O que resolve é dar sequência. Nós damos sequência a um trabalho que tinha sido realizado lá atrás (quando Augusto ainda era presidente). Eu participei da contratação da empresa quando era vice-presidente. O Alessandro, da Soccer Grass, é parceiro do Corinthians, não meu particular. É o terceiro campo feito por ele aqui", iniciou.
Segundo o dirigente, a obra estava paralisada por problemas financeiros e conflitos de agenda com o Salão Nobre, mas foi retomada após sua chegada à presidência interina.
“No dia que entrei (na presidência), a obra estava parada por problemas financeiros. A gestão chamou o Alessandro, sentamos com ele e falou: 'não abro mão das minhas datas que estavam pré-estabelecidas.' Fomos verificar, tinham alguns amigos que tinham passado as datas com alguns amigos. A gente tirou fora e voltou as datas, ele continuou trabalhando aqui e a gente vai conseguir inaugurar ainda hoje", finalizou o mandatário alvinegro.
