Coordenadora celebra geração de ouro e destaca presença da base feminina do Corinthians na Seleção
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Por Marina Borges e Maria Beatriz de Teves

Corinthians foi campeão do Paulista Feminino Sub-17 em 2024
Rodrigo Corsi / Ag.Paulistão
Em entrevista ao Meu Timão, em parceria com a página Meninas do Timão, Rafaela Esteves, coordenadora da base feminina do Corinthians, detalhou os bastidores do trabalho realizado com as categorias inferiores do clube. A profissional celebrou o desempenho das jovens atletas e comentou sobre o impacto das convocações para a Seleção Brasileira, além da presença cada vez maior de membros da comissão técnica nas equipes da CBF.
Rafaela iniciou destacando o trabalho de longo prazo desenvolvido com a atual geração do Sub-17, que tem colhido frutos ao integrar atletas ao Sub-20 e, ao mesmo tempo, manter o protagonismo em sua categoria.
“Essa geração Sub-17, eu falo que é uma geração que vem vindo de uns dois, três anos de trabalho dentro do clube. Passaram por vários treinadores, tiveram várias conquistas. Então, é o que eu sempre digo: os profissionais que chegaram esse ano ou no ano passado estão dando uma continuidade.”
A coordenadora também ressaltou o cuidado em administrar a transição das atletas entre as categorias, visando sempre o melhor momento para o desenvolvimento de cada uma.
“A gente fica muito feliz que essas atletas que você citou, que são de 2008, consigam bater no Sub-20, sustentar, ganhar a titularidade. Mas também entendemos que é importante elas encerrarem o ciclo da categoria delas, que é o Sub-17. É muito difícil o clube conseguir ter 100% do elenco fechado para três categorias. Então, acho que é importante também ter essas transições.”
Ela explicou como o clube analisa o desempenho das atletas em categorias superiores para entender melhor o estágio de desenvolvimento de cada uma.
“Às vezes, a atleta precisa de um pouquinho de estímulo na categoria de cima, entender um pouquinho mais como funciona, até para a gente poder ter esse olhar criterioso de avaliação e falar: ‘Hum, essa aqui…’ — então identificamos algo ali. ‘Acho que essa vai. Essa aqui ainda não. Vamos deixar ela aqui, dar mais oportunidade aqui embaixo, lapidar, desenvolver, formar ela aqui e, aí, sim, entendendo o momento certo, ela vai fazer a transição.’”
O mesmo processo de transição já acontece com as categorias mais jovens, como o Sub-15 e até as nascidas em 2012 e 2013.
“Esse movimento a gente já começou com as nascidas em 2012 e 2013. Elas já estão vindo para o Sub-15, já estão inseridas neste semestre. Fizemos reunião com os pais, com os familiares, com as atletas. Explicamos como vai ser, falamos um pouquinho do ano seguinte, de 2026, para eles entenderem que essa correria que eles estão fazendo agora vai render frutos lá na frente.”
Atletas da base na Seleção Brasileira
Questionada sobre a presença constante de atletas do Corinthians nas convocações da Seleção Brasileira, Rafaela não escondeu o orgulho pelo trabalho coletivo que tem possibilitado esse destaque.
“Eu acho que é o sonho de qualquer atleta representar a Seleção Brasileira, independentemente da categoria. E, quando a gente recebe as convocações, a gente fica muito feliz. Falamos para elas que é mérito delas terem sido convocadas pela boa performance, pelo resultado que mostraram durante os treinamentos, durante os jogos. Elas estão sendo vistas a todo momento.”
A coordenadora ainda lembrou que os jogos da base alvinegra são acompanhados de perto por membros da comissão da Seleção, o que reforça a responsabilidade diária de todas no clube.
“Neste sábado mesmo a gente vai ter a presença da comissão técnica do Sub-17 acompanhando o jogo — um clássico do futebol feminino, que a gente tem que enaltecer. Quando a gente recebe essas convocações, eu falo que também é fruto de um bom trabalho e de várias mãos.”
Ela também fez questão de destacar o comprometimento do clube em manter suas atletas e valorizar a continuidade do trabalho.
“Ano passado, por exemplo, foi a primeira vez que a gente não perdeu nenhuma atleta da base: conseguimos renovar com 100% do elenco. E eu enalteço isso e falo para os profissionais que estão aqui — que não foi a Rafa ou o Lucas que fez contato com os pais, intermediários, atletas, de forma alguma. Acho que é um conjunto, fruto do bom trabalho que a comissão fez. São resultados nossos, né? Então, isso também é algo que a gente tem que valorizar.”
Apesar das conquistas, Rafaela ressalta que o maior desafio é manter a consistência das atletas após as primeiras convocações.
“Quando chega esse ápice, que elas falam que é chegar à Seleção... óbvio, elas são muito novas, a gente não sabe, né? E eu falo para elas: ‘Bater lá é fácil. O difícil é sustentar.’ A gente quer que a atleta se mantenha. Esse, hoje, é o maior desafio.”
Comissão técnica também na Seleção
A valorização do trabalho na base não se limita às atletas. Rafaela também celebrou o fato de profissionais da comissão técnica estarem sendo convocados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
“Eu vejo que isso é encarado com bons olhos. Quando os profissionais recebem o convite, primeiro a CBF entra em contato conosco para entender se é possível, ver a disponibilidade, antes de comunicar diretamente ao profissional.”
Ela reforçou que esse tipo de reconhecimento é motivo de orgulho e demonstra a qualidade do trabalho realizado no clube: “E eu acho que, assim como as atletas sonham em vestir a Amarelinha, o profissional também sonha. É a entidade maior do nosso país, então a gente também não gosta de tirar esse mérito deles.”
O Corinthians, segundo Rafaela, tem estrutura para manter o trabalho mesmo com ausências pontuais na comissão.
“O legal é que a gente consegue cobrir esses profissionais. Quando, por exemplo, um profissional da categoria de cima é chamado, como temos vários profissionais aqui na base — no sentido de ter uma equipe multidisciplinar — conseguimos fazer esse rodízio. Isso é legal também, porque os nossos profissionais entendem um pouquinho como é lá em cima.”
A coordenadora finalizou destacando o compromisso do clube em seguir formando talentos dentro e fora de campo.
“É isso: é um trabalho de muitas mãos, é mérito deles. São profissionais capacitados, qualificados e cada vez mais a gente quer ver não só atletas, mas também profissionais vestindo a Amarelinha. E a gente se orgulha muito disso.”