Coordenadora do Corinthians destaca reestruturação e crescimento da base feminina do clube
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Por Victor Bhering e Maria Beatriz de Teves
Responsável por liderar a formação de novos talentos no futebol feminino do Corinthians, Rafaela Esteves falou ao Meu Timão, em parceria com o perfil Meninas do Timão, sobre os avanços estruturais da base alvinegra e os planos de médio e longo prazo para consolidar o clube como referência nacional também na formação.
"Eu acho que a gente está conseguindo fazer um bom trabalho. Ainda há muitas pessoas que cobram títulos, mas eu falo que título é consequência de um bom trabalho. A gente não pode esquecer da formação, principalmente quando se trata de categoria de base", iniciou Rafaela.
A coordenadora destacou a atenção dada às diferentes faixas etárias da formação, com melhorias recentes implementadas desde o Sub-12 até o Sub-20. A igualdade na estrutura oferecida a todas as categorias é uma das conquistas celebradas pela dirigente.
"Conseguimos estruturar um pouco melhor, este ano, o nosso Sub-12/13. O Sub-15 e o Sub-17, hoje, têm tudo o que o Sub-20 tem: a mesma estrutura, o mesmo material, a mesma refeição. Eu acho que isso é bacana. Ano passado, tivemos a chegada de novos profissionais e conseguimos ficar entre os quatro primeiros em todas as competições que participamos. Este ano, pretendemos novamente chegar entre os quatro, mas buscando, de repente, ficar entre os três", disse.
Rafaela também ressaltou a boa campanha das equipes juniores nas principais competições do calendário da base, como a Liga de Desenvolvimento e a Copa Nike, além da classificação atual para fases decisivas no Sub-15, Sub-17 e Sub-20.
"Classificamos agora para a semifinal do Sub-15, quartas de final do Sub-17 e Sub-20, então é um resultado expressivo. Fizemos uma boa Liga de Desenvolvimento, uma boa Copa Nike. Acredito que, pensando no todo, estamos desempenhando um bom trabalho. Os títulos vão vir — eu sei que o torcedor espera muito isso, e a gente também, como profissional. Não tem como não falar, ainda mais quando se trabalha em alto rendimento. Mas o importante é o pessoal acreditar no trabalho, ter confiança no que está sendo feito, que isso vai acontecer naturalmente. O que a gente pensa é levar, cada vez mais, o nome do Corinthians como referência na formação das categorias de base", afirmou.
Chegada ao Corinthians
Ao lembrar sua chegada ao clube, Rafaela revelou que o processo foi marcado por uma reestruturação pensada em conjunto com a chegada de novos profissionais. Para ela, o trabalho desenvolvido nos bastidores reflete a construção de um novo olhar para o Corinthians como formador de pessoas.
“Na verdade, quando eu cheguei, as categorias de base já existiam, com suas histórias. Acredito que a minha chegada, junto a de outros profissionais, foi mais pensando na reestruturação da base. A ideia foi trazer um olhar baseado na experiência que já tive com outros profissionais qualificados e capacitados para exercer as funções que ocupam hoje. A gente está, cada vez mais, buscando essa reestruturação no sentido de formar uma equipe multidisciplinar, com um olhar humanizado — que é o que estamos trazendo — e aproximar os pais, porque, querendo ou não, isso é importante”, iniciou.
"Eu falo: elas são crianças, estão em fase de formação e desenvolvimento, então precisamos ter essa responsabilidade compartilhada com os pais, entender o cenário em que estão inseridas. Temos o apoio do nosso patrocinador no colégio, temos uma boa conexão com tudo isso, o que faz com que o projeto cresça cada vez mais", disse.
A coordenadora também comentou sobre a nova percepção que outros clubes e observadores passaram a ter sobre a base feminina do Corinthians.
"A gente até comentou com elas: antes, olhavam para o Corinthians de uma forma. Hoje, o pessoal já começa a respeitar, olhar diferente. Isso é fruto do trabalho que foi construído e está sendo construído a muitas mãos. Não podemos esquecer o que foi feito antes — alguns profissionais saíram por diversos motivos, mas deixaram um legado, e estamos dando continuidade a esse trabalho", completou.
Vendas na base
Por fim, Rafaela abordou um tema estratégico para o futuro do futebol feminino: o olhar para o mercado e a possibilidade de vendas de atletas oriundas da base alvinegra. Segundo ela, esse é um aspecto que já está sendo amadurecido internamente no clube do Parque São Jorge.
"Com certeza. Acho que já estamos tendo outros olhares. Quando formalizamos um contrato profissional com uma atleta, é porque ela tem o aval não só da base, como do profissional. Pensamos muito nessa questão de projeção e sabemos que, em algum momento, pode haver o risco da saída — é algo que faz parte. Pensamos, sim, na venda, obviamente. E não é só pela questão financeira, mas também por entender os dois lados: o que é vantajoso tanto para o clube, como para a atleta. Esse é um movimento interno que já vem sendo bem observado, com apoio da diretoria, e acaba sendo algo muito importante", finalizou a coordenadora alvinegra.