Corinthians acerta renovação com a Nike; veja valores e duração do contrato
52 mil visualizações 424 comentários Reportar erro
Por Bruno Pantarotto, Rodrigo Vessoni e Vitor Chicarolli

Corinthians acerta renovação com a Nike por dez anos
Divulgação / Nike
O Corinthians e a Nike continuarão com a parceria que já dura 22 anos. A fornecedora concordou com as condições estabelecidas pelo Timão e seguirá como patrocinadora do clube. A informação foi divulgada pelo ge.globo e confirmada pelo Meu Timão.
O novo acordo mais que duplica os valores do contrato anterior, que era válido até dezembro. A partir de agora, serão R$ 59 milhões por ano ao longo de dez anos, com reajustes anuais baseados no IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) — algo que não estava previsto no compromisso anterior. Os números anuais da Adidas giravam em torno de R$ 53 milhões.
Como apurou o Meu Timão, a projeção é de que o novo contrato possa ultrapassar a casa de R$ 1 bilhão ao Corinthians, levando em conta bônus e outras receitas variáveis, que podem elevar o número fixo anual. O portal apurou com exclusividade que uma das metas será ativada não só com o título de determinada competição, mas sim por alcançar finais, independentemente do resultado.
Além disso, assim como seria feito pela Adidas em sua oferta, a Nike antecipará R$ 100 milhões aos cofres corinthianos. Como informado pelo jornalista Pedro Ramiro e confirmado pelo Meu Timão, há outros motivos que culminaram na decisão alvinegra, tais como:
- Caso o Corinthians ultrapasse a venda de 750 mil peças (com a gigante alemã era 1 milhão), haverá um acréscimo de mais de 25 reais por peça;
- Se houver falta de material disponível por até 50 dias, o clube pode romper unilateralmente com a empresa, contados a partir da notificação extrajudicial do Corinthians à Nike;
- Contratação de uma empresa de análise de riscos, que previu que se o clube rompesse com a Nike, poderia ter de pagar R$ 150 milhões em indenização na Justiça;
- Janela de um ano até o fim o vínculo para poder negociar com outra fornecedora, ao contrário do prazo de três meses do antigo contrato.
Algo exigido pelo presidente interino Osmar Stabile é o que denomina “melhores entregas” — um pedido recorrente da torcida — envolvendo prazos, quantidades e também a qualidade dos produtos fornecidos.
Se optasse por fechar com a Adidas, empresa que também fez proposta ao clube, o Corinthians provavelmente teria que enfrentar uma disputa judicial extensa e onerosa, já que a Nike acionou, por conta própria, uma cláusula de renovação automática do contrato vigente até 2029. Dessa forma, apesar da oferta da fornecedora alemã ser ligeiramente superior, o temor judicial pesou na escolha.
As tratativas com a Adidas começaram em 2024, ainda durante a gestão de Augusto Melo, que hoje está afastado de forma cautelar por conta do caso VaideBet. Com a negociação estagnada, a relação entre a parceira e o Corinthians voltou a se intensificar após Stabile assumir como presidente interino.
Porém, o clube não reconheceu essa extensão, uma vez que foi solicitada pela Fisia, distribuidora oficial da fornecedora no Brasil, e não pela própria Nike, o que não estava previsto em contrato.
Para selar o novo acordo com o Corinthians, a Nike apresentou uma proposta mais vantajosa financeiramente e incluiu concessões importantes, como maior flexibilidade contratual e perdão de dívidas.
A fornecedora de material esportivo aceitou abrir mão de uma porcentagem dos lucros gerados por produtos licenciados do clube fabricados por outras marcas. Um exemplo foi a parceria com a marca Approve no ano passado, que só pôde ser firmada com o aval da Nike — que ainda ficou com parte da receita obtida.
Outro ponto relevante foi a decisão da Nike de não cobrar valores pendentes referentes ao fornecimento de materiais acima do limite contratual. Em 2023, por exemplo, o Corinthians usou R$ 12 milhões em produtos, embora tivesse direito a apenas R$ 4 milhões, conforme previsto em contrato.