Presidente culpa Rozallah por dívida com Rojas e pede expulsão de ex-diretor
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Por Victor Godoy e Mayara Munhoz

Rozallah Santoro era diretor financeiro de Augusto Melo até a primeira semana de junho
Meu Timão
Nesta semana, Augusto Melo, presidente do Corinthians, enviou um ofício à Comissão de Ética do Corinthians pedindo que Rozallah Santoro, ex-diretor financeiro de sua administração e atualmente conselheiro, seja expulso do quadro de sócios do clube. O motivo principal é uma alegação de que o ex-dirigente teria sido o culpado pelo não pagamento do acordo envolvendo o meia paraguaio Matías Rojas, que culminou em uma dívida de 8 milhões de dólares (cerca de R$ 40 milhões).
No documento a que o Meu Timão teve acesso, Augusto Melo alega que o Corinthians deveria ter pago R$ 1.363.342,13 mais 43.008 dólares a Rojas, mas não o fez por determinação do então diretor financeiro sob a alegação de não ter dinheiro em caixa. Segundo o presidente, porém, o fluxo financeiro do clube no período de 16 a 24 de fevereiro "comprova a disponibilidade de pelo menos R$ 3.700.000,00". Rozallah Santoro, importante destacar, é apontado para as próximas eleições como possível candidato à presidência.
No documento enviado à Comissão de Ética, Augusto Melo anexou dois e-mails dos advogados de Matías Rojas. O primeiro, datado no dia 21 de fevereiro de 2024, é uma "notificação final de inadimplemento" para solicitar o pagamento; o segundo, no dia 28 do mesmo mês, é sobre a rescisão unilateral e a obrigação do Corinthians de pagar os 8 milhões de dólares. As
Augusto Melo defende que a situação, além de gerar prejuízo financeiro, "causou grave dano à imagem do clube". Assim, pede a expulsão de Rozallah Santoro, levando como base o item E do artigo 28 do Estatuto do Corinthians, que diz que é passível da pena de desligamento o associado que "denegrir a imagem do Clube".
Junto disso, Augusto Melo também pede que Rozallah Santoro seja punido com suspensão de um ano devido à reprovação do balanço financeiro de 2024. O mandatário argumenta que o ex-diretor financeiro votou pela reprovação das contas enquanto conselheiro, mas que teve participação direta no clube enquanto diretor até pedir demissão no começo de junho.
Sobre o caso Rojas, Rozallah Santoro já se manifestou publicamente sobre o caso uma vez. No início de maio de 2025, o ex-diretor financeiro disse que a determinação para não pagar Matías Rojas foi de Augusto Melo, que usou parte do dinheiro para contratar o técnico António Oliveira, que estava no Cuiabá.
"Comecei a receber ligações do CT dizendo 'arruma R$ 1 milhão'. O financeiro não tem máquina de imprimir dinheiro (risos). Depois da terceira ligação, perguntei o que estava acontecendo. 'Precisamos pagar a liberação do António Oliveira, que tem que estar no banco sábado'. Fui na sala do presidente e disse que o único dinheiro que tínhamos era o que estava provisionado para pagar o Matías Rojas. 'Paga e depois a gente se vira' (teria dito Augusto Melo). Na quarta-feira, não tinha dinheiro para pagar o Rojas", disse Rozallah Santoro em entrevista ao podcast Deu Zebracast.
O próprio Augusto Melo, inclusive, chegou a dizer que o dinheiro que deveria ter sido usado para pagar Rojas foi para a contratação de António Oliveira. "Mesmo dois meses depois que o Rojas saiu, estava tudo em ordem. Quando foi para a Fifa que paramos de pagar. Até março, estava tudo pago. Direito de imagem, salários, tudo pago. Não tinha motivo para ele sair. Era questão de um ou dois dias. E eu tinha falado 'um ou dois dias a gente paga'. Tivemos que usar o dinheiro do Rojas para pagar o treinador (António Oliveira)", destacou em entrevista ao influenciador Cross.
Em julho de 2024, em meio às investigações do "caso VaideBet", Rozallah Santoro prestou depoimento à Polícia Civil e ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo (Gaeco) e deu versão similar ao falar sobre a ingerência de Marcelo Mariano, ex-diretor administrativo, no departamento financeiro. "Esse problema (suposta ingerência de Marcelinho) foi acentuado em fevereiro, março, quando era necessário pagar Matías Rojas, António Oliveira e não havia recursos suficientes em caixa. Naquele dia, o pagamento mais expressivo era o pagamento de impostos, que foi efetivamente pago", teria dito o ex-diretor durante seu depoimento, segundo trecho que o jornalista Perrone divulgou em seu blog no UOL.
Relembre o "caso Rojas"

Danilo Fernandes/Meu Timão
Contratado em 2023 pelo ex-presidente Duilio Monteiro Alves, Matías Rojas chegou com bastante expectativa após se destacar pelo Racing, da Argentina. Contudo, a passagem ficou mais marcada por problemas fora das quatro linhas. Logo em dezembro de 2023, o meia paraguaio cobrou cerca de R$ 5 milhões do Corinthians na Justiça referentes a valores estipulados em contrato que estariam atrasados.
Já na figura de Augusto Melo, o Corinthians fez um novo acordo para quitar esse débito. Nesse contrato, a diretoria se comprometia a pagar o valor integral do vínculo do atleta, que tinha duração até julho de 2027, caso voltasse a atrasar pagamentos. Em janeiro, o clube cumpriu o acordado, mas já em fevereiro atrasou a transferência - é aí que entra a reclamação do presidente. Assim, Rojas foi à Fifa buscar a rescisão unilateral do vínculo.
Ainda em junho de 2024, a Fifa apontou Rojas como vencedor do processo e condenou o Corinthians a pagar o equivalente a R$ 40,4 milhões ao paraguaio.