O Corinthians vai reabrir as contas de 2023 e 2024? Meu Timão explica
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Por Mayara Munhoz e Victor Godoy
Augusto Melo segue pedindo a reabertura de contas de 2023 e 2024 do Corinthians
Ronaldo Barreto / Meu Timão
Na tarde desta quarta-feira, o Conselho Fiscal (CF) do Corinthians protocolou um ofício informando que irá reanalisar e deliberar sobre as contas de 2023 e 2024. Isso quer dizer que as contas serão reabertas? Não necessariamente. Os órgãos fiscalizadores impuseram condições e o Meu Timão explica o que pode acontecer.
O próprio CF, no documento, diz que as contas serão reanalisadas "desde que tenha os demonstrativos dos resultados destes exercícios no mesmo padrão que até então vem sendo utilizado, bem como os documentos que comprovem a reclassificação das despesas entre um exercício e outro, e que este mesmo material seja enviado ao Conselho de Orientação (Cori) e ao Conselho Deliberativo".
O CF ainda destaca que "este trabalho será extenso e longo, pois há várias iniciativas que devem ser realizadas para a conclusão desta análise e posterior deliberação".
O Cori, por sua vez, também emitiu um comunicado dizendo que ainda recebeu informações sobre uma possível reanalise das contas e reforçou que os trabalhos serão "extensos e complexos tendo em vista os diversos pontos que ainda devem ser esclarecidos, comprovados e passiveis de avaliação técnica rigorosa, tendo em vista as normas contábeis envolvidas".
Apesar do posicionamento dos dois órgãos, é importante ressaltar que o único que tem o poder de julgar contas é o Conselho Deliberativo. Tanto CF quanto o Cori podem analisar os demonstrativos financeiros e darem seus pareceres. O julgamento, porém, fica a cargo do CD.
Procurado pela reportagem do Meu Timão, Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, reforçou que ambas as contas, de 2023 e 2024, já foram julgadas, inclusive, seguindo as recomendações do CF e do Cori.
"É importante esclarecer também que as contas já foram julgadas e publicadas, não cabendo nesse momento qualquer hipótese de nova votação, até porque para isso teriam que ser novamente auditadas, reavaliadas e o resultado, eventualmente, deveria apresentar essa necessidade, coisa que não foi demonstrada no tempo previsto na Legislação e até o momento a nenhum órgão do clube".
"Ambas já foram julgadas nos anos e meses determinados pela Lei e pelo Estatuto. As de 2023 foram julgadas e aprovadas pelo Conselho Deliberativo em abril de 2024, com pareceres favoráveis tanto do Conselho Fiscal quanto do Cori. A respeito das contas de 2024, as mesmas foram julgadas e reprovadas, tendo sido consignado que o julgamento de reprovação se deu com base no parecer do CORI que recomendou a reprovação por gestão temerária. O parecer do Conselho Fiscal também recomendou a reprovação", diz o texto.
Portanto, o departamento financeiro do Corinthians ainda precisa readequar as recentes demonstrações contábeis para os padrões exigidos pelos conselhos. Após isso, como reforçado pelo CF e Cori, uma análise extensa ainda será feita antes de qualquer decisão sobre uma possível reabertura de contas dos dois anos.
Conduta denunciada ao CRC
O Meu Timão ainda obteve a informação de que o Conselho Deliberativo do Corinthians vai encaminhar um ofício ao CRC-SP (Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo) pedindo uma apuração da conduta "dos profissionais da contabilidade que atuam no clube e para o clube, bem como as empresas de auditoria e contabilidade". Augusto Melo já foi informado dessa decisão que, inclusive, aguarda informações requisitadas ao presidente alvinegro.
Do aumento de R$ 829 milhões da dívida ao superavit de R$ 9,5 milhões
As polêmicas quanto às demonstrações financeiras de 2024 do Corinthians iniciaram na metade de abril, quando a gestão presidida por Augusto Melo enviou ao Conselho de Orientação (Cori) o balanço com dívida bruta de R$ 2,568 bilhões. O passivo alvinegro aumentou R$ 829 milhões em apenas um ano.
Por esse e outros motivos, o Cori, por 16 votos a 1, recomendou ao Conselho Deliberativo a reprovação das contas, assim como o Conselho Fiscal. Depois, no dia 28 de abril, o CD desaprovou as contas, por 130 votos a 74.
Para além da política do Parque São Jorge, esse aumento quase bilionário da dívida vem gerando discussão no Corinthians. A atual gestão defende que o aumento bruto da dívida foi de R$ 598 milhões, mas ainda há R$ 191 milhões referentes a valores que, segundo Augusto Melo e seus pares, deveriam ser contabilizados no balanço de 2023. Junto disso, a diretoria argumenta que, se juntar aos valores que o Timão tem a receber de outras pessoas, o aumento líquido do débito foi de apenas R$ 88,6 milhões.
Mais que isso, o departamento financeiro de Augusto Melo defende que o Corinthians teve um superavit contábil de R$ 9,5 milhões em 2024. Esse lucro seria resultado da diferença entre o prejuízo de 2024 e o valor que, segundo a gestão, deveria ser contabilizado no balanço de 2023 - R$ 181,76 milhões de prejuízo de 2024 contra R$ 191 milhões que deveriam ser inseridos anteriormente.
Os R$ 191 milhões reclamados pelo departamento financeiro de Augusto Melo se referem aos seguintes valores:
- Apropriação de juros Profut: R$ 30,2 milhões;
- Contingências prováveis de 2023 (apenas as que não foram contabilizadas): R$ 56,2 milhões;
- Parcelamento de ISS (Imposto Sobre Serviços, em parcelamento sobre a bilheteria junto à Prefeitura): R$ 76 milhões;
- Contingências de dívidas passadas (processos cíveis, trabalhistas, Fifa/CRND/CAS): R$ 28,8 milhões.

Reprodução / Corinthians
