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Presidente do Corinthians reafirma confiança em gestão antes da votação de impeachment

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Por Bruno Pantarotto e Matheus Quintino

Ricardo Cury, advogado do presidente, e Augusto Melo em coletiva do Corinthians

Rodrigo Vessoni / Meu Timão

Em meio à proximidade da votação do processo de impeachment marcada para o dia 26, a atual diretoria do Corinthians reafirma sua confiança no trabalho realizado e no planejamento para tirar o clube de um momento difícil.

Durante entrevista coletiva, o presidente Augusto e seus diretores, apresentados nesta sexta-feira, responderam a questionamentos sobre segurança para a equipe administrativa, o impacto do processo político e o futuro do clube.

Ao ser questionado sobre a segurança — inclusive psicológica — dos novos diretores diante da instabilidade política, Augusto respondeu com convicção, ressaltando que são profissionais capacitados e não vão se desgastar com tudo que envolve o clube.

"Eu deixo isso aí para depois, porque vai que alguma coisa aconteça, que eu tenho certeza que isso não vai acontecer, são pessoas capacitadas, são pessoas que estão engajadas num projeto maravilhoso, que estão tirando o Corinthians de uma situação calamitosa que estava vindo, que a gente não tem a dúvida que vai melhorar cada dia mais", iniciou na entrevista coletiva.

"Então, são pessoas competentes, que eu acho que sempre têm que estar no cargo, desde que eles também não se desgastem tanto, enfim. O que a gente espera dessa diretoria é isso, é trabalhar em prol do Corinthians. O resto a gente deixa do portão para fora. Enquanto estivermos nessa cadeira, nós vamos trabalhar e muito em prol do Corinthians, que é o que a gente vem fazendo e mudando o Corinthians de patamar", concluiu o presidente.

Augusto Melo ressaltou a intensidade e o comprometimento necessários para administrar um clube do porte do Corinthians, além de demonstrar confiança no trabalho realizado pela diretoria. Ele destacou que, apesar da pressão e das dificuldades, seu foco permanece no futuro e no crescimento do clube. Além disso, comentou sobre os profissionais que deixaram o clube do Parque São Jorge.

"Não conte 18 pessoas, porque alguns são funcionários. A diretoria mesmo foi um ou outro que teve seus afazeres, que precisava, porque como o Corinthians é muito intenso, o Corinthians você tem que se dedicar 24 horas, 7 dias por semana, o Corinthians é intenso. Eu, para mim também, tenho uma grande dificuldade. Eu não vivo do Corinthians, tenho meu comércio, eu estou vivendo para o Corinthians. Só que eu estou 24 horas me dedicando ao Corinthians justamente por isso. São dez dias, como você falou, são dez dias que eu preciso trabalhar para o Corinthians", reafirmou.

"Então, eu não vou pensar em dez dias se eu posso estar dentro, se eu posso estar fora. Isso vai ser uma decisão deles. Se eles querem quebrar um projeto gigantesco, que está dando certo e vai dar muito certo, é problema deles, a responsabilidade é deles. Ele vai encerrar um planejamento, coisa que o Corinthians nunca teve. O Corinthians nunca teve isso que nós estamos fazendo agora. E estamos tendo a coragem de trazer o Corinthians de volta ao protagonismo", acrescentou.

"Estamos tendo a coragem de diversificar. E de trazer dinheiro novo, que coisa que há muito tempo o Corinthians não via, e valorizando a marca, valorizando o seu atleta, sabendo vender, sabendo comprar, sabendo administrar. Então, eu estou preocupado, então, nesses 10 dias, em trabalhar ainda mais nesses 10 dias para que o Corinthians seja muito melhor", ressaltou.

Ricardo Jorge, diretor administrativo do Corinthians, destacou que o atual processo de impeachment tem caráter político e alerta para os riscos que isso representa para a gestão do clube. Segundo ele, o ordenamento jurídico brasileiro é claro ao garantir a presunção de inocência, e afastar um presidente sem culpa comprovada seria uma violação desse princípio e um prejuízo para a instituição.

“Eu só queria fazer uma observação. Esse impeachment é político, porque em qualquer lugar do mundo, principalmente no Brasil, o nosso ordenamento jurídico é bem claro. O indiciamento, o fato de existir um inquérito, para qualquer pessoa, não significa culpa. A nossa Constituição é clara, ninguém será culpado sem sentença transitada e julgada. Agora, afastar um presidente, ainda que fosse indiciado, ainda que fosse denunciado, seria uma aberração jurídica, seria quebrar o nosso Estado de Direito e a instituição Corinthians seria a maior prejudicada por este ato. Por que se a nossa lei maior, a Constituição Federal, preserva a presunção de inocência, como se pode destruir uma gestão democraticamente eleita?", disse Ricardo.

“Então, esse tipo de procedimento do Corinthians é que vem entroncando, que vem impossibilitando o clube, qualquer pessoa que queira administrar, fazer um bom trabalho. Porque não é ser disso alguém, democraticamente eleito, e não conseguir trabalhar por conta do grupo A, o grupo B, o grupo C, entra com requerimento e a eleição democrática cai por terra. E vocês, jornalistas, vocês que cobrem isso, sabem que isso não tem condições mais de um clube com a grandeza do Corinthians prosperar. É momento de reformulação. Hoje a gente teria que estar discutindo a reformulação do estatuto e não discutindo a queda daquele que trouxe o fôlego para o clube”, adicionou.

Augusto Melo, ao refletir sobre sua trajetória política dentro do Corinthians, fez questão de destacar um exemplo pessoal para criticar a postura da oposição atual. Ele lembrou que, mesmo tendo sido oposição por sete anos, nunca usou a imprensa para atacar a gestão vigente ou prejudicar a imagem do clube.

"Eu fui à oposição durante sete anos. Algum dia vocês viram eu ir vindo na imprensa falar mal da gestão da instituição Corinthians? Eu só me defendi enquanto fui atacado. Mas durante os sete anos, a última gestão trouxe dois grandes patrocínios. Ninguém sabe disso. Eu ajudei o Corinthians. Eu não fui lá manchar a imagem do Corinthians para que esse patrocinador corresse. Ou não fui falar para esses patrocinadores, ‘não vai lá não, porque as pessoas que estão lá, pode não servir, pode servir’. Não. Eu falei, vamos lá, eu sou corintiano. Vai lá. Procura tal pessoa para a gente poder trabalhar em uma melhoria para o Corinthians”, relembrou.

“Então, vocês nunca viram, durante a minha campanha, eu ir falar mal da gestão. Ao contrário, eu fiz o meu trabalho de formiguinha e fui conquistando para poder hoje ser eleito. Por que essas pessoas não fazem a mesma coisa? Por que ao invés de elas falarem mal do presidente e principalmente manchar a instituição Corinthians lá fora, por que elas não procuram fazer o trabalho delas para que elas se valorizem, para que elas um dia possam sentar na mesma cadeira que hoje eu consegui sentar? Então essas pessoas têm que estar cientes disso. Ao invés de elas mancharem a imagem do Corinthians lá fora, falar mal do presidente, sem motivo", relatou.

Augusto Melo não escondeu a indignação diante da tentativa de afastamento e da campanha que, segundo ele, mancha a imagem do clube e de sua gestão. Para ele, o torcedor é vítima de informações distorcidas que circulam nos bastidores e pela imprensa.

Melo garante que está trabalhando com transparência e tem convicção de que a verdade prevalecerá. Ele lembra que, ao contrário do que dizem, o clube não aumentou dívidas de forma irresponsável e que os resultados financeiros e esportivos estão sendo alcançados graças a um trabalho sério.

"Querem me derrubar? Eles passam essa ideia para o torcedor, que só recebe essa informação e acaba acreditando. Estamos aqui para provar o contrário, mostrando transparência. Dizem que aumentei a dívida, mas como posso gastar R$ 829 milhões num ano? Meu gasto foi controlado, e hoje temos um ativo de mais de R$ 600 milhões em atletas — coisa que antes não existia. É política, e é isso que eles querem", desabafou.

"Trabalhei de forma honesta e correta, ganhei a eleição sem falar mal de ninguém. Agora querem tomar o poder falando mal do Corinthians, do presidente e até da minha família. Eles não me derrubarão emocionalmente nem financeiramente. Sou corinthiano, e corinthiano é coragem para tirar o clube dessa situação. Peço o voto do verdadeiro torcedor, que vibra e se dedica, não daqueles que querem o poder à força. Aqui, fazemos pelo bem do Corinthians", concluiu.

Ricardo Cury, advogado do presidente alvinegro, afirma que a defesa do mandatário avalia todas as possibilidades jurídicas para contestar a votação de impeachment marcada para o dia 26. Ele ressalta que o afastamento de um líder democraticamente eleito só pode ocorrer em casos extremos e comprovados, algo que, até agora, não existe no processo contra o presidente do Corinthians.

Todos os cenários estão no radar, todos. A defesa é porta-voz da indignação do presidente pelos abusos e desvios de poder do presidente do Conselho Deliberativo. A decisão final é do presidente. Como corinthiano de 50 anos, defensor da democracia corintiana e fã do Sócrates, afirmo que alguém eleito democraticamente só pode ser afastado em casos extremos e comprovados, como crime de responsabilidade. Até agora, não há nada disso. Quero estar do lado certo da história e por isso vou me indignar e defender o presidente”, revelou o advogado.

A principal razão para a votação sobre o possível afastamento de Augusto Melo está relacionada ao caso da VaideBet, que já foi patrocinadora máster do clube. É importante lembrar que a empresa encerrou o contrato depois que surgiram denúncias sobre um suposto esquema de “laranja” na negociação do acordo.

Veja mais em: Diretoria do Corinthians e Impeachment.

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