Corinthians vê CBF alterar regulamento que pode ajudar o clube após exclusão do MCF
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Por Victor Godoy

O Corinthians foi excluído do Movimento dos Clubes Formadores do Futebol Brasileiro em janeiro deste ano
Divulgação
Na reta final de março, a CBF divulgou a edição de 2025 do Regulamento Nacional de Registro e Transferências de Atletas de Futebol (RNRTAF). Nele, a alteração de um item pode vir a ser fundamental ao Corinthians após a exclusão do clube do Movimento dos Clubes do Futebol Brasileiro.
O artigo 30 do documento se refere aos atletas que podem assinar contrato de formação, que garante maior proteção aos clubes. A idade mínima era de 14 anos, mas neste ano foi diminuída para 12:
Art. 30 - Os clubes portadores de Certificado de Clube Formador emitido pela CBF podem registrar contrato de formação desportiva com atletas não profissionais de 12 (doze) a 20 (vinte) anos de idade.
Parágrafo único - O contrato de formação desportiva deverá não apenas especificar, mas também razoavelmente quantificar os gastos estimados com a formação do atleta.
Com isso, o Corinthians pode conceder esse tipo de vínculo com atletas mais jovens, evitando possíveis assédios de outros clubes. Vale lembrar que fora do MCF, nenhum clube é obrigado a cumprir o "acordo de cavalheiros" que prevê o grupo.
Nesta semana, inclusive, Igor Macedo, artilheiro do Paulista Sub-13 de 2024 com 20 gols, assinou seu contrato de formação com o Corinthians. O atacante completa 14 anos apenas em novembro, mas já pôde firmar o novo vínculo pela nova regra.

Igor Macedo havia renovado seu vínculo de iniciação esportiva com o Corinthians em janeiro e agora assinou contrato de formação
Reprodução / Instagram
A importância do contrato de formação para os clubes
Existem três tipos de contrato no mundo futebolístico: iniciação esportiva, formação e profissional. Até os 12 anos, os atletas mirins podem assinar apenas a primeira espécie, que não possui multa rescisória e pode ser rescindido a qualquer momento de forma unilateral - seja pelo clube ou pelo jogador - por qualquer motivo. Vale lembrar que é por este motivo que surgiu o Movimento dos Clubes Formadores.
Com o contrato de formação, o clube tem maiores responsabilidades com o atleta ao mesmo tempo que se protege de assédios que aquele jogador pode sofrer de outras equipes, uma vez que possui multa rescisória de até 200 vezes os gastos que teve com aquele indivíduo segundo determina o RNRTAF e a Lei Geral do Esporte.
Relembre a briga envolvendo Corinthians, Palmeiras e MCF
O Corinthians foi expulso do MCF em janeiro deste ano após uma denúncia do Palmeiras de que o Timão teria aliciado um jogador da Barra Funda. Trata-se do atacante Pedro Morelli, que atualmente integra o Sub-15 alvinegro.
O Movimento dos Clubes Formadores é um grupo que reúne todas as agremiações que possuem o Certificado de Clube Formador. O movimento foi criado para evitar que as equipes ficassem roubando atletas com contratos de iniciação esportiva umas das outras. É como um "acordo de cavalheiros" para não aliciar e incentivar que os jovens até 14 anos (agora 12) fizessem isso.
Fora do Movimento dos Clubes Formadores, o Corinthians não tem mais essa segurança e nos bastidores se falava de alguns assédios a joias do clube. Além disso, o Timãozinho foi barrado de torneios organizados por agremiações que integram o grupo, como a Copa FAM Sub-17 (organizada pelo Palmeiras), além de ver a Copa Votorantim Sub-15 ser boicotada.
O Corinthians se defende dizendo não ter realizado nenhum assédio. Ao mesmo tempo, a diretoria da base vem montando desde fevereiro um dossiê para apresentar ao MCF e, além de se defender, acusar o Palmeiras de aliciar atletas do Terrão.