Adaptação, nova função e final marcante: Tamires destrincha primeiro ano de Corinthians
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Por Andrew Sousa e Vitor Chicarolli, no Parque São Jorge

Tamires virou peça fundamental no time de Arthur Elias
Bruno Teixeira/Ag. Corinthians
O Corinthians Feminino já acumulava bons resultados em junho, mas resolveu qualificar ainda mais seu elenco. Depois da Copa do Mundo, o clube anunciou a chegada de um dos destaques do torneio: a lateral-esquerda Tamires, de 31 anos. Como esperado, ela chegou, não sentiu a pressão e virou peça fundamental no time de Arthur Elias.
Jogando mais a frente do que na Seleção Brasileira de Vadão, a camisa 37 virou referência técnica da equipe e se manteve nas listas de convocação para o time nacional. O saldo com ela foi o título da Libertadores, com assistência na final, e do Paulistão, sobre o São Paulo, na Arena lotada.
Ao fim da primeira e ótima temporada com o Corinthians, então, a atleta conversou com o Meu Timão sobre o início da sua trajetória no Parque São Jorge.
Adaptação
Atleta do Fortuna Hjørring, da Dinamarca, entre 2015 e 2019, Tamires sabia das diferenças do futebol europeu para o brasileiro. Seu processo de adaptação ao Corinthians, porém, surpreendeu pela velocidade.
"Acho que foi melhor que eu esperava, a gente sabe que depois de anos em um modelo de futebol diferente, a gente acaba perdendo algumas características, mas fui muito bem recebida pelas meninas, a comissão já tinha trabalho antes, a Cris me recebeu muito bem, acho que isso tudo somou para me sentir bem. Essa decisão de voltar me fez muito feliz, e o futebol engloba isso, se você está feliz no clube, você tem um bom desempenho. Eu fui muito bem integrada no time, nos jogos, isso facilitou no pós mundial dar sequência no futebol e fechar o ano com chave de ouro, com dois títulos", pontuou a atleta.

Tamires se adaptou rapidamente ao futebol brasileiro e ao Corinthians
Bruno Teixeira/Ag. Corinthians
Além das questões técnicas e táticas, Tamires encontrou a modalidade em outro estágio. Ainda que a passos lentos, a evolução do cenário nacional acontece e a distância para a realidade do exterior é cada vez menor, para alegria da lateral.
"Com certeza está maior que quando eu sai, quatro anos atrás. Muitas meninas saíram em uma leva pós mundial, e infelizmente no Brasil daquela época não tinham muitos clubes estruturados como hoje. Sair foi uma experiência muito boa, cresci bastante, mas eu acompanhei o futebol feminino daqui no ano passado e vi muitas coisas boa acontecendo, o crescimento, e queria fazer parte disso tudo, algo que me desafiou na minha carreira. Depois da proposta para jogar aqui no Corinthians, sem dúvida, não hesitei, queria fazer parte desse momento, da história que o Corinthians está escrevendo. Tenho certeza que isso vai ficar para sempre, essa comissão, isso vai servir de exemplo para outros clubes e para elevar o nível da modalidade", analisou.
"A gente ganha e conquista cada vez mais coisas, é sempre importante vermos o que conquistamos de positivo aqui, por exemplo muitos canais de TV transmitindo jogos. Antigamente era só canal fechado e só a Seleção jogando, hoje não, já temos canal fechado transmitindo clube, além da Seleção, a imprensa buscando mais, maior acesso às informações do trabalho que realizamos. A gente sabe que a Europa tem isso há algum tempo, tem um nível estrutural um pouco melhor, poucos clubes aqui tem essa estrutura que os clubes dão lá fora, mas espero que isso possa servir de exemplo para que os clubes de cá apostem no futebol e não só deem a camisa, mas tenho um planejamento para a modalidade, como o Corinthians, porque sabemos que isso dá resultado a curto, médio e longo prazo. Têm muitas coisas positivas que vimos ao longo do ano, um crescimento rápido, para que isso possa continuar para o próximo ano", completou.
A nova função em campo

Tamires ganhou liberdade para atacar com Arthur Elias
Bruno Teixeira/Ag. Corinthians
Contratada a princípio para compor a linha de defesa do Corinthians, Tamires foi deslocada por Arthur Elias e viu suas características ofensivas potencializadas como ponta - Juliete se manteve na lateral. Mais do que sua vocação ofensiva, ela enxerga que o rendimento veio também pela postura de toda a equipe.
"A confiança que a comissão me passou antes de eu estar aqui, conversei com Arthur, ele disse que ia me colocar lá na frente, eu já joguei com ele alguns anos atrás, eu estava confortável na posição, na lateral é mais na Seleção mesmo. Eu me coloquei à disposição para ajudar a equipe da melhor maneira, na frente, atrás. O nosso elenco é muito bom, isso facilitou para eu me encaixar, a maneira como o time joga também, muito toque de bola, passes rápidos. Isso fez a gente ter grandes conquistas no ano, e fico feliz de ter colocado como meta vir e alcançar grandes títulos, só não esperava que seria tão bom, tão rápido, em tão pouco tempo. Vejo como um ano bom, um bom retrospecto, fico feliz de ter ajudado nos jogos e nas conquistas", destacou.
Com chave de ouro

Temporada de estreia no clube terminou com dois títulos e recordes
Bruno Teixeira/Ag. Corinthians
Tamires não tem do que reclamar de sua primeira temporada. Ao todo, a atleta esteve em campo 25 vezes e ainda não sabe o que é perder pelo clube - são 22 vitórias e três empates. Além disso, fez parte do recorde de 34 vitórias consecutivas e dos títulos da Libertadores e do Paulistão. A conquista estadual, inclusive, fechou o ano com chave de ouro: mais de 28 mil torcedores marcaram presença na Arena.
"Foi um dia que vai ficar marcado na história de todas nós, até as mais experientes. Eu nunca vivenciei uma torcida tão grande num clube, tivemos jogos olímpicos com o apoio da torcida, mas com a Seleção, com clube nunca tinha vivido. Acho que se tornou ainda mais especial por ser no Brasil, a gente vê essa evolução no nosso país, o pessoal presente, assistindo o jogo no estádio, e a torcida do Corinthians faz um papel incrível, tanto aqui na na Fazendinha quanto lá na Arena, sempre torcendo e apoiando a gente, do início ao fim. Tenho certeza que o dia ficou marcado na história do Corinthians e da modalidade", concluiu.