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Espanholização?

Tópico popular Entenda as regras
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Publicado no Fórum do Meu Timão em 22/05/2015 às 14:19
Por Igor Dos Santos (@igor.dos.santos2)

Não há conclusões novas, mas o assunto não sai de pauta. No Seleção SporTV da sexta-feira passada, Eduardo Bandeira de Mello, presidente do Flamengo, voltou a ser questionado por torcedores via Twitter sobre a 'espanholização' do futebol brasileiro, um desequilíbrio financeiro decorrente da divisão da receita com direitos de transmissão. Na saída do programa, me contou que responde perguntas sobre 'espanholização' por onde passa, embora tenha muito mais a falar. Pois bem. Eis alguns dados sobre TV.

A divisão do dinheiro que vem de emissoras de televisão comove porque, dentre fontes de receita, é a única que pode ser controlada. Todas as outras estão condicionadas à torcida. Patrocinadores pagam mais a clubes cujas bases de torcedores, potenciais consumidores dessas empresas, são maiores. Fornecedores de materiais esportivos, idem. Quanto mais, gente, mais produtos licenciados, planos de associação e ingressos para partidas tendem a ser vendidos. No caso da televisão, embora ela também tenha mais audiência e pay-per-view conforme tamanho de torcida, há mais espaço para equilíbrio.

A Premier League, primeira divisão da Inglaterra, é bom exemplo disso. Na temporada 2013/2014, os 20 times que a disputaram receberam £ 1,753 bilhão referentes a direitos de transmissão. Este valor é repassado pela liga aos clubes com base em três critérios: 50% são igualitários para todo mundo; 25% dependem do mérito esportivo, conforme a colocação na tabela na temporada anterior; e 25% obedecem o número de partidas televisadas, com um valor mínimo assegurado até para quem teve muito menos jogos transmitidos pela TV. O Chelsea, com £ 139 milhões recebidos, tem a maior receita com televisão do país. O Cardiff City, com £ 63 milhões, tem a menor. Logo, o mais rico arrecada o dobro do que arrecada o mais pobre, melhor proporção entre as maiores ligas de futebol do planeta.

Manhester United 8%
Manchester City 8%
Chelsea 8%
Arsenal 7%
Liverpool 6%
Tottenham Spurs 5%
Newcastle 4%
Everton 5%
Aston Villa 4%
West Ham 4%
Southampton 5%
Sunderland 4%
Swansea City 5%
Stoke City 4%
Norwich City 4%
Fulham 4%
Crystal Palace 4%
West Bromwich 4%
Hull City 4%
Cardiff City 4%

A La Liga, primeira divisão da Espanha, é o mau exemplo de equilíbrio. São considerados, aqui, 16 clubes que jogaram a elite espanhola em 2013/2014 porque Valencia, Malaga e Getafe não publicam balanços financeiros, embora nova lei do país exija que todos o façam, e o Levante não detalha em seu documento o montante recebido da televisão. A soma desses 16 dá € 678,4 milhões. O Real Madrid possui a maior receita e obteve € 162,6 milhões com direitos de transmissão, e o Real Valladolid, com a menor, conseguiu € 15,6 milhões. A diferença entre o mais rico e o mais pobre, portanto, é de mais de dez vezes.

Real Madrid 24%
Barcelona 24%
Atlético de Madrid 7%
Sevilla 5%
Athletic Bilbao 5%
Real Sociedad 4%
Villareal 6%
Betis 4%
Espanyol 3%
Celta de Vigo 3%
Granada 3%
Osasuna 3%
Elche 3%
Rayo Vallecano 2%
Real Valladolid 2%
Almería 3%

A Serie A, primeira divisão da Itália, tampouco divide bem receitas com direitos de TV. A amostra neste caso é de 12 times que disputaram a elite italiana em 2013/2014. Os ausentes, sobretudo Milan e Fiorentina, não foram considerados porque ainda não publicaram balanços financeiros referentes a 2014. O valor gerado foi de € 672,2 milhões, dos quais a Juventus ficou com a maior parte, € 150,9 milhões, e o Verona, a menor, € 22,8 milhões. O mais rico recebe 6,5 vezes mais do que o mais pobre, portanto. Perceba que há um grupo de clubes à frente, com Juventus, Napoli, Internazionale e Roma, do qual o Milan certamente faz parte, que se destaca dos demais. São os mais populares do país.

Juventus 22%
Napoli 16%
Internazionale 11%
Roma 10%
Lazio 8%
Parma 6%
Udinese 5%
Bologna 4%
Verona 3%
Catania 4%
Cagliari 4%
Chievo 4%

A Ligue 1, primeira divisão da França, peca por ter à frente somente dois clubes que faturam muito mais com televisão do que os 18 abaixo. Os 20 que jogaram a elite francesa geraram € 604,8 milhões com direitos de transmissão em 2013/2014. O Paris Saint-Germain, 'novo rico' e atual tricampeão nacional, ficou com a maior parte, € 85,8 milhões, enquanto o Ajaccio ficou com a menor, € 13,5 milhões. A diferença entre o mais rico e o mais pobre é de pouco mais que seis vezes.

Paris Saint-Germain 14%
Monaco 5%
Olympique Marseille 13%
Lyon 9%
Lille 6%
Bordeaux 7%
Saint-Etienne 5%
Stade Rennais 4%
Lorient 4%
Montpellier 4%
Nantes 3%
Toulouse 4%
Nice 3%
Stade de Reims 3%
Evian 3%
Sochaux 2%
Guingamp 3%
Bastia 3%
Valenciennes 3%
Ajaccio 2%

A Alemanha não entra neste levantamento feito pelo blog pois não obriga seus clubes a divulgar balanços financeiros, tampouco publica, por meio de órgãos oficiais do governo, como nos outros países europeus analisados, os documentos. Apenas quatro equipes têm alguma transparência, entre elas Bayern de Munique e Borussia Dortmund, e neste caso a amostra seria reduzida demais para conclusões.

O Campeonato Brasileiro, por fim, tem divisão similar à italiana e à francesa. Não está nem próximo da Inglaterra, bom exemplo, nem próximo da Espanha, mau exemplo. Aqui, são considerados 19 clubes, com Vasco no lugar da Chapecoense, que não publica balanço financeiro, e sem o Sport, cujo documento não detalha ganhos com televisão. Esses 19 arrecadaram R$ 1,12 bilhão com direitos de transmissão em 2014. O Flamengo tem a maior receita, R$ 115,1 milhões, e o Figueirense, a menor, R$ 18,5 milhões. A diferença entre mais rico e mais pobre é de pouco mais que seis vezes.

Atlético-MG 7%
Atlético-PR 3%
Bahia 4%
Botafogo 4%
Corinthians 10%
Coritiba 3%
Criciúma 3%
Cruzeiro 6%
Figueirense 2%
Flamengo 10%
Fluminense 5%
Goiás 3%
Grêmio 5%
Internacional 5%
Palmeiras 7%
Santos 5%
São Paulo 7%
Vasco 6%
Vitória 3%

Ainda que o parâmetro 'mais rico versus mais pobre' esteja em linha com França e Itália, no Brasil os dois maiores faturamentos com TV, Flamengo e Corinthians, têm 10% cada sobre o valor total. O percentual é mais baixo do que na França, onde PSG e Olympique levam 14% e 13%, e mais baixo do que na Itália, onde Juventus e Napoli ficam com 22% e 16%. Entre as cinco ligas, a conclusão é de que a brasileira tem a segunda melhor divisão de direitos de transmissão – muito pior do que a inglesa, é verdade, mas melhor quando comparada a italianos e franceses e muito melhor do que a espanhola. A preocupação em repartir igualitariamente o dinheiro que vem de emissoras é legítimo, pois, repito, é provavelmente a única receita que pode ser controlada para manter a competitividade do país. Mas números mostram que no futebol brasileiro atual, para a tristeza dos conspiradores de plantão, não há 'espanholização'.

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Últimas respostas

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Tarcisio 88 posts

@tarcisio.lenon em 22/05/2015 às 16:11

Excelente tópico...Caramba o flabosta arrecada mais que nós?

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Ancelmo 698 posts

@aguiaumdois em 22/05/2015 às 16:03

As cotas de TV a partir de 2016, terá novo aumento de valores, até 2019, quando será descutido novo contrato, e novos valores

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Benivaldo 2.128 posts

@ninhofei em 22/05/2015 às 15:54

Bela exposição de fatos, que nos leva a uma única resposta; assim é mais justo e é assim que tem que ser e fim de papo para as viuvas de plantão. Vai Corinthians!

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Lucas 30.600 posts

@lucas.ps.timao em 22/05/2015 às 15:29

Tópico espetacular, parabéns mandou muito bem, minha opinião é que os Clubes Brasileiros poderiam e deveriam ganhar muito mais do que vem ganhando, mas estão presos a rede Globo por motivos que eu desconheço, minha opinião é que os direitos de transmissão deveriam ser liberados para no mínimo mais uma emissora, pra mim os Clubes deveriam receber os seguintes valores:

Corinthians e Flamengo 250 Milhões

Palmeiras, São Paulo e Vasco 220 Milhões

Grêmio, Internacional, Atlético\MG, Cruzeiro, Fluminense, Santos e Botafogo(quando estiver na primeira divisão) 200 Milhões

8 Pequenos que estiverem disputando a Série A 150 Milhões

As emissoras faturam o dobro disso em cima dos Clubes e vamos supor que esse valor seja dividido entre 2 emissoras, Record e Globo por exemplo, não pesaria tanto a elas e todos os Clubes sairiam ganhando, hoje a própria Globo tem condição e deveria dar esse valor aos Clubes, mas não faz isso e dificilmente vai fazer, claro que dependeria também de as Competições forem mais organizadas para dar também mais audiência, se isso for trabalhado com cautela, Competência e seriedade com certeza o Futebol Brasileiro daria um saldo de qualidade.

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Lucas 3.327 posts

@lucas.s.ribeiro em 22/05/2015 às 15:25

Tópico show de bola!

Parabéns! Geralmente tocam nesse assunto somente com 'achismos' e com informações concretas sempre fica mais transparente

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Rafa 133 posts

@rafa84 em 22/05/2015 às 15:08

Belo tópico, hoje em dia esse assunto de 'espanholização' do futebol brasileiro é conversa pra boi dormir, podemos ter problemas no futuro porque as cotas de TV serão ajustadas o ano que vem e essas diferenças tendem a aumentar, porém um clube bem administrado faz todo diferença, Corinthians e Flamengo são lideres neste ranking já alguns anos, o que não significou domínio de nenhum dos dois na elite nacional, porque seus administradores ainda são muito amadores!

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Antonio 17.663 posts

@junior.junior5 em 22/05/2015 às 15:04

Grande post amigo... Extremamente esclarecedor... Parabéns!

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Regis 1.929 posts

@chonilhp em 22/05/2015 às 14:25

Simples...vamos ver se o Roberto Andrade que agora esta se mexendo vai peitar alguém...se nção pagar quanto o Corinthians merece não joga o brasileiro...ou melhor joga sem vender os direitos pra TV...se alguma TV paga quiser pagar muito bem...